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27/04/2012

Letras

  
Letras
 
Letras mais letras, palavras
arranjos, combinações, pontuações
ideias fortes ou fracas, confissões
furia, ira, medo, espanto
dor, desejo, amor e pranto
letras e mais letras a heito
em páginas torcidas pró efeito
batalhões de letras rascunhadas
sofridas, sentidas, suadas
tantas letras compassadas
e para quê?
pra nada.
 
2012-03.22 -(vc)
 (Cópia integral devidamente autorizada)

***
 
Esgueiram-se pelos dedos
Deslizam por eles fora
Tornam-se palavras
E a finalidade não sei…
 
Que algumas sejam lidas?
Outras me aliviem a alma?
 Traduzem-me o pensamento
Fazem parte de mim
Tranco-as numa folha
Branca, rosa, azul, marfim

 
*** 
2012-04-27 – Letras – Desafios
nn(in)metamorphosis


26/04/2012

Nada

Este é o tempo dos mundos parados... Parada entre a fronteira do vazio da alma, (se ainda fumasse) rolaria o cigarro e expiraria o fumo como se quisesse deitar fora a mágoa que me aperta o peito... Folheio recordações...


***
2012-04-26 - Nada - Fragmentos
nn(in)metamorphosis



Pranto ou a obliquidade do olhar

Pranto ou a obliquidade do olhar

E se em ti me perdesse
Quando teus olhos me cruzam
Decerto perderia o interesse
O brilho que os meus acusam
 
Perdido o tino num pranto
E a noção da compostura
Esta alma sem descanso
Seria apenas escrava tua
 
Turvo se faz o pensamento
Com fortes laivos de loucura
Alma minha sem alento
Já não és minha, és sua


2012.-4.26 (vc)            
(Cópia integral devidamente autorizada)


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Resposta


 Ah, quando o medo é maior
Que a vontade de olhar
Até a luz se desfaz
No instante de se cruzar

Porque quem teme perder
Perde o tino e a compostura
E veste todo o sentir
Com o nome da loucura

 

***
2012-04-26 - Pranto ou a obliquidade do olhar - Desafios
nn(in)metamorphosis


20/04/2012

Desatinos em película fotográfica


"Desatinos em película fotográfica"
 
 
No espaço de um momento
Mil desejos, sentimentos
Horas perdidas, emoções
Momentos vividos de ilusões
Cambalhotas, sensações
Desatinos, frustrações
Meias palavras, gestos, acções.
 
Saudades, ai saudades,
De brincar aos amores
A preto, a branco, de todas as cores.

 
2012.04.16 - 19:32 (vc)
(cópia integral devidamente autorizada)

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 Resposta
 
 Aos amores não se deve brincar
 
Brinca-se de casinha e de pequenos enganos
de namoros assumidos, de destinos que sucumbem
de jantares à luz de velas, e de olhos que se desviam
E tudo isso se fotografa, porque pouco vale no instante
logo passa
 
Há quem precise de coleccionar memórias
mas aos amores não se deve brincar
porque mesmo quando acabam
não morrem na memória
 
Passam a preto e branco
ou ganham cores, se for preciso
trazem sorrisos e lágrimas
sentimentos e sensações
meias palavras, gestos, acções
com a nitidez do momento
já sem causar sofrimento
fazendo parte da vida
 
E na vida
tudo teve o seu momento

  

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2012-04-20 - Desatinos em película fotográfica - Desafios
nn(in)metamorphosis


06/04/2012

O que falta quando tudo parece sobrar



Amor, amar, amo-te…
Palavras que se sentem, mas que tantas vezes nos proibimos de dizer.
 
De uma forma ou de outra, todos nós o escrevemos, o cantamos e fazemos dele a nossa procura, o nosso objectivo, mesmo que de forma inconsciente.
 
Todos, até aqueles que o rejeitam de boca cheia, precisam dele.
 
E, no fundo, do mesmo modo que o desejamos, temos também um medo atroz dele.
 
Porque uma coisa é senti-lo, outra é dizê-lo. Talvez porque achemos que o amor nos desnuda por completo, muito para além do corpo.
 
Pensamos, encasquetamos, convencemo-nos de que amar nos fragiliza perante o outro.
E então escondemo-lo. Calamo-lo.
 
Uns escondem-se atrás de um:
“Eu? Amar? Ahahah… eu vivo o dia a dia…”
“A paixão é o que conta. Ter uma mulher ou um homem às costas? Nem pensar.”
“Dá vontade? A gente engata alguém… mas de manhã que leve a cueca com ele/ela.”
 
E, curiosamente, ainda há dias, enquanto conversava com uma amiga sobre tudo isto, chegou um amigo dela que acabou por se juntar a nós. A conversa foi andando e, a certa altura, ele disse-nos algo que ficou comigo.
 
“Sabes? Tenho tudo, alcancei tudo e, ao mesmo tempo, não tenho nada. Começo a sentir que chegar a casa e estar sozinho, algo que antes me satisfazia, hoje deixa-me triste, com uma sensação de vazio. As amigas coloridas, a cama preenchida por algumas horas, a paixão, o sexo, o tesão… tudo isso já não tem o mesmo sabor. Falta sentimento. Falta carinho. Falta ternura.”
 
E talvez seja mesmo isso que falta:
alguém que nos olhe e pergunte por nós, querendo realmente saber de nós.
 
É pena que a única coisa capaz de tornar a vida sublime seja exactamente aquilo que mais escondemos.
 
Ficamos à espera que o outro diga primeiro.
À espera que o outro arrisque primeiro.
E a vida vai passando, silenciosa, nessa espera sem glória.
 
E vêem-se homens a correr para braços diferentes todos os dias. Mulheres também.
 
Vêem-se olhares tristes pintados de falsas euforias, mãos ocupadas em copos de vida nocturna, onde o único brilho verdadeiramente intenso é o das lantejoulas.
 
Porque os ares de macho ou fêmea independentes, auto-suficientes, desmoronam-se aos primeiros raios da manhã. Mesmo que as bocas insistam em dizer que são felizes assim. Mesmo que mais uma noite de sexo tenha sido “de arromba”.
 
Mas terá sido suficiente?
 
Será que isso basta?
 
Será que, no final, somos apenas predadores perdidos a fingir que não precisam de sentir?
 
 
Talvez o maior medo não seja amar.
Talvez seja precisar de amor.

   

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2012-04-06 - O que falta quando tudo parece sobrar
 nn(in)metamorphosis