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20/03/2026

Apenas Somos

 

Já paraste para analisar
a improbabilidade
da nossa existência?

Somos pó que aprendeu a olhar o céu
silêncio que se fez palavra
um breve clarão entre dois infinitos
a que chamamos vida

E, no ntanto, aqui estamos
a tropeçar em dias comuns
a esquecer o milagre discreto
de cada batida do coração

Há universos no gesto simples
de tocar, rir, sentir saudade
Há uma eternidade escondida
no agora que quase deixamos passar

Talvez existir seja isto
um espanto que se repete
um improvável que floresce
mesmo quando não reparamos

E ainda assim
contra todas as probabilidades
somos

 

***

2026-03-20 – Apenas Somos
nn(in)metamorphosis 


19/03/2026

Pai

 



Pai, contigo aprendi o que é ser grande
não é ter tudo, nem falar mais alto
é ser abrigo firme e constante
mesmo quando o mundo corre em sobressalto

É dar a mão sem pedir nada em troca
é ensinar pelo gesto e pelo olhar
é ser raiz que nunca se desloca
e força que me ensina a caminhar

Se hoje sigo mais certo o meu caminho
levo em mim o que me soubeste dar
um coração inteiro, puro e mansinho
mas cheio de coragem para amar


***

2026-03-19 – Pai
nn(in)metamorphosis 


Entre o sono das palavras e a voz do silêncio

 

As palavras deitam-se no fundo da noite
encostam-se ao cansaço das bocas fechadas
e respiram devagar como quem esquece o mundo

Ficam quietas nos cantos da memória
embrulhadas em sonhos por dizer
à espera de um amanhecer que as acorde

No meio desse sono
cresce um silêncio vivo
um silêncio que se estende como luz sem forma

Fala sem voz
toca sem mãos
insiste sem pressa

Diz o que nunca coube nas sílabas
o que fugiu entre dentes e medos
o que só o sentir consegue guardar

porque há coisas que não querem som
e há verdades que só sabem existir assim
entre o descanso das palavras
e o murmúrio infinito dos silêncios

 

***

2026-03-19 - entre o sono das palavras e a voz do silêncio 
nn(in)metamoephosis



18/03/2026

Simulacro


Vives nesse simulacro de vida que cabe inteirinho na exausta cautela de não saíres do mesmo lugar... e levas-me contigo.

 

***

2026-03-18 – Simulacro 
nn/in)metamorprosis


17/03/2026

O Peso do Invisível

 

Quanto de mim ficou por terra, para que eu chegasse até aqui.

 

***

2026-03-17 - O Peso do Invisível 
nn(in)metamorphosis



16/03/2026

Reflexões e Café quente

 




Parou de pensar, coisa rara diga-se, e foi tirar outro café.
Ainda que injusta, a vida continuava, teimosa como uma segunda-feira.
Olhou para a chávena como quem espera que o universo se explique sozinho. Não explicou. Mas o café estava bom. O mundo ficou igual e ela, pelo menos, ganhou mais cinco minutos de filosofia líquida.


***

2026-03-16 – Reflexões e Café quente
nn(in)metamorphosis 



15/03/2026

A forma do ausente

 

Há um silêncio dentro de mim que parece ter a forma exata de algo que ainda não encontrei.

 

***

2026-03-15 – A forma do ausente 
nn(in)metamorphosis



14/03/2026

Entre instantes

 


O tempo passa devagar nas coisas simples
na chávena morna esquecida na mesa
na luz da manhã que entra pela janela
como quem pede licença para ficar

Há dias que cabem num suspiro
outros que pesam como tardes de inverno
e no entanto a vida acontece
nos gestos pequenos que quase não vemos

perde se tanto pelo caminho
nomes rostos promessas ditas ao vento
mas fica sempre qualquer coisa
um riso guardado na memória
um perfume antigo numa rua qualquer

sonhar é isto talvez
acreditar que cada instante breve
é uma espécie de eternidade escondida

e assim seguimos
entre o que foi e o que ainda não chegou
aprendendo devagar
a alegria simples de estar vivo


***

2026-03-14 - Entre Instantes
nn(in)metamorphosis 



22/02/2026

Kristin a louca


 
E a Cristin passou.
Passou e levou quase tudo na mala, incluindo a nossa paz.

