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20/05/2026

Na maresia do mundo

 


Não sou poeta
nem sei ler poesia
Sou gente comum
que escreve o que sente
e sente o mundo na maresia
 
Todos os dias têm poesia
mesmo quando ninguém repara
 
ela esconde-se nas coisas pequenas
num copo de água pousado à pressa
no som leve de passos ao longe
na luz que entra sem pedir licença
 
Quando não a vejo
fecho os olhos
não para fugir
mas para escutar melhor o mundo
 
E então sinto
 
o vento a dançar sem corpo
o tempo a respirar devagar
o silêncio a dizer tudo
 
Talvez a poesia seja isso
não algo raro
 
mas algo que só aparece
quando ficamos quietos
o suficiente para sentir
 

***
2026-05-20 – Na maresia do mundo 
nn(in)metamorphosis


18/05/2026

Entre dois mundos

 



Entre o céu e a terra

há uma linha invisível
tão fina que não corta
tão leve que não pesa
 
Não separa o que somos
nem divide o que sentimos
é apenas um lugar
onde tudo se mistura
 
Ali, o sonho toca o chão
e os passos ganham asas
 
Ali, o silêncio fala
e o tempo abranda
 
Somos feitos dessa linha
metade queda, metade voo
com os pés na incerteza
e o olhar no infinito
 
e
 talvez viver seja isso
 
caminhar sem romper
aprender que entre tudo
não há distância
há encontro
 
***
2026-05-18 – Entre dois mundos 
nn(in)metamorphosis


15/05/2026

É este o caminho?

 


É este o caminho?
 
Sempre que duvidares
dá mais um passo
 
Não precisas de ver tudo
nem de saber onde vai dar
 
Basta o chão à tua frente
e a coragem de continuar
 
É assim, devagar
que o caminho se faz

  

***
2026-05-15 – É este o caminho?
nn(in)metamorphosis


13/05/2026

Assim se fazem os dias

 




Os dias são feitos de reflexos
e de sombras que não se dizem
de vidros onde encostamos o rosto
à procura de um nome que seja nosso
 
São feitos de sonhos
uns leves como o pó na luz da tarde
outros mais pesados, presos na memória
onde o tempo se demora
 
Há vozes em grupo
passam por nós, atravessam-nos
deixam ecos no silêncio
como se o mundo falasse por dentro
 
E há o pó que sacudimos
num gesto pequeno
quase invisível
mas que levanta no ar
o que fingimos esquecer
 
Assim se fazem os dias
de fragmentos, ruído e ausência
de mãos vazias
que ainda procuram luz

 

***

2026-05-13 - Assim se fazem os dias
nn(in)metamorphosis 


11/05/2026

Nem Tudo é Perda

 




Nem tudo o que dói é perda
Às vezes é só poda
 
Há cortes que custam
mas não são castigo
São escolhas da vida
para abrir espaço
 
Dói ver cair o que era nosso
dói largar o que ainda sentimos
Mas nem tudo o que fica parado cresce
e nem tudo o que cresce pode ficar
 
Há um tempo de segurar
e um tempo de deixar ir
 
E nenhum deles é fácil
 
Por isso, quando doer
talvez não seja o fim
Talvez seja só a vida
a preparar-te para continuar diferente…

 
***
2026-05-11- Nem Tudo é Perda 
nn(in)metamorphosis


04/05/2026

Quando o tempo encontra sentido

 



O que é uma data
se não se encaixar num horizonte
num sonho, numa memória?
 
é apenas um número no tempo
um risco no calendário
algo que passa sem deixar eco
 
mas se encontra lugar em nós
ganha peso e direção
torna-se ponto de partida
ou regresso silencioso
 
há datas que são quase nada
e outras que ficam
como se o tempo ali tivesse parado
só para ser lembrado
 

***
2026-05-04 - Quando o tempo encontra sentido 
nn(in)metamorphosis


29/04/2026

Do lado de lá do silêncio

 




Ganhei coragem
e fui à procura dos vazios
do lado de lá do silêncio
 
não havia mistério
nem portas fechadas
apenas o ar
leve
sem o peso das vozes
sem o bulício do mundo
 
um espaço aberto
onde o pensamento repousa
 
com o mundo calado
o silêncio não resistiu
desfez-se em fundo
como mar depois da onda
 
não respondeu
nem mentiu
 
ficou
como luz sem ruído
como um lugar
onde, por instantes
eu cabia
 
e soube
 
não me falta vida
falta-me espaço dentro dela
 
falta-me não ser só passagem
entre o que sou
e o que esperam de mim
 

 ***

2026-04-29 - Do lado de lá do silêncio 
nn(in)metamorphosis


27/04/2026

O que não se pode tocar

 



