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13/05/2010

Manta de Retalhos


Nasci …retalhinho de fino linho, num lar de amor criada
Com sedas, rendas e arminhos, minha vida foi ornada
Entre a cidade e o vale, a adolescência foi tecida
Cruzei o mar e vi… uma terra prometida
De terras vermelhas,  palmeiras  e mulembas
corpos morenos, noites quentes e muito, muito semba
Voltei cruzando os céus… de modo triste, perdida
Hoje sou uma manta, de retalhos, colorida
E, em cada um, sou EU, de várias cores e  tamanhos 
Há os de sonhos… perdidos, esquecidos, sonhados
Mas há tambem os reais… vividos, realizados
Lanço o olhar e descubro … naquele junto ao soalho
Nele, sou raio de sol, no outro, gota de orvalho
Naquele, jovem menina, lá além , sou sonhadora
Ali mesmo, despedida , mas aqui, sou trovadora
Olho outro, sou saudade, no seguinte, cor de papaia
Neste, sou oceano, naquele , areia da praia
Aqui, eu sou tristeza, mas ali, sou alegria
 Lá ao centro, eu sou música, e nas beiras, poesia
Tanto retalho… uma vida… do resto que há p’ra viver
Há aqueles, que não quis, e os que não quero esquecer
Mas em todos  sou amor!
E em alguns… suspiros de prazer



***
2010-05-12 - Manta de Retalhos
nn-(in)-metamorphosis


10/05/2010

Inventada Lua





Toca-me o corpo

como quem descobre um segredo
e acende-me o olhar
sem precisar de palavras
 
Sussurra-me aquilo
que já sabemos em silêncio
e conduz-me…
sou terra à espera de mar
 
Mesmo que seja dia
e o céu não peça lua
deixa que ela venha
- inventada entre nós-
e se demore
 
Beija-me devagar
como quem reconhece o tempo
e respira em mim
até o mundo ficar longe
 
Entrelaça-te em mim
como se o instante fosse eterno
e nada mais tivesse lugar
 
E fica



*****
2010-05-10 - Inventada Lua
(in)metamorphosis


22/04/2010

Serena de novo



Enfim… serena.
Enfim…ciente de tudo estar feito.
Enfim… posso seguir, iniciando novo capítulo.
Pragmática sim, com uma enorme necessidade de clareza.
Lido mal com assuntos mal resolvidos, tudo o que se torna dúbio, me deixa insegura, pouco à vontade, e este facto torna-se muitas vezes, arma usada contra mim.
Não sou isenta de defeitos mas, existem alguns que não tenho mesmo, e se postos em dúvida, criam-me instabilidade, um quase estado doentio, e faço o que preciso for, para aclarar as aguas. Os “nins” deixam-me inquieta e torna-se urgente, arrumar o desarrumado, o corrigir o engano, o desfazer de dúvidas.
A oportunidade surgiu, quando já não a esperava, e agarrei-a com as duas mãos, a chance que tanto tinha pedido, que tanto tinha esperado estava aí… Olhando de frente, agora, olhos nos olhos, eu repeti, o já dito outras vezes, NÃO FUI EU!!!
Feito isso, fechei o capítulo, independente do resultado. Deixou de ter importância, se acreditam ou não. Em consciência eu estou em paz, aliás, eu sempre estive em paz, todavia, agora sigo... serena de novo.


***
2010-04-21 - Serena de novo
nn(in)metamorphosis



Quando nestas coisas do virtual, alguém faz algo condenável, e a pessoa atingida, pensa e afirma ter sido quem não foi.


16/02/2010

Meu doce pecado

Na vida todos temos 
Um segredo inconfessável 
Um arrependimento irreversível 
Um sonho inalcançável 
Um amor inesquecível



Perco-me em sonhos
quando me lembro de ti
do teu corpo
do teu beijo leve
 
E penso… e sinto…
 
E és como luz nas minhas veias
uma presença doce, tranquila
que me acompanha
ontem, hoje e amanhã


***
2010-02-16 - Meu doce pecado
nn(in)metamorphosis


17/01/2010

Evasão



E enquanto o leve vento passa
a evasão acontece
 
Na ausência de pensamento
torna-se etérea
e, por escassos segundos
deixa de ser matéria
 
para fazer parte do universo
em pleno silêncio


***
2010-01-17 - Evasão
nn(in)metamorphosis


11/01/2010

Na corda bamba



Na corda bamba da vida mais um ano passou como nuvem que se esfuma. É o inicio de outro que se constrói sobre sonhos e promessas. Neste palco onde nos articulamos, desfilamos sentimentos, repetimos gestos, trocamos frases, vimos rostos e... o que fica? Quem fica?...


