O
que sei dos homens
é o peso que deixam no ar
é o grito dos passos duros
e das mãos que aprendem cedo
a fechar-se
Dizem-me
que há bons
Como
quem fala de ilhas
nunca descobertas
como quem aponta estrelas
num céu que não cessa de arder
Se
os há
onde respiram?
Em
que ruas andam
que não levantam o pó da dor?
Que
palavras usam
que não se fazem ouvir?
Procuro-os
no silêncio
nos gestos pequenos
da fraternidade
num “já chega”
num olhar que não fere
Mas
o mundo…
qual mundo?
Uns
quantos
que insistem em gritar
em quebrar
em dominar
e
outros
que tentam
e são calados
e
outros
que veem
e recuam
e
outros ainda
que se habituam
porque
o peso é maior
porque o dinheiro fala
porque o medo fica
E
assim
os que fazem a guerra
seguem
sem
tropeço
não
porque sejam mais
mas porque o resto
adormece
é o peso que deixam no ar
é o grito dos passos duros
e das mãos que aprendem cedo
a fechar-se
que há bons
nunca descobertas
como quem aponta estrelas
num céu que não cessa de arder
onde respiram?
que não levantam o pó da dor?
que não se fazem ouvir?
nos gestos pequenos
da fraternidade
num “já chega”
num olhar que não fere
qual mundo?
que insistem em gritar
em quebrar
em dominar
que tentam
e são calados
que veem
e recuam
que se habituam
porque o dinheiro fala
porque o medo fica
os que fazem a guerra
seguem
mas porque o resto
adormece
2026-05-29 - O mal avança no silêncio dos bons
nn(in)metamorphosis
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