***
nn(in)metamorphosis
***
Se
não nos permitirmos sonhar
como se vive o amor?
Se
calhar aos bocadinhos
sem jeito e sem saber
com medo de dar demais
ou de ficar a perder
Amar
não tem grande ciência
é sentir sem explicar
é rir sem ter razão
e às vezes até chorar
Sem
sonho, fica mais frio
mais quieto, mais sozinho
como quem anda na vida
mas nunca sai do caminho
Por
isso, sonhar é preciso
mesmo quando custa ver
porque só sonha quem ousa
verdadeiramente amar e viver
***
***
Busca origem, mesmo tendo um lugar onde
voltar
uma casa que a acolhe, mas não lhe dá
um nome para o vazio que não sabe de onde vem
Guarda descanso nos gestos pequenos
no silêncio entre duas palavras
como se ali houvesse algo que lhe escapa
Procura sentido sem saber o que procura
como quem caminha por dentro de si
à espera que alguma coisa responda
E no meio de tudo isto, fica
nem perdida, nem encontrada
a tentar escutar o que em si ainda não tem voz
A aprender a ser, onde está
***
Já paraste para analisar
a improbabilidade
da nossa existência?
Somos pó que aprendeu a olhar o céu
silêncio que se fez palavra
um breve clarão entre dois infinitos
a que chamamos vida
E, no ntanto, aqui estamos
a tropeçar em dias comuns
a esquecer o milagre discreto
de cada batida do coração
Há universos no gesto simples
de tocar, rir, sentir saudade
Há uma eternidade escondida
no agora que quase deixamos passar
Talvez existir seja isto
um espanto que se repete
um improvável que floresce
mesmo quando não reparamos
E ainda assim
contra todas as probabilidades
somos
***
Pai, contigo aprendi o que é ser grande
não é ter tudo, nem falar mais alto
é ser abrigo firme e constante
mesmo quando o mundo corre em sobressalto
É dar a mão sem pedir nada em troca
é ensinar pelo gesto e pelo olhar
é ser raiz que nunca se desloca
e força que me ensina a caminhar
Se hoje sigo mais certo o meu caminho
levo em mim o que me soubeste dar
um coração inteiro, puro e mansinho
mas cheio de coragem para amar
***
As palavras deitam-se no fundo da noite
encostam-se ao cansaço das bocas fechadas
e respiram devagar como quem esquece o mundo
Ficam quietas nos cantos da memória
embrulhadas em sonhos por dizer
à espera de um amanhecer que as acorde
No meio desse sono
cresce um silêncio vivo
um silêncio que se estende como luz sem forma
Fala sem voz
toca sem mãos
insiste sem pressa
Diz o que nunca coube nas sílabas
o que fugiu entre dentes e medos
o que só o sentir consegue guardar
porque há coisas que não querem som
e há verdades que só sabem existir assim
entre o descanso das palavras
e o murmúrio infinito dos silêncios
***
2026-03-19 - entre o
sono das palavras e a voz do silêncio
nn(in)metamoephosis
Vives nesse simulacro de vida que cabe inteirinho na exausta cautela de não saíres do mesmo lugar... e levas-me contigo.
***
Quanto de mim ficou por terra, para que eu
chegasse até aqui.
***
2026-03-17 - O Peso do Invisível
nn(in)metamorphosis
Parou
de pensar, coisa rara diga-se, e foi tirar outro café.
Ainda
que injusta, a vida continuava, teimosa como uma segunda-feira.
Olhou
para a chávena como quem espera que o universo se explique sozinho. Não
explicou. Mas o café estava bom. O mundo ficou igual e ela, pelo menos, ganhou
mais cinco minutos de filosofia líquida.
***
2026-03-16 – Reflexões e
Café quente
nn(in)metamorphosis
Há um silêncio dentro de mim que parece
ter a forma exata de algo que ainda não encontrei.
***
2026-03-15 – A forma do
ausente
nn(in)metamorphosis
O tempo passa devagar nas coisas simples
na chávena morna esquecida na mesa
na luz da manhã que entra pela janela
como quem pede licença para ficar
Há dias que cabem num suspiro
outros que pesam como tardes de inverno
e no entanto a vida acontece
nos gestos pequenos que quase não vemos
perde se tanto pelo caminho
nomes rostos promessas ditas ao vento
mas fica sempre qualquer coisa
um riso guardado na memória
um perfume antigo numa rua qualquer
sonhar é isto talvez
acreditar que cada instante breve
é uma espécie de eternidade escondida
e assim seguimos
entre o que foi e o que ainda não chegou
aprendendo devagar
a alegria simples de estar vivo
***
2026-03-14 - Entre Instantes
nn(in)metamorphosis
2026-02-22 - Kristin a louca
nn(in)metamorphosis
C.N.Gil: ( O dono do O Que Me Dá Na Telha )
Algures nas
férias de verão de 1970 um tipo olhou de uma maneira meio esquisita para uma
tipa e, 9 meses depois, C. N. Gil apareceu no mundo junto com a primavera
A Partir dos
14 anos começou a tocar guitarra, tendo tido vários projectos musicais, quer de
música original, quer bandas de bares, tendo tocado em quase todos os recantos
de Portugal, de norte a sul.
