Não sei… dos outros nada sei.
Há muito que só falo por mim, e mesmo assim, tantas vezes de modo contraditório.
Perdida numa procura constante de me conhecer
Virgiana de signo, se é que isso quer dizer alguma
coisa.
Realista, de pés no chão, pragmática… mas há horas em que a cabeça foge
vai para um mundo irreal, feito à medida
onde permaneço noite adentro, escondida
como se fosse a minha casa na árvore
Não tenho facilidade em dizer, em voz alta, o que
sinto.
E de tanto querer explicar… acabo por complicar.
Também não sei se sei escrever, deixo apenas que pensamentos, sonhos, anseios, medos e vontades
se tornem palavra
para eu mesma ler
e, talvez, me entender
Há dias em que me sinto presa
acorrentada a um mundo que não entendo
nem me entende
Há outros em que me apetece ganhar asas
ter coragem de voar
E há ainda aqueles em que me aninho
nesse doce verbo: amar
Mas existem também dias de vazio
um vazio que não é falta de coisas
é falta de toque
de um sorriso
de um olhar
Um amigo deixou-me uma frase:
“Escrever muito, dizem, é sinal de angústia
e de debilidade em viver.
Ou será uma forma de evitar paixões,
ou de as saciar?”
E eu penso… talvez seja tudo isso junto
ou talvez não seja debilidade nenhuma
Talvez seja apenas isto:
alguém que sente fundo
que vive intensamente por dentro
e que escreve
não para fugir da vida
mas para a conseguir tocar
sem se perder nela
Há muito que só falo por mim, e mesmo assim, tantas vezes de modo contraditório.
Perdida numa procura constante de me conhecer
Realista, de pés no chão, pragmática… mas há horas em que a cabeça foge
vai para um mundo irreal, feito à medida
onde permaneço noite adentro, escondida
como se fosse a minha casa na árvore
E de tanto querer explicar… acabo por complicar.
Também não sei se sei escrever, deixo apenas que pensamentos, sonhos, anseios, medos e vontades
se tornem palavra
para eu mesma ler
e, talvez, me entender
acorrentada a um mundo que não entendo
nem me entende
ter coragem de voar
nesse doce verbo: amar
um vazio que não é falta de coisas
é falta de toque
de um sorriso
de um olhar
e de debilidade em viver.
Ou será uma forma de evitar paixões,
ou de as saciar?”
ou talvez não seja debilidade nenhuma
que vive intensamente por dentro
e que escreve
não para fugir da vida
mas para a conseguir tocar
sem se perder nela
***
2009-10-06 - Não sei 2009-09-01
nn(in)metamorphosis
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