Quem ficou, mesmo não estando presente, caminha a meu lado... será um sorriso, uma palavra, um gesto, será para sempre em mim a memória do que foi.
Aos que passaram, aos que ficaram, obrigado por serem como são.
Alguem que ficou diz:
Como é triste quando só se permanece memória...
Onde a afeição que resiste, borboleta?
Tu voas... eu choro.
A esse alguém eu respondo:
No coração, mas só fica quem quer ficar
Muitas pessoas passam, apenas passam... mas nem por isso deixou de ter importância a sua passagem, as suas palavras, gestos e atitudes, de algum modo elas terão contribuído para o meu crescimento.
Deixo livres, todos os que gosto e amo
se se vão, voltam ou ficam, talvez seja porque eu tenha merecido.
Eu voo, eu sorrio, mesmo que por vezes chorando
O Criador saberá o que faz
eu apenas agradeço, por cada dia vivido
por cada luta vencida
e até por cada vez que sou vencida, se com isso cresço.


***
2010-01-11 - Na corda bamba
nn(in)metamorphosis


31/12/2009

Tenho dias...


Tenho dias coloridos e dias sem cor
 
Dias cinzentos, de chuva, de tristeza
e outros de sol, de música, de muita alegria
Em alguns, sou voo livre
Noutros, perco as asas do sonho
 
Dias em que me sinto bonita
e outros um quase nada
Em alguns, sou poema, inteira, apaixonada, plena
Noutros, apenas uma estrofe fora do lugar
 
Dias que parecem não ter fim
e outros que passam sem que eu dê por eles
Uns de altos e baixos, excessos e falhas
Noutros, de calma, silêncio e esperança
 
Dias em que sinto muito
e outros, que nem sei bem o que sinto

De todos
guardo ensinamentos
que gostaria de eternizar


***
 2009-12-31 - Tenho dias...
nn(in)metamorphosis


02/12/2009

Teimosamente





A vida teimosa
mantém-me viva
mesmo quando morro
aos poucos
 
apática, sinto-me
a ficar e a partir
ao mesmo tempo
 
a mente sabe
mas o corpo demora
a lembrar-se
que é preciso continuar
Ficar de pé
seguir o horizonte
 
E quando um primeiro passo surgir
sem alarde
e a jornada começar
sob o sol que nasce e se põe
 que nem os mosquitos
me roubem o silêncio
nem o tempo apague
os motivos que me feriram

 
**
*
2009-12-02 – Teimosamente 
nn(in)metamorphosis


18/11/2009

Sou incapaz de sentir com letra MINÚSCULA



A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos: olhares, vivências, recordações, saudade.
 
Momentos que registo em papelinhos escritos e aos quais, a cada dia que passa, dou mais valor.
 
Para os guardar, tenho duas caixas: uma grande e, por vezes, curta, a que chamo “memória”, e outra, mais pequena mas não menos importante, a que chamo “coração”.
 
Na maior, eu guardo as decepções, as quedas que fui dando pela vida fora, os olhares e as palavras vãs… sui generis esta caixa: por mais maus momentos que lá guarde, nunca os encontro todos quando seria preciso. Tem compartimentos vários e diversos modos de arquivo. Há papelinhos quase imperceptíveis, outros onde palavras e até frases inteiras estão apagadas, levadas pelo tempo, a que vou chamar “esquecimento”…

 Mas, 
porque se desvanecem?

Mesmo sendo maus, e talvez por o serem, esses momentos deviam manter-se vivos e legíveis, para nos deixar em alerta. Mas não, uma e outra vez, o “esquecimento” permite que venha mais um desses momentos que ninguém pede, deixando no início muita amargura, muita revolta, e, ao fim de algum tempo, uma melancolia, ou mesmo uma aceitação apaziguada que, quando lembrada, faz reviver o momento, faz cair uma lágrima.

