a evasão acontece
torna-se etérea
e, por escassos segundos
deixa de ser matéria
em pleno silêncio
nn(in)metamorphosis
Tenho andado
um bocadinho tristonha, apática, quase letárgica… fico assim sempre que a vida
me maltrata. Vida? Não!... Não é a vida, são mesmo as pessoas… mas nada de
preocupante, é temporário. Tem sido sempre assim e desta vez não será
diferente. Eu volto a levantar-me.
Ironia
é sermos ausência
na nossa própria presença
é ouvirem-nos
mas não nos escutarem
é olharem-nos
mas não nos verem
é crescer a raiva
num ser em agonia
no mundo do parecer
é urgente
ter atitude
mais do que prosa,
mais do que poesia
Soubera eu escrever
e dir-te-ia do instante
em que a tua mão no meu rosto
faz o mundo calar
Soubera eu escrever
e bastavam-me poucas palavras
para contar
como em cada toque teu
o meu corpo renasce
rio desmedido
corrente que me chama
e me quer inteira
Ah, soubera eu escrever
e confiar-te-ia os meus desejos
feitos de abraços demorados
de beijos sem fim
de todas as carícias por inventar
Mas não sei
E por isso guardo em silêncio
os suspiros que te pertencem
os pensamentos onde te repito
a vontade funda de te ter
Soubera eu escrever…
e dir-te-ia tudo
ou talvez
menos do que este sentir já diz