Tendo tido
sempre gosto pela escrita e leitura, escreveu, normalmente, as letras dos
projectos de música originais em que esteve incluído. Em 2011 publicou o seu
primeiro romance, "Lilith" pela Lua de Marfim Editora, seguido um ano
depois por "Conscientização" pela mesma editora.
Após os dois
primeiros romances começou a editar os seus livros através da Amazon, o que
permite não só um maior controlo, mas, uma vez que os livros são impressos
"on demand", menor desperdício de recursos, nomeadamente, papel.
Actualmente
C. N. Gil tem uma mulher, uma filha, dois carros e uma hipoteca. Continua a
escrever, tendo acabado de editar "O que somos no escuro".
📚📚📚
Depois
de lermos isto tudo, ficamos com a clara sensação de que C. N. Gil não é apenas
um autor:
- É uma espécie de fenómeno literário com guitarra incluída.
- É prova de que:
quem sobrevive a bandas de bares, editoras, Amazon, hipotecas e à vida em geral ganha, automaticamente, superpoderes narrativos.
Os livros?
Já
vão em 13 (sim, treze, não é força de expressão), todos eles cheios , de personagens, mundos e reflexões que tanto podem parecer pura imaginação como um
espelho ligeiramente desconfortável da realidade.
Ler C. N. Gil é entrar numa viagem onde nunca sabemos bem se estamos num romance, numa crónica existencial ou numa conversa tardia que começa inocente e acaba a mudar-nos qualquer coisa por dentro.
- Se ainda não leu nenhum, está atrasado.
-
Se já leu um, sabe que não vai ficar por aí.
E se acha que consegue resistir aos treze… boa sorte com isso 📚😉
LISTA:
CAPAS:
2026-01-06 - Ele mesmo se apresenta
nn(in)metamorphosis
***
Que 2026
chegue com calma
Com boas vibes e energia no ar
Que a saúde seja companheira
E a paz venha para ficar
Que haja
tropeços pequenos
Só daqueles que dão para rir
E histórias meio exageradas
Que ninguém precise de admitir
Que os dias
não venham aos gritos
Nem com urgências sem razão
Que haja tempo para o café
Antes de mais uma reunião
Se o ano não
vier perfeito
Raramente vem convenhamos
Que traga cabeça no lugar
Menos ruído e mais planos
E se a vida
se embrulhar
Que nos sobre sempre uma piada
Um sorriso maroto na boca
E coragem para a jornada
***
2025-12-31
nn(in)metamorphosis
Natal não é presente caro, mas o abraço apertado.
Natal não é a árvore decorada, mas a mesa cheia de risos e afecto.
Natal é o calor da casa,
onde mães, pais, filhos e netos se encontram. É a presença dos tios, primos e
amigos que nos fazem sentir completos.
Neste tempo, o mais precioso é estar junto, é partilhar o amor que nos une e não o que podemos dar em papel dourado.
Natal é gente, é vida, é alegria.
O resto é só o brilho das estrelas que, por dentro, já brilha
em nós.
Para todos e cada um em especial - FELIZ NATAL!
2025-12-21 - O verdadeiro natal
nn(in)metamorphosis
Vivo a minha vida sem pressas nem mapas. Deixo que os dias me levem, sem grandes planos nem promessas. Não persigo o que foge, mas também não ignoro o que me chama. Gosto das pequenas coisas: um olhar distraído, um som de fundo, um instante que parece nada e acaba por ser tudo.
Aprendi que o sentido das coisas aparece quando deixo de o forçar. Que as quedas ensinam, mesmo quando doem. E que o tempo tem um jeito curioso de pôr tudo no lugar, mesmo o que parecia perdido.
Não procuro perfeição, procuro presença. Vivo entre o caos e a calma, a tentar ser inteira, mesmo quando não percebo bem o porquê de tudo.
***
2025-1-21 - Essência
nn(in)metamorphosis
o que se sente precisa
do que se faz
2025-10-06 .- Amor é... mas não é
nn-metamorphosis
***
***
***
(Um poema para o meu
aniversário)
***