Outros papelinhos ficam, com escrita indelével, e perduram no meu coração, fazendo de mim o que sou…
E juntos, fazem o que eu chamo de momentos de felicidade, porque felicidade, em si e num todo, não acredito que haja.
 
Olhares, palavras, vivências, recordações e saudade.
 Guardo-os na pequena caixa, que abro, olho, mexo e remexo sempre que preciso encontrar o meu sorriso, para continuar o meu caminho, a minha vida…

Tenho-a neste momento aberta
qual escancarada janela
Preciso levantar-me, erguer a cabeça e andar
Preciso do meu sorriso, nela encontrar


***
 2009-11-18- Sou incapaz de sentir com letra MINÚSCULA
nn(in)metamorphosis

17/11/2009

A Fatiota Amarela de Sol




Tenho andado um bocadinho tristonha, apática, quase letárgica… fico assim sempre que a vida me maltrata. Vida? Não!... Não é a vida, são mesmo as pessoas… mas nada de preocupante, é temporário. Tem sido sempre assim e desta vez não será diferente. Eu volto a levantar-me.

 Para conseguirmos ser timoneiros das nossas próprias vidas, é necessário ir fazendo pequenas paragens para arrumarmos a embarcação. Primeiro, desfazermo-nos do que nos é nefasto. Depois… do que não nos faz falta nem contribui para que a viagem seja agradável. Arrumar no lugar certo o que, mesmo não sendo preciso a toda a hora, sabemos estar lá, e é de importância vital sabermos isso. E por fim, dar lugar de destaque ao que nos é absolutamente imprescindível para continuarmos a ser viajantes neste barquinho que somos cada um de nós, neste mar imenso que são as relações humanas no seu todo.

 Está a chegar o momento, já o sinto, de olhar uma última vez para os acontecimentos e, agora consciente após a paulada, escrevê-los num papel e colocá-los na caixa grande.

 O resto?... o resto o tempo fará...

 Tempo… o tempo tem culpa de muita coisa, e aqui também é culpado. Está cinzento… e acinzenta-me. Preciso de algum tempinho para ir buscar a fatiota amarela de sol e com ela vestir o espírito. Assim que a encontre, encontrarei também vontade e força, agora que levantada estou, para erguer a cabeça e seguir mar adentro nesta minha viagem.


 ***
2009-11-17 - A Fatiota Amarela de Sol 
nn(in)metamorphosis




01/11/2009

Ironia...



Ironia

 

é sermos ausência
na nossa própria presença

 

é ouvirem-nos
mas não nos escutarem

 

é olharem-nos
mas não nos verem

 

é crescer a raiva
num ser em agonia

 

no mundo do parecer
é urgente
ter atitude

 

mais do que prosa,
mais do que poesia

 



***
2009-11-01-  Ironia
nn(in)metamorphosis


12/10/2009

Enfim... de novo juntos



Cumpri a promessa feita há 19 anos, a de vos reunir na única que vos separou... a morte. Embora vos tenha perdido aos 2, em apenas um ano, só hoje o pude fazer.

Tal como diz a lápide, ninguém jamais separa o que o amor uniu.

Estão agora, de novo, juntos…
Um beijo saudoso e do tamanho do mundo desta vossa filha


Esta noite sonhei contigo



Esta noite sonhei contigo.
Nunca te vi o rosto, apenas a tua mão segurando a minha,
mas sabia que eras tu… E sabes? Os momentos sonhados não eram assim tão antigos, mas a minha imagem era ainda a de uma criança, de rabo de cavalo bem louro.

Andámos pela nossa cidade e tu levaste-me ao Majestic,
e vi os meus olhos brilharem de contentamento diante daquela torrada bem lourinha, com muita manteiga, como eu gostava… gosto? Já nem sei…

Passou-se tanta coisa na minha vida, algumas tão más, e tu não estavas cá… e eu precisava tanto do teu colo.
 
Perdi-te, e na hora da despedida pediram-me para dizer alguma coisa… dizer o quê? Que não escolhemos os nossos pais, mas se pudéssemos, era a ti que eu teria escolhido.
 
