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11/01/2010

Na corda bamba



Na corda bamba da vida, mais um ano se desfez como uma nuvem levada pelo vento. Outro começa agora, erguendo-se sobre sonhos, promessas e silenciosas esperanças.
 
Num palco onde nos cruzamos e representamos tantos papéis, desfilamos sentimentos, repetimos gestos, trocamos palavras, contemplamos rostos... Mas, no fim, o que verdadeiramente permanece? Quem ficou? Quem partiu?
 
Quem ficou, mesmo na ausência, continua a caminhar ao meu lado. Talvez num sorriso guardado, numa palavra que ecoa, num gesto que o tempo não conseguiu apagar. Permanecerá para sempre em mim a memória viva do que foi.
 
Aos que passaram pela minha vida e aos que nela permaneceram, o meu sincero agradecimento por serem como são.
 
Alguém que ficou diz:
 
“Como é triste tornar-se apenas memória...
Onde repousa a afeição que resiste, borboleta?
Tu voas... e eu choro.”
 
E eu respondo:
 
Muitas pessoas passam pela nossa vida apenas de passagem. Ainda assim, nenhuma passagem é inútil. Cada palavra, cada gesto, cada silêncio e até cada ausência deixam marcas invisíveis que, de alguma forma, contribuem para aquilo que nos tornamos.
 
Eu voo
Eu sorrio
Mesmo quando o sorriso nasce entre lágrimas
 
Deixo livres todos aqueles que amo e estimo
 
Se partem, regressam ou ficam, talvez seja apenas porque assim teve de ser... Talvez porque eu tenha merecido cada encontro e cada despedida.

 

***
2010-01-11 - Na corda bamba
nn(in)metamorphosis


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