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28/07/2012

Diz-me



(adaptação minha a um poema do OC (Blogger já falecido) Do poema dele todas as perguntas
Apenas adaptei as respostas.
 

 Diz-me…

 Tens tu
abraços que morreram em ti mesmo?
Muitos — mas também muitos que nasceram de mim.
 
Beijos mordidos na própria boca?
Também — mas quantos partilhados com outra boca.
 
Desejos aprisionados na fantasia?
Tantos! Quase tantos como os satisfeitos.
 
Lágrimas que nasceram de risos?
Sim — tal como risos que nasceram de lágrimas.
 
Olhares que morreram antes de chegar?
Claro — e olhares que nasceram antes de o serem.
 
Palavras que não chegaram a ser?
Milhares — confundem-se com as que aconteceram.
 
Ternuras que se afogaram em si mesmas?
Várias — mas voltam.
 
Vontades que ficaram suspensas no ar?
Umas ficam, outras acontecem.
 
Não…
não é complicado…
basta viver.
 
A vida confronta-nos, muitas vezes, com a necessidade de mudança. Muitas vezes está nas nossas mãos escolher a metamorfose que se segue...


 ***
2012-07-28 – Diz-me – Desafios
nn(in)metamorphosis


05/07/2012

O Ciclo do Sentir


Há momentos em que tudo desaba. As convicções que nos ergueram um dia perdem o brilho, esmorecem sem razão que as sustente. Viver nunca foi fácil.

Mas pouco importa. A dor também expande a alma, torna-a mais cheia de mundo. O sentido das coisas nasce sempre dentro de nós, entre o que vivemos e o que nos atravessa, e há instantes raros em que tudo parece alinhar-se, como se pudéssemos tocar a lua entre nenúfares de silêncio.

São esses momentos que quebram o ciclo da dor e inauguram outro movimento. Devolvem-nos a esperança, não como permanência, mas como passagem. O acreditar em nós e nos outros. A ilusão necessária de que somos, ainda, donos do nosso destino.

Depois, o ciclo recomeça. Tudo volta a cair. Sempre volta. E nesse cair repetido, renascemos, não do nada, mas do que já fomos, mais atentos à fragilidade e à força que nos habita.

Por isso, mesmo no auge do sentir, não devemos esquecer a sua natureza cíclica. Nem perder de vista o sorriso que já nos salvou, nem a paz que um dia foi casa.

A magia nunca morre. Apenas se recolhe, discreta, no movimento do ciclo.

E se deixares de ser o meu amor, ou eu o teu, não é grave.

Grave seria não haver amor algum.


***
2012-07-05 - O Ciclo do Sentir 
nn(in)metamorphosis