Não te disse adeus, e há quem diga que o devia ter feito,
mas adeus é para quem morre,
e tu, Pai, estás bem vivo no meu peito.
 
01.03.2009
 
***
 
14.03.2009
 
11h35. Saio da gare de camionagem na Batalha, paro… e um sol lindo, acompanhado por uma aragem fresca, abate-se sobre mim, como que a dizer: «Bem-vinda a casa.»
 
As lágrimas rasam-me os olhos… que saudade… nem eu tinha noção do seu tamanho.
 
E fui andando, olhando tudo como se fosse a primeira vez…
Pessoas que passam fixam-me, como se perguntassem: “Chora e sorri?!?”
 
Fui ao Majestic tomar café contigo, Pai… e houve um momento em que senti que, se esticasse o braço, te tocava.
 
Da emoção não falo, porque não sei descrevê-la por palavras.
 
Saí e deambulei por aquelas ruas. Está tão diferente, Pai… nem parece a nossa cidade… Falta-lhe o teu e o meu riso, que dizem ser tão iguais. Falta a mão que me dava segurança e me fazia sentir dona do mundo.
 
Caminho e apenas sorrio, porque a saudade não ri, apenas sorri por entre lágrimas…
 
Até breve… eu vou voltar mais vezes.
 

 

***
Publicado
2009-10-12 – Esta noite sonhei contigo 
nn(in)metamorphosis


Se saudade matasse…





 

Acho que hoje não estou bem
Tem algo que me aperta o peito
E aquela alegria superficial se vai devagarinho
Como as nuvens no céu
Eu poderia quebrar o espaço de tempo
Que há entre eu e tu
Mas já não acredito em magia


ah!... mas se saudade matasse...
o meu mundo desabaria por falta de ti


Sinto que hoje não é o meu dia
Sinto que estes anos não foram bons dias
Acho que se eu pulasse
Com todas as minhas forças
Eu poderia chegar até ti, num só segundo
E um piscar de olhos seria lento demais
Para acompanhar as batidas do meu peito
Ao voltar a ver-te


ah!... mas se saudade matasse...
o meu mundo desabaria por falta de ti


Porque, se saudade matasse…
África… eu já teria morrido


***
2008-11-12 - Se saudade matasse...
nn (in) metamorphosis



11/10/2009

Sonho-te Fogo






Mais uma noite, de olhar fixo no pensamento
Viajo ao imaginário
Perco-me no tempo e nas memórias
Ouço os passos que não dei

Desperto com o estalar do fogo
fogo que só tu sabes atear
E esse calor, invade o meu corpo
E aumenta em mim
uma chama difícil de conter ou dominar


***
2009-10-11- Sonho-te Fogo 2008-07-12
nn(in)metamorphosis



09/10/2009

Interrompe-se a solidão




Interrompe-se a solidão...

Quando em ti, encontro o meu espaço num abraço
No teu sorriso um abrigo

Quando tempo e espaço deixam de ter sentido
E em ti encontro um amigo

Interrompe-se a solidão

Se meu corpo encontra o teu
e no teu beijo me deparo com o meu desejo

Se no teu fogo fico sem fôlego
e o teu carinho espelha o meu


***
2009-09-30 - Interrompe-se a solidão
nn(in)metamorphosis



06/10/2009

Não sei


Não sei… dos outros nada sei.
Há muito que só falo por mim, e mesmo assim, tantas vezes de modo contraditório.
Perdida numa procura constante de me conhecer
 
Virgiana de signo, se é que isso quer dizer alguma coisa.
Realista, de pés no chão, pragmática… mas há horas em que a cabeça foge
vai para um mundo irreal, feito à medida
onde permaneço noite adentro, escondida
como se fosse a minha casa na árvore
 
Não tenho facilidade em dizer, em voz alta, o que sinto.
E de tanto querer explicar… acabo por complicar.
Também não sei se sei escrever, deixo apenas que pensamentos, sonhos, anseios, medos e vontades
se tornem palavra
para eu mesma ler
e, talvez, me entender
 
Há dias em que me sinto presa
acorrentada a um mundo que não entendo
nem me entende
 
Há outros em que me apetece ganhar asas
ter coragem de voar
 
E há ainda aqueles em que me aninho
nesse doce verbo: amar
 
Mas existem também dias de vazio
um vazio que não é falta de coisas
é falta de toque
de um sorriso
de um olhar
 
Um amigo deixou-me uma frase:
 
“Escrever muito, dizem, é sinal de angústia
e de debilidade em viver.
Ou será uma forma de evitar paixões,
ou de as saciar?”
 
