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31/08/2026

Deixo que a vida conte

 
Não conto os dias da minha vida
não porque não queira vivê-los
mas porque não quero gastá-los
a medir o tempo que me resta
 
Deixo que a vida os conte por mim
eu faço a minha parte
escolho, erro, começo de novo
vou onde ainda não fui
 
Há dias que me levam muito
outros que me dão mais do que esperava
 
Não preciso de saber quantos são
preciso de saber que os vivi
 
O tempo que faça as suas contas
eu tenho outras coisas para fazer
 
estar aqui
ir em frente
e não deixar a vida passar por mim

  

***

2026-08-31 – Deixo que a vida conte
nn(in)metamoephosis 


28/08/2026

Pai

A distância que a vida nos impôs nunca foi maior do que o lugar que ocupas no meu coração. Estás sempre na minha lembrança.
 
Se ontem a tua voz era abraço e o teu sorriso, asas, pai. Hoje, és saudade no coração e luz no caminho.

 

Feliz aniversário, Pai.


 ***

2026-08-28 – Pai 
nn(in)metamorphosis


26/08/2026

Olhar e Ver

 



Olhar é rápido
Ver demora mais
 
Olhar é só passar os olhos
Ver é parar um pouco
 
Olhar é notar
Ver é sentir
 
Olhar é estar perto
Ver é descobrir
 
Às vezes olhamos
e nada vemos
Mas quando paramos
vemos o que perdemos
 
Porque ver é mais fundo
é dar tempo ao coração
É olhar devagar
e prestar atenção
  

***

2026-08-26 – Olhar e Ver
nn(in)metamoephosis 


24/08/2026

Antes de sermos

 


Talvez sonhar seja a primeira forma de existir
antes do nome
antes da palavra
antes de sabermos quem somos
 
Talvez sejamos feitos de sonhos
pequenos começos
coisas que ainda não têm forma
mas já vivem dentro de nós
 
Sonhar é abrir uma janela
para um lugar que não vemos
é dar espaço ao impossível
e acreditar que pode nascer
 
Talvez a vida comece assim
num pensamento simples
num desejo sem voz
num sonho que insiste em ficar
 
E quando abrimos os olhos
talvez o mundo esteja à espera
daquilo que ainda não somos
mas podemos vir a ser

 

 ***

2026-08-24 – Antes de sermos
nn(in)metamorphosis 


21/08/2026

Maré por dentro

 



A minha vontade
é enroscar todo o meu corpo
como uma concha
 
dessas que tu encostas ao ouvido
e sentes o barulho do mar
 
Queria caber dentro de mim
ficar quieta
dobrada sobre o meu próprio silêncio
 
a ouvir as ondas
que ainda vivem cá dentro
 
Talvez assim
o mundo ficasse longe
e eu pudesse, por um instante
 
ser só mar
sem pressa
sem nome
 
sem nada para explicar

  

***

nn-metamorphosis
2026-08-21 – Maré por dentro

19/08/2026

Onde o silêncio te encontra

 
Tocas sem tocar
tocas sem melodia
 
Se soubesses a música que toca
enquanto sonho com o teu toque
 
Há qualquer coisa em ti
que ficou na pele após a partida
 
Um silêncio que diz tanto
mesmo quando já nada dizes
 
E eu fico aqui
 
a ouvir aquilo que não se ouve
a sentir aquilo que não acontece
 
Como se a tua presença
ainda estivesse junto de mim
a ensinar-me o caminho de volta
 
No meio deste silêncio
o meu pensamento encontra-te
 
Sem te chamar
sem te procurar
 
Apenas porque és tu
 
E porque há toques
que não precisam de mãos
 
Há músicas
que não precisam de voz
 
E há lugares
que nunca deixam de ser casa
 
Há sonhos
que parecem reais
 
Quando sonho com o teu toque
África

 
***
nn(in)metamorphosis
2026~08-19 - Onde o silêncio te encontra - Mulembas





17/08/2026

Casa Nua




Há quem seja casa nua
sem portas para esconder
sem paredes para fingir
sendo aquilo que é
 
mesmo quando não diz nada
 
Há em cada pessoa dias leves
e outros mais difíceis
há risos que se mostram
e tristezas que se guardam
 
não porque exista vergonha delas
mas porque nem sempre se sabe como as dizer
 
Há quem seja casa nua
com janelas abertas
para tudo o que sente
 
mesmo para aquilo que dói
 
Há uma tristeza em cada pessoa
que às vezes fica em silêncio
senta-se num canto
e espera que o sorriso volte
 