Há coisas que se erguem na mente
paredes de ar
tectos de silêncio pousados no peito
 
constroem-se com gestos suspensos
com palavras que nunca chegam a ser ditas
com promessas que existem apenas na intenção
 
e tudo parece firme
como se o invisível tivesse peso
como se o intangível soubesse permanecer
 
mas basta um sopro de lucidez
um desvio no olhar
um instante de verdade a atravessar o corpo
 
e aquilo que nunca teve matéria
cede
 
não faz ruído ao cair
não deixa ruínas
 
apenas um vazio mais nítido
onde antes havia a ilusão de forma

  

***

2026-04-27 – O que não se pode tocar – Llunar
nn(in)metamorphosis

22/04/2026

Entre o Fomos e o Somos

 


Volta! gritou a saudade
pelos campos leves da mocidade
onde o tempo corria sem peso
 
Lembra! disse a memória
trazendo tardes sem fim
e risos soltos ao vento
 
Esquece! aconselhou a razão
já com passos mais lentos
e olhos cansados de distância
 
Mas a mocidade não ouve
nem volta quando chamada
nem se deixa prender em lembrança
 
fica apenas como um sopro
entre o que fomos e o que somos
um clarão breve que insiste em arder
 

***
2026-04-22 - Entre o Fomos e o Somos 
nn(in)metamorphosis



15/04/2026

Ainda há terra boa

 


Vamos conversar
e deixar raízes profundas
mesmo quando o mundo se perde
mesmo quando se mata por ganância
 
mesmo assim
ainda há terra boa entre nós
ainda há espaço para cuidar
 
olha as árvores
não lutam pelo céu
e mesmo assim crescem
 
Há qualquer coisa em nós
que não quer desistir
que ainda sabe ser luz
 
podemos ficar
escolher diferente
ser mais simples
 
talvez seja isso que importa
 
a vontade quieta
de ficar
de cuidar
de não ferir
 
e se ficarmos
se cuidarmos
mesmo quando tudo parece perdido
 
então
ainda há esperança
ainda há raízes profundas

 

***

2026-04-15 – Ainda há terra boa 
nn(in)metamorphosis



13/04/2026

Viver entre o que explode e o que permanece




O corpo não aprende a ficar
é feito de nuvens quentes
de trovões que não avisam
de chuvas que chegam sem licença
 
Há dias em que transborda
em que tudo nele é excesso
vento, febre, impulso
um verão que não sabe ser brisa
 
Mas a cabeça…
 
a cabeça é outra estação
clara como um céu que nunca cede
reta, metódica
conta os passos da tempestade
como quem observa por uma janela fechada
 
Ela entende tudo
nomeia, organiza, explica
enquanto o corpo desmancha
em água e relâmpago
 
E debate-se entre os dois
metade caos que sente
metade lucidez que assiste
 
Talvez viver seja isso
 
Não escolher um lado
mas respirar
no intervalo
entre o que explode
e o que permanece

 

 ***

2026-04-13 - Viver entre o que explode e o que permanece 
nn(in)metamorphosis


06/04/2026

Depois de nós

Imagem gerada por IA


Fomos construídos
com tempo
e pelo tempo
 
como paredes lentas
erguidas em silêncio
 
Vê-me
A mim
pelos teus olhos
como quem reaprende
o contorno de uma casa
que já habitou
 
e procura-me
se eu falhar no presente
no cerne da tua memória
onde ainda respiro
sem que o saibas
 
porque há coisas
que o tempo não leva
 
e nomes
que ficam
mesmo depois de nós

 

***

2026-04-05 – Depois de nós 
nn(in)metamorphosis


03/04/2026

No subsolo da palavra

 



Arde em silêncio, oculto e persistente
como brasa que a noite não consome

nasce do que não se diz
do que pesa mais do que o próprio som

 É chama contida na raiz da voz
eco profundo de um sentir antigo
que sobe lento, quase secreto
até tocar a superfície do dizer

e quando enfim se revela
não vem como luz, mas como rasto
um sopro quente que fere e apaga
deixando apenas cinza e memória

 Talvez seja dor ou desejo
ou o nome esquecido de algo perdido

mas arde, arde sempre
no subsolo de cada palavra

 

***

2026-04-03 – No subsolo da palavra
nn(in)metamorphosis 



02/04/2026

Que o céu me ofereça a madrugada




Na quietude de um instante
há um eco silencioso
onde o pensamento faz casa
e a presença se demora

onde as sombras tocam a pele
e a palavra está ausente
como se tudo se guardasse
num suspiro sem som