E eu penso… talvez seja tudo isso junto
ou talvez não seja debilidade nenhuma
 
Talvez seja apenas isto:
 
alguém que sente fundo
que vive intensamente por dentro
e que escreve
não para fugir da vida
mas para a conseguir tocar
sem se perder nela



***
2009-10-06 - Não sei 2009-09-01 
nn(in)metamorphosis


05/10/2009

Por vezes



Por vezes, sinto-me perdida nestas encruzilhadas que a vida me propõe.
Por vezes sigo o caminho errado, para perceber se ainda me é dada a oportunidade de encontrar o certo.
 
Nestas caminhadas aprendi que há coisas que simplesmente não estão destinadas a acontecer, enquanto outras são inevitáveis, independentemente da vontade de as querer evitar.
 
Se a vida me magoa, caminho à chuva e deixo que as minhas lágrimas se misturem, ou sento-me ao sol e deixo que ele as evapore.
 
De um jeito ou de outro, levanto-me e sigo em frente, mesmo que, por vezes, leve apenas uma pequenina e ténue esperança de que, no meio de caminhos certos e errados, chegue ao fim de pé, sendo sempre eu.
 
Esta sou eu, com certezas, sonhos e contradições.
Estas são as minhas palavras, umas vezes entendidas, outras deturpadas, mas sempre minhas.


***
2009-10-05 - Por vezes 2009-08-25 
nn(in)metamorphosis


Soubera eu escrever



Soubera eu escrever
e dir-te-ia do instante
em que a tua mão no meu rosto
faz o mundo calar
 
Soubera eu escrever
e bastavam-me poucas palavras
para contar
como em cada toque teu
o meu corpo renasce
rio desmedido
corrente que me chama
e me quer inteira
 
Ah, soubera eu escrever

e confiar-te-ia os meus desejos
feitos de abraços demorados
de beijos sem fim
de todas as carícias por inventar
 
Mas não sei
 
E por isso guardo em silêncio
os suspiros que te pertencem
os pensamentos onde te repito
a vontade funda de te ter
 
Soubera eu escrever…
e dir-te-ia tudo
ou talvez
menos do que este sentir já diz



***
2009-10-05 - Soubera eu escrever 2009-08-23)
nn(in)metamorphosis


04/10/2009





Descobri em mim




Descobri em mim
um ser em constante descoberta de si

 Construo a minha identidade
nos trilhos da vida
e nas linhas dos meus escritos

 Neles encontro o meu sul e o meu norte
a direção que me orienta por dentro

 Descobri em mim outro lado
um lado lunar
feito de silêncio e de sombra
que também me habita

 

 

***

2009-10-04 - Descobri em mim
nn(in)metamorphosis


03/10/2009

Para mim


Alguém d´outras páginas
tão virtuais quanto estas
que me prendeu pela escrita
que eu aprendi a estimar
que não a conhecendo real
lhe nutro real amizade
fez-me saber
desta maneira
que a recíproca é verdadeira
 
-----
 
Para ti
Com todo carinho que eu possa ter
por tudo de bom que tu representas para mim
pelos nossos risos
pela nossa amizade
por eu te gostar tanto
 
Estas flores são para não esqueceres
de uma pessoa que nunca
se esquece de ti
mesmo longe
mesmo que não te fale sempre
mesmo sem te conhecer o bastante
 
Que estas flores
possam traduzir o meu carinho
e a minha admiração por ti
Adoro-te  noname
 
2009.05.02

-------

Para ti
 
Pelos serões de brincadeira
sem rumo… de maluqueira
também de sério falar
quantas vezes lagrimita no olhar
minha querida amiga
vamos continuar
 
Porque é urgente "palavra"
porque é urgente "brincar"
falar a verdade
sem medo e pensar
que a idade avança
mas há sempre lugar
p'ra soltar a criança
p'ra rir e saltar
 

Obrigada a TU por seres Mi(a)miga
 
***
2009-10-03 - Para mim (2009-05-02)
nn(in)metamorphosis


Ontem bateram-me à porta



 Ontem, bateram-me à porta

 — Quem é? — perguntei…

 — Sou eu!

