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02/09/2026

As ruas depois de nós


 

Quando a cidade se esvazia
fica mais humana
 
As ruas deixam de correr
os carros calam-se
e há uma janela acesa
a dizer que alguém ficou
 
É então que reparo
no silêncio das casas
na luz cansada dos prédios
num gato que atravessa a rua
como se a noite fosse sua
 
Sem a pressa de todos
também eu abrando
 
E descubro que a cidade
não é feita só de gente
mas dos pequenos sinais
de quem passou por aqui
 
uma porta entreaberta
um banco molhad,
uma flor esquecida
num parapeito
 
Quando a cidade se esvazia
fico mais perto de mim
 
E talvez seja isso
que o silêncio me ensina
 
que, quando tudo se cala
há sempre qualquer coisa
dentro de nós
a pedir para ser ouvida

 

***

2026-09-02 – As ruas depois de nós
nn(in)metamorphosis 


01/09/2026

Setembro vem devagar





Setembro vem devagar
 
ainda há calor nas pedras
e as tardes demoram-se um pouco
antes de perderem a luz
 
Nas árvores, as folhas vão perdendo o verde
 
as uvas esperam o fim do sol
as maçãs ganham peso
e a luz fica mais baixa sobre os muros
 
Há, em Setembro, qualquer coisa
que amadurece sem fazer ruído
 
Talvez seja por isso
que gosto do mês de Setembro
 
Foi neste mês que cheguei ao mundo
quando o verão começava a afastar-se
e o ano, sem pressa, mudava de cor
 
Desde então, cada Setembro me encontra
um pouco diferente
 
E eu deixo-os chegar, devagar
 
como quem sabe que há coisas
que só o tempo
sabe tornar doces
  

***

2026-09-01 – Setembro vem devagar
nn(in)metamoephosis