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13/08/2026

Fica

 


Ontem fui ver o mar
de Peniche à Consolação
em todo o lado
a mesma calma
 
nem parecia mar
parecia uma enorme lagoa
perdida entre o céu e a terra
 
olhei e fiquei
sem saber bem porquê
a ver a água tão quieta
como se o tempo também estivesse
 
ontem o mar não tinha força
não tinha ondas para correr
tinha apenas aquela paz
que nos faz parar e ver
 
e eu vi o mar
em vários pontos
sempre o mesmo
sempre diferente
 
calmo como um sonho
largo como o dia
e tão perto de mim
que parecia companhia
 
como sempre, falou comigo
mas ontem, apenas disse
 
Fica
 
e eu fiquei… um pouquinho

 

***

2026-08-13 – Fica 
nn(in)metamorphosis 


06/08/2026

(Re)construindo no escuro



 

A vida é uma promessa
que a força e a vontade cumprem
não como quem espera
mas como quem constrói
 
Há caminhos sem mapa
há dias sem horizonte
e ainda assim algo avança
firme, sem se deter
 
Não é na ausência de quedas
que a promessa se sustenta
mas na coragem serena
de se erguer outra vez
 
Força é raiz escondida
vontade é rio constante
e juntas abrem passagem
onde tudo era distante
 
Há um fogo discreto
que não pede claridade
apenas segue aceso
com firmeza e verdade
 
E assim, passo a passo
sem pressa, sem alarde
a vida cumpre em nós
o que em silêncio
a força e a vontade
construiu

 

***

2026-08-06 –(Re)construção no escuro - Fragmentos
nn(in)metamorphosis



03/08/2026

Duas vozes




Porque há golpes da vida que não te matam, mas mudam-te a voz.
 
Ficam como um eco preso na garganta, um peso leve e constante que ensina o silêncio a falar.
 
Há dias que partem a voz em duas, uma que o mundo escuta, outra que se esconde por dentro a aprender a existir de novo.
 
Não é a dor que grita mais alto
é o que sobra depois dela.
Um timbre diferente
um cuidado estranho no dizer
 
e então fala-se mais baixo
não por medo
mas porque cada palavra
já conhece o seu próprio peso.


 
***
2026-08-03 – Duas vozes 
nn(in)metamorphosis


20/07/2026

Rabisca Palavras


Rabisca palavras
no aconchego da noite
que é sua amiga

Rabisca na intimidade
do mesmo modo
que sonha
do mesmo modo
que ama

Passa a noite
chega o dia

Dissolve o cansaço
deixando-o passar

Põe
no olhar
o olhar de esperar

Pinta
na boca um sorriso
no rosto um rubor

e aguarda a noite
com a insónia ao lado
para rabiscar palavras

 

***

2026-07-20 – Rabisca Palavras 
nn(in)metamorphosis


12/06/2026

Coisas que o Tempo Guarda

 

Vejo sorrisos
que brilham para mim
sem obrigação nenhuma

ficam pouco tempo
mas deixam sempre qualquer coisa
como luz acesa depois de alguém sair

vejo olhares
que dizem tudo
sem precisarem de falar

ficam suspensos no ar
mais uns segundos
como se o tempo ali
não tivesse pressa nenhuma

e eu guardo esses instantes
sem saber bem porquê
talvez porque há pessoas
que passam devagar na nossa vida
e mesmo assim
ficam para sempre

 

***

2026-06-12 - Coisas que o Tempo Guarda
nn(in)metamorphosis 

06/05/2026

Onde as palavras não chegam

 


“A música tem um poder expressivo que vai além da linguagem verbal. Há experiências, emoções complexas, memórias difusas, estados de espírito, que simplesmente não cabem em palavras. A música entra exatamente nesse espaço.
No fundo, a música não substitui as palavras, ela complementa-as. Vai onde o discurso lógico falha e traduz o que é mais íntimo e difícil de nomear.”

 



A música chega devagar
como quem não quer dizer nada
e, de repente, diz tudo
 
Não pede palavras
não precisa de tradução
entra directo onde o silêncio mora
 
Há dias em que nem eu me entendo
mas uma melodia entende
 
Fica ali,
a falar por mim
 
Sem letra, sem voz
só som
e mesmo assim
guarda memórias
abraça ausências
acende o que em mim se perdeu
 
Gosto disso
 
do que não se explica
mas se sente
 
Porque às vezes
o coração não quer frases
quer só… música


 
***
2026-05-06 - Onde as palavras não chegam 
nn(in)metamorphosis
 

17/04/2026

Metamorphose das Estações

 



Aguardo, paciente, o tempo certo
como a terra fria espera a semente
em silêncio guardo o sonho desperto
num coração que abriga o ausente
 
No Outono recolho-me em mim
folha caída, pensamento lento
e no Inverno sou quase jardim
adormecido no frio do tempo
 
Hiberno na sombra dos dias curtos
onde a luz é memória distante
e os sonhos, embora ocultos
respiram num ritmo constante
 
Mas quando o calor regressa enfim
e o sol me chama pelo nome
rasgo o casulo que fiz de mim
e renasço do que em mim se consome
 
Abro asas, leve, inteira
num voo que já não teme o ar
sou borboleta de Primavera
pronta, de novo, para sonhar
 
 
***
2026-04-17 – Metamorphose das Estações 
nn(in)metamorphosis

10/04/2026

Em viés

 



Hoje acordei
com curiosidade nos olhos
e travessura no coração
 
Hoje
Não confiem em mim
posso seguir um riso
acreditar no acaso
abrir portas
que estavam quietas
 
Há dias assim
desobedientes
 
Hoje
sou um perigo leve
na ordem das coisas
um desvio pequeno
no rumo do mundo

 

***

2026-04-10 – Em viés - Fragmentos
nn(in)metamorphosis 


30/03/2026

Quando o ontem não chega

Gosto de rotinas. Gosto de saber como começa o dia, dos pequenos gestos que se repetem e que, sem dar por isso, me organizam por dentro. Há uma tranquilidade nisso, quase como um chão firme onde posso pousar os dias.