 Vinha numa redoma branca, com nuances azuis e douradas, e um laço bem apertado. Olhei-a, amedrontada… Enchi-me de coragem e, com algum esforço, puxei-me por uma ponta, estiquei-me pela outra e, de repente, fiquei ali… parada em frente a mim… desembrulhada!

 Os meus olhos, abertos de espanto, renderam-se expectantes por um tempo indeterminado, até darmos connosco a chorar e a rir de emoção, por nos lembrarmos de nós, mas principalmente por nos reconhecermos.

 Que saudades…! Que saudades!!!

 Ontem, bateram-me à porta que abri. Era eu…inha numa redoma branca, com nuances azuis e douradas, e um laço bem apertado. Olhei-a, amedrontada… Enchi-me de coragem e, com algum esforço, puxei-me por uma ponta, estiquei-me pela outra e, de repente, fiquei ali… parada em frente a mim… desembrulhada!

 Os meus olhos, abertos de espanto, renderam-se expectantes por um tempo indeterminado, até darmos connosco a chorar e a rir de emoção, por nos lembrarmos de nós, mas principalmente por nos reconhecermos.

 Que saudades…! Que saudades!!!

 Ontem, bateram-me à porta que abri. Era eu…


***
2009-04-06 - Ontem bateram-me à porta
nn(in)metamorphosis


02/10/2009

Projectos vs Vida


A vida somos nós e as circunstâncias. Não me venham, pois, dizer que a vida é o que fazemos dela. Se assim fosse, não haveria vidas sofridas.
 
Imensas coisas acontecem para as quais não contribuímos em nada, mas acontecem na mesma e alteram toda uma vida ou parte dela. Os nossos ideais, os nossos sonhos e até a nossa maneira de pensar podem ser alterados.
 
Nem sempre isso é mau. Muitas vezes faz-nos crescer como seres humanos. Mas também pode ser castrante, ao ponto de nos esquecermos de nós próprios e passarmos a viver segundo essa mudança — uma mudança que não pedimos, não escolhemos, mas que fica, e à qual temos de arranjar forma de continuar a viver.
 
Quase ouço as tuas palavras, sim, as tuas, tu que me lês: “claro que não é assim, a vida fazemos e decidimos nós. Se não estou feliz, mudo.”
 
Também eu já falei assim, de peito feito e dona da verdade — uma verdade da idade em que o mundo parece pequeno demais para a nossa energia.
 
Mas diz-me: num caso de falta de saúde de alguém que amas, um amor visceral, para o qual não existe divórcio, pediste que isso acontecesse? Não. Mas acontece. E isso vira a tua vida do avesso.
 
Faz-te sofrer e, lentamente, substitui a vida que tinhas por uma guerra. Uma guerra de muitas lutas, sem escolha.
 
E sem escolha, não te dás conta de que a vida foi passando por ti. Ficas apenas a sobreviver, à espera de ganhar essa guerra, como se isso justificasse tudo.
 
Mas… e se a vida decide parar de lutar? Sim, ela pode parar. E deixa-te no meio do caminho, sem chão.
 
E então dás-te conta de que todas as pequenas vitórias que te seguravam deixam de ter peso.
 
Se te vês com uma luta que tens de continuar, mas já não tens com quem lutar… perdeste. E não foi por inércia, foi porque a vida assim o fez.
 
Perguntarás: e depois?
 
Depois vais ao fundo. Olhas à tua volta e sentes-te só. Se tiveres sorte, um dia vais encontrar-te a falar sozinha, a olhar o espelho e a perguntar: onde estás? O que foi feito de ti?
 
E, se continuares a ter sorte, vais encontrar força para ir atrás do que ainda pensas poder restar. Talvez ainda possas traçar um novo projeto de vida, onde o futuro se traduza em ser feliz aqui e agora… porque o fim já lá vem.

   
***
2009-03-04 - Projectos vs Vida
Postado 2009-10-02
nn(in)metamorphosis