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17/01/2010

Evasão



E enquanto o leve vento passa
a evasão acontece
 
Na ausência de pensamento
torna-se etérea
e, por escassos segundos
deixa de ser matéria
 
para fazer parte do universo
em pleno silêncio


***
2010-01-17 - Evasão
nn(in)metamorphosis


11/01/2010

Na corda bamba


Na corda bamba da vida mais um ano passou como nuvem que se esfuma. É o inicio de outro que se constrói sobre sonhos e promessas. Neste palco onde nos articulamos, desfilamos sentimentos, repetimos gestos, trocamos frases, vimos rostos e... o que fica? Quem fica?...


Quem ficou, mesmo não estando presente, caminha a meu lado... será um sorriso, uma palavra, um gesto, será para sempre em mim a memória do que foi!
Aos que passaram, aos que ficaram, obrigado por serem como são.
Alguem que ficou diz:
Como é triste quando só se permanece memória!...
Onde a afeição que resiste, borboleta?!...
Tu voas... eu choro.
A esse alguém eu respondo:
No coração, mas só fica quem quer ficar
Muitas pessoas passam, apenas passam... mas nem por isso deixou de ter importância a sua passagem, as suas palavras, gestos e atitudes, de algum modo elas terão contribuído para o meu crescimento.
Deixo livres, todos os que gosto e amo
se se vão, voltam ou ficam, talvez seja porque eu tenha merecido.
Eu voo, eu sorrio, mesmo que por vezes chorando
O Criador saberá o que faz
eu apenas agradeço, por cada dia vivido
por cada luta vencida
e até por cada vez que sou vencida, se com isso cresço.


***
2010-01-11 - Na corda bamba
nn(in)metamorphosis


10/01/2010

A vida por nós pintada...



Mais um ano que termina e outro que começa.
Passei a noite em claro, em mais uma das minhas conversas comigo mesma. Daquelas em que não há mentiras nem ilusões.
 
Fui pensando no ano que passou e em como o pintei.
 
Não sou pintora, mas todos acabamos por ser. Pintamos a vida todos os dias. Eu, apesar de tudo, continuo a pintá-la com tons de rosa… mesmo que a vida me tenha tornado mais pragmática do que gostaria de admitir.
 
Pintei o que sou e o que sinto: castelos, afetos, momentos de ternura, paixão, sonhos, música ao fundo, lareiras, vinho, palavras.
 
Pintei também o que ainda há em mim de romântico — essa parte que vive por trás do pragmatismo que a vida me ensinou.
 
Deixei a minha tela ao tempo.
 
E veio a chuva.
 
Mudou as cores. O rosa ficou menos rosa.
Levou um pouco da leveza que gosto de sentir, mas que nem sempre consigo manter.
 
Depois veio a razão.
 
Entrou com segurança, como sempre entra, e pegou no pincel. Tentou organizar tudo. Mas as cores não obedeciam. Não havia harmonia.
 
Tirei-lhe o pincel das mãos por um momento e deixei entrar outra coisa: sensibilidade, emoção, o que ainda resta de sonho.
 
E as coisas começaram a fazer mais sentido.
 
A razão e a emoção acabaram por aprender a coexistir.
 
Hoje vejo isso como uma parceria.
Não é perfeito. Não é simples. Mas é o que é.
 
Não se perde nem se ganha. Aprende-se.
 
A viver com emoção sem perder o chão.
 
Venha o 2010.
 
Tenho o cavalete junto à janela.
As cores estão comigo.
 
Estou pronta.



***
2010-01-10 - A vida por nós pintada
nn-(in)-metamorphosis