Talvez seja por isso que os imprevistos ganham outra força. Quando algo muda, quando há um desvio, sinto-o com mais intensidade. Nem sempre são bons; às vezes desarrumam, pesam, ficam de um modo que não faz rir. Mas ficam — e isso também diz qualquer coisa sobre o dia.

Gosto de rotinas porque me dão medida. É essa medida que faz com que tudo o que a interrompe, leve ou difícil, não passe despercebido. No fim, são esses dias, aqueles que não sabem a ontem, que mais se guardam.

 

***

2026-03-30 – Quando o ontem não chega - Fragmentos
nn(in)metamorphosis


18/03/2026

Simulacro


Vives nesse simulacro de vida que cabe inteirinho na exausta cautela de não saíres do mesmo lugar... e levas-me contigo.

 

***

2026-03-18 – Simulacro 
nn/in)metamorprosis

17/03/2026

O Peso do Invisível

 

Quanto de mim ficou por terra, para que eu chegasse até aqui.

 

***

2026-03-17 - O Peso do Invisível 
nn(in)metamorphosis



16/03/2026

Reflexões e Café quente

 


Parou de pensar, coisa rara diga-se, e foi tirar outro café.
Ainda que injusta, a vida continuava, teimosa como uma segunda-feira.
Olhou para a chávena como quem espera que o universo se explique sozinho. Não explicou. Mas o café estava bom. O mundo ficou igual e ela, pelo menos, ganhou mais cinco minutos de filosofia líquida.


***

2026-03-16 – Reflexões e Café quente
nn(in)metamorphosis 


15/03/2026

A forma do ausente

 

Há um silêncio dentro de mim que parece ter a forma exata de algo que ainda não encontrei.

 

***

2026-03-15 – A forma do ausente - Fragmentos
nn(in)metamorphosis


16/09/2025

Sou música


Eu sou música e com cada nota danço a vida.

 

 ***

2025-09-16 - Sou música 
nn(in)metamorphosis

15/09/2025

Setembro em pessoa

 


Se setembro fosse gente
teria o bronzeado dos últimos dias de verão
cheiraria a livros novos e cadernos por estrear
traria nos bolsos a promessa de lareiras acesas
castanhas assadas cacau quente e silêncios bons
 
Falaria com voz de brisa entre folhas douradas
vestiria suéter leve e meias de lã
guardaria memórias do mar entre os dedos
e olharia o futuro com olhos de recomeço
 
Tocaria o coração com mãos de saudade
oferecendo tardes douradas e manhãs frescas
com um sorriso tímido de quem parte devagar
mas deixa o outono inteiro por desvendar
  

(Um poema para o meu aniversário)


 ***

 2025-09-15 –Setembro em pessoa 
nninmetamorphosis


02/09/2025

Escrever é...

 




Escrever é dar nome ao que o coração já sabe.

 


***
2025-09-01 – Escrever é… – Fragmentos
nn(in)metamorphosis

01/09/2025

Fotografar é...

 



Fotografar é guardar o que o tempo quer levar.


***
2025-09-01 - Fotografar é...
nn(in)metamorphosis

19/08/2025

Quem sabe

Quem sabe o sonho seja a verdadeira realidade, e a vida apenas o seu eco.
 
 
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2025-08-19 – Quem sabe 
nn(in)mwtamorphosis

12/08/2025

O eco de sentir demais



Não sou feita de ausências
Mas, às vezes, esvazio-me

Fico quieta por dentro - não é bem dor, nem é tristeza

É uma imobilidade estranha
como se algo se apagasse em mim

Não há motivo visível
só um sentir que transborda
sem nome, sem forma, sem aviso

Sinto demais

E quando sinto, tudo pesa
o tempo, as falhas
as palavras que disse
e, talvez ainda mais
as que escolhi calar

Refletir é tormenta

Pensar demais arrasta tudo
como um vento forte que varre os cantos da mente

E a ideia de que tudo depende de mim
não ajuda
é como tentar segurar o céu com as mãos - irreal

Então, obrigo-me

Respiro. Foco no agora
Agarro o instante com cuidado
com atenção, com medo, mas com força

Não sou tristeza. Sou excesso

E o excesso, por vezes, também cansa
Mas sigo
Porque mesmo quando transbordo, ainda há poesia

 
***
 2025-08-12 - O eco de sentir demais
nn(in)metamorphosis

12/07/2023

Sabes


Não preciso de ti para sorrir: 

          mas o meu sorriso contigo ganha outra cor



***

2023-07-12

nn-metamorphosis