Tenho andado
um bocadinho tristonha, apática, quase letárgica… fico assim sempre que a vida
me maltrata. Vida? Não!... Não é a vida, são mesmo as pessoas… mas nada de
preocupante, é temporário. Tem sido sempre assim e desta vez não será
diferente. Eu volto a levantar-me.
Para
conseguirmos ser timoneiros das nossas próprias vidas, é necessário ir fazendo
pequenas paragens para arrumarmos a embarcação. Primeiro, desfazermo-nos do que
nos é nefasto. Depois… do que não nos faz falta nem contribui para que a viagem
seja agradável. Arrumar no lugar certo o que, mesmo não sendo preciso a toda a
hora, sabemos estar lá, e é de importância vital sabermos isso. E por fim, dar
lugar de destaque ao que nos é absolutamente imprescindível para continuarmos a
ser viajantes neste barquinho que somos cada um de nós, neste mar imenso que
são as relações humanas no seu todo.
Está a
chegar o momento, já o sinto, de olhar uma última vez para os acontecimentos e,
agora consciente após a paulada, escrevê-los num papel e colocá-los na caixa
grande.
O resto?...
o resto o tempo fará...
Tempo… o
tempo tem culpa de muita coisa, e aqui também é culpado. Está cinzento… e
acinzenta-me. Preciso de algum tempinho para ir buscar a fatiota amarela de sol
e com ela vestir o espírito. Assim que a encontre, encontrarei também vontade e
força, agora que levantada estou, para erguer a cabeça e seguir mar adentro
nesta minha viagem.
***
2009-11-17 - A Fatiota Amarela de Sol
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