19/01/2012
Silêncios Incendiários
26/12/2011
Sinto falta...
Sinto falta…
muita falta
daquele sorriso
que surge simplesmente
por pura felicidade
que iluminam o dia
com a luz que trazem
lá de dentro
do fundo do coração
da alma em festa...
24/12/2011
17/12/2011
Busco
02/12/2011
África
Saudade da terra que fascina,
Onde vi jogos de vida e morte,
Entre gentes de alma cristalina!
Provei teu chão, terra abençoada,
Mata hostil, repleta de surpresas,
Senti o calor da tua queimada,
E esse fogo deixou minh’alma acesa!
Teu povo, nativo, só me encantou,
Em cantos, lendas, saber alquebrado,
Tua côr e negrura meu sêr inundou,
Num breve romance, de sonhos bordado!
Bate no peito teu ritmo marcado,
Teu balanço embala o meu sêr,
Com batuque, qual hino encantado,
Da fibra e da força do teu vivêr!
Dás na dança, a imagem da vida,
Tradições, em teus sensuais maneios,
Na machamba, a tua comida,
E, na mata, teu fim, ... e teus meios!!
ÁFRICA ! ! !
Mário Resende
29/11/2011
Trajecto
Na vertigem do oceano
vagueio
sou ave que com o seu voo
se embriaga
Atravesso o reverso do céu
e num instante
eleva-se o meu coração sem peso
Como a desamparada pluma
subo ao reino da inconstância
para alojar a palavra inquieta
Na distância que percorro
eu mudo de ser
permuto de existência
surpreendo os homens
na sua secreta obscuridade
transito por quartos
de cortinados desbotados
e nas calcinadas mãos
que esculpiram o mundo
estremeço como quem desabotoa
Mia Couto
25/11/2011
Tic Tac
Saudade
n(in)metamorphosis
29/07/2011
Viajante fatigada
nn(in)metamorphosis
27/07/2011
Asas do Pensamento
Que até o mais insignificante dos meus actos seja o melhor de que fui capaz.
Preciso de sonhar, porque, se a isso renuncio, apaga-se a última luz e nada mais valerá a pena.
****
nn(in)metamorphosis
02/07/2011
Quando a noite cai em mim
Sob o negro do celeste tecto
há noites em que me perco de mim
A ausência torna-se abrigo
como se nela pudesse enfim descansar
Depois de
tantos anos de luta
restou um vazio quieto em mim
que me suspende num silêncio cansado
e nunca aprendo a nomear
Olho o vazio
das noites
e os passos já gastos no caminho
E há um embaraço fundo
em continuar a existir
quando já não sei como regressar a quem fui
***
16/03/2011
Rabisca Palavras
Rabisca palavras
no aconchego da noite
que é sua amiga
Rabisca na intimidade
do mesmo modo
que sonha
do mesmo modo
que ama
Passa a noite
chega o dia
Dissolve o cansaço
deixando-o passar
Põe
no olhar
o olhar de esperar
Pinta
na boca um sorriso
no rosto um rubor
e aguarda a noite
com a insónia ao lado
para rabiscar palavras
***
nn(in)metamorphosis
02/03/2011
Quando o dia finda
Quando o dia finda
e a noite cai
eu também…
A casa
continua igual
mesmo quando não se olha
Fica o copo
onde ficou
a luz onde sempre esteve
Enrosco-me em
mim
e a lua aparece
sem pedir lugar
E essa lua que
eu vejo
tu também…
como quem já viu muitas vezes
e não estranha
E é de todos
e é nossa…
como o que ficou
sem ter sido decidido
Quando o dia
finda
e a noite cai
eu também…
É quando eu sei
que tu existes
tu estás
como sempre estiveste
e eu… fico aqui
há coisas que
não se vão
nem se resolvem
ficam
como palavras antigas
que já não precisam de voz
e o silêncio
não pesa
encaixa
Quando o dia
finda
e a noite cai
eu também…
e a noite passa
sem surpresa
e nós também
***
nn(in)metamorphosis
27/02/2011
Quase ilusão
Lua Cheia
desperta
emoções
incendeia sem pedir licença
alegrias curtas
como faíscas no escuro
ilumina a
estrada
mas não promete destino
enche noites
vazias
de sonhos que não ficam
uivo de lobos
ao longe
amantes em órbita instável
prata fria no
céu
quase toque
quase ilusão
***
nn(in)metamorphosis
13/02/2011
Pimentinha
Quente
arisca
pavio de dinamite
Alimenta-se de
pimenta
em tempero vivo
sensível ao toque
Há um ponto de
ebulição
em rubra insinuação
sem pudor
Na ponta da
língua, o vestígio
na veste vermelha, a promessa
lasciva intenção em suspensão
Carne no ponto
de arder
***
28/01/2011
Estação sem Nome
quando já não se é Primavera
tão-pouco Inverno
Há um Outono demorado
na respiração do vento
no tombar lento das folhas
na forma como o tempo
se esculpe no rosto
e pesa sobre o corpo
Aprende-se, em silêncio
a fadiga dos dias
a medida exacta das horas
e a sombra das despedidas
Mas há sempre
num lugar que o tempo não alcança
um sol de Verão que permanece
É ele que aquece
as manhãs mais frias
que amadurece a esperança
e ilumina a travessia
entre aquilo que passou
e aquilo que ainda pode florescer
***
21/01/2011
É mesmo genial!!!