Não é preciso fugir dela
nem a esconder de nós
é possível aprender a viver com ela
a deixá-la existir
 
sem deixar que seja tudo o que somos
 
Porque também somos
os nossos sonhos
os nossos risos
os nossos dias bons
as pessoas que amamos
 
e tudo aquilo que ainda queremos viver
 
Somos casa nua
com tudo à vista
sem medo de ser frágeis
sem vergonha de sentir
 
E mesmo nos dias em que a casa fica quieta
 
continuamos aqui
a cuidar de nós
a abrir as janelas
e a deixar entrar a luz
 porque nem todos os dias precisam de ser luminosos
para continuarmos a habitar-nos

 

***

2026-08-17 – Casa nua
nn(in)metamorphosis 



 

13/08/2026

Fica

 


Ontem fui ver o mar
de Peniche à Consolação
em todo o lado
a mesma calma
 
nem parecia mar
parecia uma enorme lagoa
perdida entre o céu e a terra
 
olhei e fiquei
sem saber bem porquê
a ver a água tão quieta
como se o tempo também estivesse
 
ontem o mar não tinha força
não tinha ondas para correr
tinha apenas aquela paz
que nos faz parar e ver
 
e eu vi o mar
em vários pontos
sempre o mesmo
sempre diferente
 
calmo como um sonho
largo como o dia
e tão perto de mim
que parecia companhia
 
como sempre, falou comigo
mas ontem, apenas disse
 
Fica
 
e eu fiquei… um pouquinho

 

***

2026-08-13 – Fica 
nn(in)metamorphosis 


10/08/2026

O nome do vento




Se os meus pés andarem
que encontrem sempre quem me faz bem
 
Se a brisa tocar o meu rosto
que me devolva o fôlego e a vontade de seguir
 
Que eu nunca me habitue
áquilo que me acalma sem pedir nada
 
Que o vento leve o peso
e traga de volta a leveza dos dias
 
Que o coração saiba reconhecer
o abraço que chega sem fazer barulho
 
E que o nome do vento
seja sempre
 
Esperança
Caminho
E paz

 

 ***

2026-08-07 – O nome do vento
nn(in)metamorphosis 

 

06/08/2026

(Re)construindo no escuro



 

A vida é uma promessa
que a força e a vontade cumprem
não como quem espera
mas como quem constrói
 
Há caminhos sem mapa
há dias sem horizonte
e ainda assim algo avança
firme, sem se deter
 
Não é na ausência de quedas
que a promessa se sustenta
mas na coragem serena
de se erguer outra vez
 
Força é raiz escondida
vontade é rio constante
e juntas abrem passagem
onde tudo era distante
 
Há um fogo discreto
que não pede claridade
apenas segue aceso
com firmeza e verdade
 
E assim, passo a passo
sem pressa, sem alarde
a vida cumpre em nós
o que em silêncio
a força e a vontade
construiu

 

***

2026-08-06 –(Re)construção no escuro - Fragmentos
nn(in)metamorphosis



03/08/2026

Duas vozes




Porque há golpes da vida que não te matam, mas mudam-te a voz.
 
Ficam como um eco preso na garganta, um peso leve e constante que ensina o silêncio a falar.
 
Há dias que partem a voz em duas, uma que o mundo escuta, outra que se esconde por dentro a aprender a existir de novo.
 
Não é a dor que grita mais alto
é o que sobra depois dela.
Um timbre diferente
um cuidado estranho no dizer
 
e então fala-se mais baixo
não por medo
mas porque cada palavra
já conhece o seu próprio peso.


 
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2026-08-03 – Duas vozes 
nn(in)metamorphosis


02/08/2026

O que a boca cala

 



Antes da boca encontrar coragem
o silêncio faz morada no peito
 
E guarda palavras como quem guarda chuva
à espera de um céu mais leve
 
Mas o espírito não esquece
e leva ao corpo o peso do que ficou por dizer
 
Faz nascer um aperto na garganta
um cansaço sem nome
uma dor que ninguém vê
 
O corpo fala baixinho
quando a voz se perde
 
Cada gesto, cada lágrima
cada suspiro escondido
conta a história que a boca calou
 
Por isso, fala quando puderes
nem sempre para os outros
 
Às vezes basta dizer a ti mesmo
o que o coração pede há tanto tempo
 
Porque o silêncio também tem voz
e o corpo conhece todas as palavras
que a boca deixou por dizer

 
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2026-07-31 – O que a boca cala
nn(in)metamorphosis