Aqui estamos, nós e as lonas improvisadas, a tentar convence-las que as telhas querem voltar para os braços do telhado, mas as lonas (cabras) abanam a cabeça e enfunam, ameaçando ir d'asa, só para nos provocar.
Enquanto as  paredes murmuram segredos em forma de goteiras, e a tinta, toda vaidosa, desfila em tons de mofo como se fosse desfile de Carnaval.
Os pavimentos de madeira decidiram tornar-se pranchas nos lagos em que se tornaram as placas que os suportavam.
O mobiliário? Pobrezinho, grita por socorro, roda os olhos e prepara-se para uma revolta silenciosa, como se fosse um exército secreto de cadeiras e mesas.

Na guerra dos orçamentos, onde cada telefonema é uma oração - que atenda, desta vez, um que atenda: e se tivermos sorte. Pagámos metade do orçamento, e temos que esticar a paciência, é que depois do pagamento a espera pode superar as quatro semanas, para chegar o material. Depois... Subir em placas molhadas tornou-se desporto radical. Ou seja, lá para Abril, talvez, e só talvez, volte a dormir no meu quarto. Consiga sentar-me no sofá da sala, ouvir música, ler, até passar pelas brasas.
Entretanto faço fintas entre os móveis arrastados para fora das divisões e separados das paredes.
Os seguros? Ah, esses fazem ginástica para não pagar muito, a saltitar de um lado para o outro como se fossem acrobatas de circo.

 E eu? Ah, eu já chego a cheirar a mofo até no cabelo.
Cada vez que um ventinho sopra,  a casa murmura e o que resta do telhado abanica em desaprovação, eu só quero boiar sem me afogar.
 
Mas olhem: apesar de tudo, cá estou, com a capa de super-heroína rasgada, as galochas furadas, a rir do absurdo e a esperar que, um dia, a casa também decida recompor-se…

***

2026-02-22 - Kristin a louca
nn(in)metamorphosis






Enquanto espero o telhado




Cantar o mal espanta
mas eu
canto bué  mal, mano

Em contrapartida
danço qui danço




06/01/2026

Ele mesmo se apresenta


C.N.Gil:  ( O dono do O Que Me Dá Na Telha )

Algures nas férias de verão de 1970 um tipo olhou de uma maneira meio esquisita para uma tipa e, 9 meses depois, C. N. Gil apareceu no mundo junto com a primavera

A Partir dos 14 anos começou a tocar guitarra, tendo tido vários projectos musicais, quer de música original, quer bandas de bares, tendo tocado em quase todos os recantos de Portugal, de norte a sul.

Tendo tido sempre gosto pela escrita e leitura, escreveu, normalmente, as letras dos projectos de música originais em que esteve incluído. Em 2011 publicou o seu primeiro romance, "Lilith" pela Lua de Marfim Editora, seguido um ano depois por  "Conscientização"  pela mesma editora.

Após os dois primeiros romances começou a editar os seus livros através da Amazon, o que permite não só um maior controlo, mas, uma vez que os livros são impressos "on demand", menor desperdício de recursos, nomeadamente, papel.

Actualmente C. N. Gil tem uma mulher, uma filha, dois carros e uma hipoteca. Continua a escrever, tendo acabado de editar "O que somos no escuro".

📚📚📚

Depois de lermos isto tudo, ficamos com a clara sensação de que C. N. Gil não é apenas um autor:

 -  É uma espécie de fenómeno literário com guitarra incluída.

 -  É prova de que:

quem sobrevive a bandas de bares, editoras, Amazon, hipotecas e à vida em geral ganha, automaticamente, superpoderes narrativos.

 Os livros?

Já vão em 13 (sim, treze, não é força de expressão), todos eles cheios ,  de personagens, mundos e reflexões que tanto podem parecer pura imaginação como um espelho ligeiramente desconfortável da realidade.

 Ler C. N. Gil é entrar numa viagem onde nunca sabemos bem se estamos num romance, numa crónica existencial ou numa conversa tardia que começa inocente e acaba a mudar-nos qualquer coisa por dentro.

 - Se ainda não leu nenhum, está atrasado.

- Se já leu um, sabe que não vai ficar por aí.

