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18/11/2009

Sou incapaz de sentir com letra MINÚSCULA



A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos: olhares, vivências, recordações, saudade.
 
Momentos que registo em papelinhos escritos e aos quais, a cada dia que passa, dou mais valor.
 
Para os guardar, tenho duas caixas: uma grande e, por vezes, curta, a que chamo “memória”, e outra, mais pequena mas não menos importante, a que chamo “coração”.
 
Na maior, eu guardo as decepções, as quedas que fui dando pela vida fora, os olhares e as palavras vãs… sui generis esta caixa: por mais maus momentos que lá guarde, nunca os encontro todos quando seria preciso. Tem compartimentos vários e diversos modos de arquivo. Há papelinhos quase imperceptíveis, outros onde palavras e até frases inteiras estão apagadas, levadas pelo tempo, a que vou chamar “esquecimento”…

 Mas, 
porque se desvanecem?

Mesmo sendo maus, e talvez por o serem, esses momentos deviam manter-se vivos e legíveis, para nos deixar em alerta. Mas não, uma e outra vez, o “esquecimento” permite que venha mais um desses momentos que ninguém pede, deixando no início muita amargura, muita revolta, e, ao fim de algum tempo, uma melancolia, ou mesmo uma aceitação apaziguada que, quando lembrada, faz reviver o momento, faz cair uma lágrima.

Outros papelinhos ficam, com escrita indelével, e perduram no meu coração, fazendo de mim o que sou…
E juntos, fazem o que eu chamo de momentos de felicidade, porque felicidade, em si e num todo, não acredito que haja.
 
Olhares, palavras, vivências, recordações e saudade.
 Guardo-os na pequena caixa, que abro, olho, mexo e remexo sempre que preciso encontrar o meu sorriso, para continuar o meu caminho, a minha vida…

Tenho-a neste momento aberta
qual escancarada janela
Preciso levantar-me, erguer a cabeça e andar
Preciso do meu sorriso, nela encontrar


***
 2009-11-18- Sou incapaz de sentir com letra MINÚSCULA
nn(in)metamorphosis

17/11/2009

A Fatiota Amarela de Sol




Tenho andado um bocadinho tristonha, apática, quase letárgica… fico assim sempre que a vida me maltrata. Vida? Não!... Não é a vida, são mesmo as pessoas… mas nada de preocupante, é temporário. Tem sido sempre assim e desta vez não será diferente. Eu volto a levantar-me.

 Para conseguirmos ser timoneiros das nossas próprias vidas, é necessário ir fazendo pequenas paragens para arrumarmos a embarcação. Primeiro, desfazermo-nos do que nos é nefasto. Depois… do que não nos faz falta nem contribui para que a viagem seja agradável. Arrumar no lugar certo o que, mesmo não sendo preciso a toda a hora, sabemos estar lá, e é de importância vital sabermos isso. E por fim, dar lugar de destaque ao que nos é absolutamente imprescindível para continuarmos a ser viajantes neste barquinho que somos cada um de nós, neste mar imenso que são as relações humanas no seu todo.

 Está a chegar o momento, já o sinto, de olhar uma última vez para os acontecimentos e, agora consciente após a paulada, escrevê-los num papel e colocá-los na caixa grande.

 O resto?... o resto o tempo fará...

 Tempo… o tempo tem culpa de muita coisa, e aqui também é culpado. Está cinzento… e acinzenta-me. Preciso de algum tempinho para ir buscar a fatiota amarela de sol e com ela vestir o espírito. Assim que a encontre, encontrarei também vontade e força, agora que levantada estou, para erguer a cabeça e seguir mar adentro nesta minha viagem.


 ***
2009-11-17 - A Fatiota Amarela de Sol 
nn(in)metamorphosis




01/11/2009

Ironia...



Ironia

 

é sermos ausência
na nossa própria presença

 

é ouvirem-nos
mas não nos escutarem

 

é olharem-nos
mas não nos verem

 

é crescer a raiva
num ser em agonia

 

no mundo do parecer
é urgente
ter atitude

 

mais do que prosa,
mais do que poesia

 



***
2009-11-01-  Ironia
nn(in)metamorphosis