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27/06/2010

Este vazio



Sinto a lágrima a cair.

Tenho uma angústia no peito e uma tristeza no corpo.

Já nem sei há quanto tempo isto está aqui. Nem sei o que é. Só sei que não passa. Às vezes parece que vai embora, mas volta sempre mais forte.

 Não queria sentir isto.

 Guardo isto para mim. Não conto a ninguém. Nem a mim mesma. E mesmo que contasse, acho que não mudava nada.

 De há algum tempo para cá, há dias em que preferia não acordar.

 Não é que a vida seja só má. Mas há um vazio dentro de mim que não sei explicar. E não sei como preencher.

 Não sei quando começou. Um dia estava bem. Depois comecei a sentir falta de coisas que nem sei dizer o que são.

 Os meus sonhos, os meus planos… parecem ter desaparecido.

 Ficou um vazio.

 Amo o que tenho. Consigo continuar os dias. Mas sinto que eu própria me perdi algures.

 Só queria paz.

 A minha vida foi vivida em função de uma luta longa. Dei-lhe tudo. Agora essa fase terminou e fiquei sem direção.

 E continuo assim.

 Um dia talvez conte isto. Talvez não.

 

***

2010-06-10 - Este vazio 
nn-(in)-metamorphosis



Tu no virtual



Tu!
Chegas-me de mansinho na conversa
Num momento de alegria ou de tristeza
E envolves-me na tua presença
Feita de palavras
 
E em ti encontro
O carinho
do amigo ou da amiga
Que nunca vi nem encontrei...
 
Tu!
Chegas tão mais presente
No sorriso do momento
 
Em palavras, conversas, gestos escritos
De dois seres que se unem distantes
Na eterna e sincera amizade
Do virtual, perdido no espaço...
 
Tu!
Talvez ainda mais real
Que tantos outros encontros
 
Acompanhas-me
Em noites de escrita e leitura
No silêncio de tantas horas
E cada um é um de nós...
Eu, tu e o virtual

 Abraço-te


***
2010-06-27  Tu no virtual  
nn(in)metamorphosis


21/06/2010

Retrato ardente



Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.

No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.

Eugênio de Andrade 

 
Enviada por:  Blog - Sem Ti


16/06/2010

Amanhã é outro dia

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Não te ausentes
Não te defendas
Não te feches
Não te recuses a viver
(mesmo a viver devagar)
 
Fala comigo!!!
Numa conversa sem razão
Vamos só falar à toa
Do tempo, da vida
De quem já partiu
 
Vem!!!
Conta-me uma anedota
Joguemos um jogo, faz batota
Faz-me rir e ri comigo
 
Amanhã é outro dia, amigo


***
2010-06-16 - Amanhã é outro dia
nn(in)metamorphosis


06/06/2010

Hoje estou triste


Hoje estou particularmente triste.

Não que tenha mais razões do que ontem, mas porque, às vezes, basta um pequeno nada para transformar um dia de sol num dia de nuvens negras. Então, a tristeza invade e toma conta do tempo.

 Nesses momentos, as palavras tornam-se mais melancólicas, longe da alegria que normalmente me acompanha.

 Mas hoje… hoje sinto-me triste, desmotivada, desapontada... enfim... sinto um misto de sensações que me tira a vontade de fazer, de desejar, de ambicionar algo... simplesmente não tenho vontade de NADA.

 Sinto-me cansada: de rir quando a vontade é chorar, de parecer forte quando necessito de colo, de baixar a cabeça engolindo a raiva perante o infortúnio, de me agarrar a uma fé sem nome e, ainda assim, sentir-me desamparada.

 Mas tudo é efémero… até mesmo esta tristeza.

Porque a vida não quer saber se aguentas ou não, apenas segue o seu curso. E ou aprendemos a acompanhá-la, ou ela acaba por nos arrastar.



***
2010-06-06 - Hoje estou triste
nn(in)metamorphosis