 E se acha que consegue resistir aos treze… boa sorte com isso 📚😉

 

LISTA:

 - Lilith (Lua de marfim editora)
- Chuva (Amazon)
- Inundação (continuação de Chuva) – Amazon
- Conscientização (Lua de marfim editora)
- Renascimento (Amazon)
- Consequências (Amazon)
- Depois do inferno verde (Amazon)
- A dança invisível (Amazon)
- Um casamento moderno"- Amazon 
- do Paraíso (Amazon)
- O que somos no escuro? (Amazon)

-Treta de cabos I: Vidas de Rocker (as histórias secretas dos XXL Blues - CD incluído) - Lua de marfim editora
-Treta de Cabos II: Os cabos contra atacam (as histórias tão secretas que não foram incluídas no volume I e outras) - Amazon

 

CAPAS:


 









Boas leituras, neste 2026

***

2026-01-06 - Ele mesmo se apresenta 
nn(in)metamorphosis



Sol e Frio

 
O sol até aparece, todo convencido, mas não aquece nada. 
É um sol de enfeite, próprio para fotografias e enganos. 
A gente sai de casa cheia de esperança, bem agasalhada, e leva logo com um vento gélido que trespassa a roupa como se fosse renda fina. Cachecol, casaco, camisola interior? Tudo inútil. O frio encontra sempre um caminho, sobretudo pelo pescoço e pela alma. E depois vêm as gripes, fiéis como más companhias: olhos chorosos , e não é de emoção, narizes vermelhos que dispensam palhaço no circo, e vozes fanhosas que transformam um simples “bom dia” num solo de trompete desafinado. Ainda assim, lá vamos nós, a fungar com dignidade, a queixar-nos do tempo com convicção científica e a garantir que “isto não é frio nenhum”… enquanto batemos o dente como castanholas.


 ***

2025-01-06 – Sol e Frio
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03/01/2026

Como um bom casaco

 
Entra 2026, sem bater à porta
não ligues ao pó nem à confusão
Por cá tenta-se, falha-se, volta-se à rota
com mais teimosia do que razão
 
Que os dias corram sem pedir licença
uns tortos, outros a sair direitos
E que a pressa não mate a esperança
nem nos roube o riso dos defeitos
 
Se um plano cair, deixa-o no chão
há quedas que não pedem conserto
Levanta-se outro, muda-se a mão
que o caminho faz-se meio incerto
 
Que haja amor sem voz levantada
trabalho que pague o pão e o vinho
E uma graça leve, mal educada
a lembrar que ninguém sabe o caminho
 
Segue-se assim, sem mapa nem guia
com calma, tropeço e algum engenho
Se a vida não cumpriu o que prometia
ao menos que cumpra o riso e o empenho
 
***
 
Que 2026 venha como um bom casaco: que não chama a atenção, mas faz falta quando é preciso.


***

2025-01-03 – Como um bom casaco
nn-metamorphosis


31/12/2025

2026 - Feliz Ano Novo

 


Que 2026 chegue com calma
Com boas vibes e energia no ar
Que a saúde seja companheira
E a paz venha para ficar

Que haja tropeços pequenos
Só daqueles que dão para rir
E histórias meio exageradas
Que ninguém precise de admitir

Que os dias não venham aos gritos
Nem com urgências sem razão
Que haja tempo para o café
Antes de mais uma reunião

Se o ano não vier perfeito
Raramente vem convenhamos
Que traga cabeça no lugar
Menos ruído e mais planos

E se a vida se embrulhar
Que nos sobre sempre uma piada
Um sorriso maroto na boca
E coragem para a jornada


***

2025-12-31
nn(in)metamorphosis



21/12/2025

O verdadeiro natal


 


Natal não é presente caro, mas o abraço apertado.

Natal não é a árvore decorada, mas a mesa cheia de risos e afecto. 

Natal é o calor da casa, onde mães, pais, filhos e netos se encontram. É a presença dos tios, primos e amigos que nos fazem sentir completos.

Neste tempo, o mais precioso é estar junto, é partilhar o amor que nos une e não o que podemos dar em papel dourado.

Natal é gente, é vida, é alegria. 

O resto é só o brilho das estrelas que, por dentro, já brilha em nós.


Para todos e cada um em especial - FELIZ  NATAL!


***

2025-12-21 - O verdadeiro natal
nn(in)metamorphosis



21/10/2025

Essência

 Vivo a minha vida sem pressas nem mapas. Deixo que os dias me levem, sem grandes planos nem promessas. Não persigo o que foge, mas também não ignoro o que me chama. Gosto das pequenas coisas: um olhar distraído, um som de fundo, um instante que parece nada e acaba por ser tudo.

Aprendi que o sentido das coisas aparece quando deixo de o forçar. Que as quedas ensinam, mesmo quando doem. E que o tempo tem um jeito curioso de pôr tudo no lugar, mesmo o que parecia perdido.
Não procuro perfeição, procuro presença. Vivo entre o caos e a calma, a tentar ser inteira,  mesmo quando não percebo bem o porquê de tudo.