O ar hesita entre luz e sombra
a penumbra toca a alma
e sem medo
deixo-me ser

Que o céu me ofereça a madrugada
a certeza de um novo dia
e a inquietude de existir


***
2026-04-02 - Que o céu me ofereça a madrugada
nn(in)metamorphosis 


27/03/2026

Apagão






Se dos versos apagar o verbo amar
e palavras como amor, saudade, instante
restam apenas sílabas nuas, despidas de chama
ecos de um dizer que já não se garante
 
Se rasurar o calor das palavras antigas
fica no papel apenas um sopro distante
como se a língua esquecesse o fogo
e falasse apenas por ser constante
 
A escrita é agora um apagão
um quarto fechado, sem luz nem levante
onde as frases tateiam o vazio
e o silêncio impera dominante
 
Resta além do frio de existir na treva
um fio de voz suspenso, hesitante
um corpo de tinta sem pulso nem febre
um gesto de escrever já sem destino

  

***

 2026-03-27 – Apagão
nn(in)metamorphosis

 


25/03/2026

Viver o Amor, Sonhar a Vida

 


Se não nos permitirmos sonhar
como se vive o amor?

 

Se calhar aos bocadinhos
sem jeito e sem saber
com medo de dar demais
ou de ficar a perder
 

Amar não tem grande ciência
é sentir sem explicar
é rir sem ter razão
e às vezes até chorar
 

Sem sonho, fica mais frio
mais quieto, mais sozinho
como quem anda na vida
mas nunca sai do caminho
 

Por isso, sonhar é preciso
mesmo quando custa ver
porque só sonha quem ousa
verdadeiramente amar e viver

 

***

2026-03-25 - Viver o Amor, Sonhar a Vida
nn(in)metamorphosis 


23/03/2026

Um espaço sem nome

 



Busca origem, mesmo tendo um lugar onde voltar
uma casa que a acolhe, mas não lhe dá
um nome para o vazio que não sabe de onde vem

Guarda descanso nos gestos pequenos
no silêncio entre duas palavras
como se ali houvesse algo que lhe escapa

Procura sentido sem saber o que procura
como quem caminha por dentro de si
à espera que alguma coisa responda

E no meio de tudo isto, fica
nem perdida, nem encontrada
a tentar escutar o que em si ainda não tem voz

A aprender a ser, onde está

 

***

2026-03-23 – Um espaço sem nome 
nn(in)metamorphosis


20/03/2026

Apenas Somos

 

Já paraste para analisar
a improbabilidade
da nossa existência?

Somos pó que aprendeu a olhar o céu
silêncio que se fez palavra
um breve clarão entre dois infinitos
a que chamamos vida

E, no ntanto, aqui estamos
a tropeçar em dias comuns
a esquecer o milagre discreto
de cada batida do coração

Há universos no gesto simples
de tocar, rir, sentir saudade
Há uma eternidade escondida
no agora que quase deixamos passar

Talvez existir seja isto
um espanto que se repete
um improvável que floresce
mesmo quando não reparamos

E ainda assim
contra todas as probabilidades
somos

 

***

2026-03-20 – Apenas Somos
nn(in)metamorphosis 


19/03/2026

Entre o sono das palavras e a voz do silêncio

 

As palavras deitam-se no fundo da noite
encostam-se ao cansaço das bocas fechadas
e respiram devagar como quem esquece o mundo

Ficam quietas nos cantos da memória
embrulhadas em sonhos por dizer
à espera de um amanhecer que as acorde

No meio desse sono
cresce um silêncio vivo
um silêncio que se estende como luz sem forma

Fala sem voz
toca sem mãos
insiste sem pressa

Diz o que nunca coube nas sílabas
o que fugiu entre dentes e medos
o que só o sentir consegue guardar

porque há coisas que não querem som
e há verdades que só sabem existir assim
entre o descanso das palavras
e o murmúrio infinito dos silêncios

 

***

2026-03-19 - entre o sono das palavras e a voz do silêncio 
nn(in)metamoephosis



06/10/2025

Amor é... mas não é




ele diz que a ama
ela acredita
por um instante

o amor sente-se
sim
mas sentir não chega
não basta para durar

o amor é o que se faz
quando o dia pesa
quando o corpo cansa
e ainda assim
há cuidado

é ela preparar o café
não por hábito
mas porque hoje
ele precisa

é ele pôr a mesa
porque hoje
é ela
que chega mais tarde

o amor é escolha
repetida
no silêncio
e no gesto

amor é prática
amor é cuidado
amor é insistir em ficar

amor é…
mas não é

o que se sente

o que se sente precisa
do que se faz


*** 

2025-10-06 .- Amor é... mas não é
nn-metamorphosis