Andei à procura de uma justificação, e depois de ler uns quantos artigos
cheguei à conclusão que não é defeito, é feitio.
O efeito"Porta
Aberta"
ou a arte de entrar
numa divisão e esquecer o porquê
Entramos na cozinha com uma missão.
“Vou buscar o carregador.”
Chegamos lá.
Ficamos parados.
Olhamos para o frigorífico como se ele soubesse.
“O que é que eu vinha aqui fazer?”
Não é necessariamente falta de memória. É o cérebro a fazer
aquilo que sabe fazer melhor: complicar uma coisa simples.
Quando mudamos de divisão, mudamos de contexto. O cérebro
actualiza aquilo a que está atento e a intenção que trazíamos connosco pode
ficar, por momentos, perdida no meio da papelada mental.
E nem precisa de haver uma porta. Basta mudar de tarefa,
alguém interromper-nos ou pegarmos no telemóvel “só um bocadinho”.
A solução é pouco elegante, mas eficaz: repetir mentalmente
aquilo que vamos fazer.
“Vou buscar o carregador. Vou buscar o carregador. Vou
buscar o carregador.”
Parece que estamos a preparar-nos para uma audição de
papagaio, mas ajuda.
E, se chegarmos à cozinha e o cérebro tiver apagado tudo, há
outro truque: voltar para trás. Regressar ao contexto anterior pode fazer a
memória reaparecer.
No fundo, não somos nós que nos esquecemos.
É o cérebro que, perante uma simples mudança de divisão,
decide:
“Novo cenário. Novas regras. Boa sorte.”
***
2026-10-05 - O efeito "Porta Aberta"
noname-metamorphosis
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