OUTRAS PUPAS

Outras pupas

29/10/2012

Cantigas ao desafio XX




Mosaicos de luz e sombra

Perdi-me em mais um adeus
Não acenei com a mão
Despedi-me com o olhar
Não o queria exposto
Apenas intimo
Não o queria visível
Tão só sentido
Fiquei-me em mais um adeus
Deixei-me estar
Mesmo depois da esquina dobrada
Mesmo após a hora passada
Deixei-me ficar
Acenando com os olhos
Fitando o até sempre
Sabendo que sempre pode demorar
Até lhe dizer bem-vinda
Com um novo olhar

             2012.10.29 vc
(cópia integral e autorizada)

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Negar-se a dizer adeus
É força inútil, fingida
D’uma alma incontida
Fraqueza gritada aos céus
Por temor da solidão
Cobardia de querer
Acentua o seu viver
Ausentando-se á razão
Chega por fim o momento
Em amargo discernimento
O retirar da ilusão
Desatino em desalinho
Grita bem alto ao destino
Não!
Não quero dizer adeus

         2012.10.29 
nn(in)metamorphosis


26/10/2012

Cantigas so desafio XIX




Tu-Parte IV


Tens o aroma do Jasmim
Quando pingando sais do banho
E te enxugo a pele macia
Tens um cheiro selvagem
Sempre que, despenteada,
Me atacas e dominas
Com um brilho nos olhos
Que transcende o desejo
Tens um cheiro quente de madeira exótica
Quando na cama te enrolas em mim
Suavemente respirando sobre as minhas costas
Afagando-me o peito
Tudo em ti é sensual
Tudo em ti me prende
Assim me tolhes os sentidos 

Assim me fazes refém de ti 

         24-10-2012 (vc)
(Cópia integral e autorizada) 

***

E ficas
Mãos, dedos e boca
Tateando ao de leve
O mapa que é a minha pele
E são
Gestos, olhares, palavras
Sussurradas, misturadas
Entre odores de carne e calor
E perdes-te
Na maré imensa,
Que se adensa
Tsunâmi em mim
E encontras-te
Na lava que escorre
da topografia gravada a fogo
Que é o teu corpo

         2012.10.24
nn(in)metamorphosis


24/10/2012

Cantigas ao desafio XVIII



Princípio da Loucura ou o efeito colateral da febre

Por vezes respiro um mar chão
Doutras, negras tempestades
De calmas e fúrias me mantenho
Sem sossego progrido
Ah, o cheiro do risco
A tontura da queda eminente
A náusea de fazer bem o que é errado
Entre o clamor e a desgraça
Entre a glória e o esquecimento
Escolho desgraçadamente o esquecimento
E que minha alma mendigue
Por becos imundos
De pensamentos perdidos

                  23.10.2012 ( vc)
(Cópia integral e devidamente autorizada)

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Desassossegado o desassossego
De uma alma desassossegada

Com a insatisfação a roer
O querer… o que não a quer
E o que a quer… não querer
Sente-se a alma perdida,
Vagabunda de pensamentos
Actos, omissões, excrementos
De nauseabunda vida
Vive entre o não e o sim
Vive num limbo de extremos
Entre prazeres, riscos e medos
Alma que vive num nim

E nim assim.. encontre sossego

       2012.10.24
nn(in)metanorphosis


18/10/2012

Cantigas ao desafio XVII

Corvo
 

Sou das sombras e da luz
De todo o bem e do mal
Do que iniciou o final
Do que diz morrer na cruz
Do perdão, dos pregões
Dos que tentam os sermões
Sou-lhes surdo, estou além
Tudo o que sinto é desdém
De quem me tentou seduzir
Sem jamais o conseguir
Do que faço, do que digo
Do que oiço ao ouvido
Da fúria que me move
Do desprezo que me comove
Assim me visto como sou
Assim me fico, não me dou
E da metade do todo
Sou o excesso, sou o corvo

                     15.10.2012 vc
(Cópia integral e devidamente autorizada)

******

No seu leito já deitada
Colcha de noite sem cor
Lençóis do dia bordado
De momentos sem fulgor

E num preciso momento
De rompante levantou
Sozinha não dormiria
Ali mesmo se jurou

Tapou-se de negra capa
Desdenhou sermões pregões
De capuz velou o rosto
E também as intenções

Devagar e levemente
Aquela porta empurrou
E entre a sombra e a luz
Se fez presente, assomou

Quem era ele sabia
E mesmo assim perguntou
A resposta chegou doce
De quem ao peito o criou

Sim… a morte sou!

         2012.10.17 
nn(in)metamorphosis


15/10/2012

Silêncio





De tão calada até parecerá, que não sinto nada, que não penso nada. Grande o engano. Apenas não encontro palavras à medida do que trago cá dentro. Só o silêncio. Brados e murmúrios são agora inaudíveis. Soam em tempestuoso alvoroço. Intensos, densos… Mas só por dentro.

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       2012.09.15
nn(in)metamorphosis