***

2025-1-21 - Essência
nn(in)metamorphosis



06/10/2025

Amor é... mas não é




ele diz que a ama
ela acredita
por um instante

o amor sente-se
sim
mas sentir não chega
não basta para durar

o amor é o que se faz
quando o dia pesa
quando o corpo cansa
e ainda assim
há cuidado

é ela preparar o café
não por hábito
mas porque hoje
ele precisa

é ele pôr a mesa
porque hoje
é ela
que chega mais tarde

o amor é escolha
repetida
no silêncio
e no gesto

amor é prática
amor é cuidado
amor é insistir em ficar

amor é…
mas não é

o que se sente

o que se sente precisa
do que se faz


*** 

2025-10-06 .- Amor é... mas não é
nn-metamorphosis



21/09/2025

À porta do Outono

 

Domingo, fim de tarde

O Verão despediu-se hoje com a sua luz dourada e preguiçosa. Senti-o claramente: o ar já não traz a vibração dos dias quentes, mas uma doçura calma, quase rendida. Passei a tarde a observar como as sombras se alongam mais cedo, como o céu parece querer descansar, e dei por mim a sorrir com essa melancolia leve que nunca sei bem se é saudade ou alívio.
 
Amanhã chega o Outono. 
Sinto-me pronta para o receber. Há qualquer coisa de reconfortante nesta mudança: o cheiro prometido da terra molhada, as folhas que hão-de cair em tons de cobre e ferrugem, o convite ao recolhimento e à serenidade. É como se a natureza me desse permissão para abrandar, para me voltar mais para dentro, para escutar o que em mim também pede silêncio e pausa.
 
Dou as boas-vindas ao Outono como quem recebe uma visita esperada. Não com euforia, mas com a ternura de quem reconhece no tempo que passa uma sabedoria maior. Que ele me traga serenidade, tardes longas de chá quente, e a lembrança de que cada fim é também um início disfarçado.

 

***
 2025-09-21 - À porta do Outono
nn(in)metamorphosis


19/09/2025

Essencial

 
A felicidade para mim
é ter o corpo leve
sem dores que pesem nos passos
 
É deitar a cabeça na almofada
sem fantasmas à porta
sem sombras na janela
 
É abrir os olhos de manhã
e sentir que o peito respira
sem pressa
sem medo
sem angústia
 
O resto
os sonhos os desejos
as conquistas
vêm depois


 ***

2025-09-19 – Essencial
nn(in)metamorphosis


17/09/2025

Difíceis de lidar, mas com impacto

 
Estava sentada numa mesa de café, a meio da tarde, num espaço quase vazio. Fui convidada pela própria organizadora a participar numa reunião para juntar dinheiro e bens de primeira necessidade para uma família monoparental que após um divórcio, se reinventa e segue em frente..
 
Enquanto a organizadora esteve presente, o pequeno grupo, que me pareceu já se conhecer entre si, ao contrário de mim,  rodeava-a de sorrisos e elogios exagerados. Cada pedido ou ideia era imediatamente elogiado, gerando mais uma enxurrada de elogios vazios que soavam forçados e artificiais, destoando do objetivo da reunião.
 
Mas, quando a organizadora saiu e eu esperava para pagar o café, o ambiente mudou imediatamente. Surgiram comentários como: “É difícil de lidar”, “Raramente está de acordo”, “Dificilmente lhe ouves um elogio.” O contraste era evidente: enquanto estava presente, recebia elogios falsos; fora do seu alcance, era julgada e rotulada.
 
A experiência mostrou-me como a bajulação distorce a percepção das pessoas. Quem não se presta a esse jogo de elogios vazios acaba rapidamente rotulado de “difícil”, mesmo agindo com honestidade.
 
Só um aparte; Elas não sabem, mas, tal como a organizadora, eu sou das “difíceis de lidar”: elogios e bajulações ocas não fazem parte dos pratos que engulo, nem a custo.
 
Apesar de tudo, conseguimos reunir um bonito valor e alguns cabazes de compras não perecíveis, higiene e limpeza para alguns meses.
 
No fim, é isso que realmente importa: a ajuda que chega de forma concreta e útil. O resto é isso mesmo, resto.


***

2025-09-17 - Difíceis de lidar, mas com impacto
nn(in)metamorphosis 


16/09/2025

Sou música, ainda que fragmento

 
Eu sou música e com cada nota danço a vida.


