Na corda bamba da vida, mais um ano se desfez como uma
nuvem levada pelo vento. Outro começa agora, erguendo-se sobre sonhos,
promessas e silenciosas esperanças.
Num palco onde nos cruzamos e representamos tantos
papéis, desfilamos sentimentos, repetimos gestos, trocamos palavras,
contemplamos rostos... Mas, no fim, o que verdadeiramente permanece? Quem
ficou? Quem partiu?
Quem ficou, mesmo na ausência, continua a caminhar ao
meu lado. Talvez num sorriso guardado, numa palavra que ecoa, num gesto que o
tempo não conseguiu apagar. Permanecerá para sempre em mim a memória viva do
que foi.
Aos que passaram pela minha vida e aos que nela
permaneceram, o meu sincero agradecimento por serem como são.
Alguém que ficou diz:
“Como é triste tornar-se apenas memória...
Onde repousa a afeição que resiste, borboleta?
Tu voas... e eu choro.”
E eu respondo:
Muitas pessoas passam pela nossa vida apenas de
passagem. Ainda assim, nenhuma passagem é inútil. Cada palavra, cada gesto,
cada silêncio e até cada ausência deixam marcas invisíveis que, de alguma
forma, contribuem para aquilo que nos tornamos.
Eu voo
Eu sorrio
Mesmo quando o sorriso nasce entre lágrimas
Deixo livres todos aqueles que amo e estimo
Se partem, regressam ou ficam, talvez seja apenas
porque assim teve de ser... Talvez porque eu tenha merecido cada encontro e
cada despedida.
Onde repousa a afeição que resiste, borboleta?
Tu voas... e eu choro.”
Eu sorrio
Mesmo quando o sorriso nasce entre lágrimas
***
2010-01-11 - Na corda bamba
nn(in)metamorphosis
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