***

2025-09-16 - Sou música
nn(in)metamorphosis


Sou música (mesmo em Japonês)

 

Dança da vida
sou ritmo em movimento
sou harmonia


***
2025-09-16 - Sou música  (mesmo em Japonês)
nn-metamorphosis


Sou música

 



Sou música
sou som que se espalha no ar
e com ela danço a vida
a passo
com compasso
deixando-me levar

Cada nota é caminho
cada silêncio respiração
a dança é o destino
que nasce do coração


***

2025-09-16 – Sou música
nn(in)metamorphosis


15/09/2025

Setembro em pessoa

 


Se setembro fosse gente
teria o bronzeado dos últimos dias de verão
cheiraria a livros novos e cadernos por estrear
traria nos bolsos a promessa de lareiras acesas
castanhas assadas cacau quente e silêncios bons

Falaria com voz de brisa entre folhas douradas
vestiria suéter leve e meias de lã
guardaria memórias do mar entre os dedos
e olharia o futuro com olhos de recomeço

Tocaria o coração com mãos de saudade
oferecendo tardes douradas e manhãs frescas
com um sorriso tímido de quem parte devagar
mas deixa o outono inteiro por desvendar
  

(Um poema para o meu aniversário)


 ***

 2025-09-15 –Setembro em pessoa 
nninmetamorphosis


12/09/2025

Como um pé de vento

 


Demorou a adormecer
estava meio passional por dentro
não era tristeza nem saudade
apenas um tumulto
uma inquietude sem nome

Se tivesse o dom de se evaporar
iria como um pé de vento a dançar
seria brisa num campo qualquer
ou sombra numa rua escura a correr
escutando a noite sussurrar
os segredos que o mundo quer guardar

E enquanto o mundo dormia em silêncio
sentiu que tudo podia existir
como folhas levadas pelo vento
ou sonhos que aprendem a fugir
 

 ***

 2025-09-00 –Como um pé de vento
nn(in)metamorphosis


11/09/2025

No circo da vida (7): Ainda na corda




Não morri
Estou quebrada sim
mas a quebra não me fez pó

Sou cacos que brilham
quando a luz insiste
sou rachadura
por onde a coragem entra

O mundo pensa em ruínas
eu penso em sobrevivência

Ainda caminho
mesmo que trémula
ainda ergo os olhos
mesmo que cansados

Porque a corda está ali
e enquanto houver fio
haverá passo

Não morri
Estou quebrada
mas ainda e sempre
na corda


***

2025-MAI - No circo da vida:  Ainda na corda
nn(in)metamorphosis


Epílogo

 Cada palavra que escrevi é um passo
e cada passo, mesmo que trémulo
 prova de que ainda existe caminho e corda


10/09/2025

No circo da vida (6): A pausa entre passos




Não é o salto
não é o gesto
que garante equilíbrio

É a pausa
A respiração funda
o instante breve
em que nada acontece
mas tudo se recompõe

No silêncio entre dois passos
encontro a minha força
E descubro que às vezes
o que me sustenta
não é o andar
é o parar


***

2025-MAR - No circo da vida(6):  A pausa entre passos
nn-metamorphosis


09/09/2025

No circo da vida (5): A corda esticada do tempo




Entre o ontem que já partiu
e o amanhã que ainda é promessa
há este fio esticado
presente

Se olho para trás vacilo
Se me lanço à frente tropeço
Só o agora
aguenta o meu peso
só nele encontro chão
mesmo sem chão

E compreendo
o tempo é a corda

eu sou a travessia


***

2025-FEV - No circo da vida(5): A corda esticada do tempo
nn(in)metamorphosis


08/09/2025

No circo da vida (4): O vento do medo




O vento sopra alto
balança o fio
balança o peito

Penso em desistir
mas descubro que o medo
não é inimigo
é aviso
é lembrança de que vivo

E quando ergo o rosto
vejo que o vento
só existe
para me ensinar
a firmeza dos passos


***

2025-FEV - No circo da vida(4): O vento do medo
nn(in)metamorphosis


05/09/2025

No circo da vida (3): O aplauso do silêncio



No alto da corda
os olhos não buscam plateias
Aprendi que o som do mundo
é frágil passageiro

O que sustenta os meus pés
não são as palmas
mas a certeza de que avancei
mesmo quando o medo
me chamou pelo nome

Há um aplauso secreto
que só o silêncio conhece

o coração que pulsa firme
a respiração que agradece
por não ter desistido
de si


***

2025-JAN - No circo da vida(3):  O aplauso do silêncio
nn(in)metamorphosis