O que falta no texto ?
Sem nenhum tropeço, posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o português e fértil em recursos diversos, tudo permitindo, mesmo o que de início, e somente de início, se pode ter como impossível.
Pode-se dizer tudo com sentido completo, como se isto fosse mero ovo de Colombo.
Desde que se tente sem se pôr inibido, pode muito bem o leitor empreender este belo exercício, dentro do nosso fecundo e peregrino dizer português, puríssimo instrumento dos nossos melhores escritores e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento
Trechos difíceis se resolvem com sinônimos. Observe-se bem: é certo que, em se querendo, esgrime-se sem limites com este divertimento instrutivo.
Brinque-se mesmo com tudo. É um belíssimo esporte do intelecto, pois escrevemos o que quisermos sem o "E" ou sem o "I" ou sem o "O" e, conforme meu exclusivo desejo, escolherei outro, discorrendo livremente, por exemplo, sem o "P", "R" ou "F", ou o que quiser escolher. Podemos, em estilo corrente repetir sempre um som ou mesmo escrever sem verbos.
Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor melhor preferir. Porém mesmo sem o uso pernóstico dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objeto escolhido, sem impedimentos.
Deploro sempre ver moços deste século inconscientemente
esquecerem e oprimirem nosso português, hoje culto e belo, querendo substituí-lo pelo inglês.
Por quê?
Cultivemos nosso polifônico e fecundo verbo, doce e melodioso, porém incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, escrínio de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores.
Honremos o que é nosso, ó moços estudiosos, escritores e professores.
Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, pugilo de heróis e de nobres descobridores de mundos novos.
Descobriu?
Não?
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..
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O texto não tem a letra "a".
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Recebi e gostei da - GisleTwo
16/01/2011
Entre Margens
Há um silêncio
entre duas margens
um silêncio
fundo, lento
capaz de engolir cada palavra
antes do eco, antes do sentido
Há um minuto suspenso
entre cada gesto
mesmo quando o mesmo compasso
bate dentro do peito
Há uma distância invisível
sobre a pele
mesmo quando o abrigo dos braços
convida ao sono tranquilo
Talvez haja um lugar sem distância
um segundo
inteiro, intacto
um olhar absoluto
onde nenhuma ausência sobreviva
Talvez haja um silêncio perfeito
desses que dizem
tudo
sem pedir voz nem linguagem
tão sereno como
o descanso do entardecer
sobre cabelo iluminado
chamando o calor das mãos
E talvez nem os dedos
alcancem
esse breve milagre de tocar
nn(in)metamorphosis
13/01/2011
Parabens mãe
não trago presentes, presentes são apenas coisas,
trago o que vale a pena, sentimento num beijo com muita saudade.
01/01/2011
Feliz Ano Novo - 2011
Feliz Ano Novo
Não há mais champanhe
Feliz ano novo
Feliz ano novo
Desejo que tenhamos uma visão de agora e sempre
De um mundo onde cada vizinho é um amigo
Feliz ano novo
Feliz ano novo
Desejo que tenhamos nossas esperanças nossas vontades de tentar
Se nós não fizermos o que podemos, será como descansar e morrer
(...)
"A new year is coming...
Maybe one of these days it will come true..."
Um novo ano que começa ...
Então fecho os olhos, procuro fundo no meu coração e peço um desejo,
Talvez um destes dias se torne realidade...
24/12/2010
Hoje vou escrever-te
Hoje e sempre, da amiga
noname
12/12/2010
Muito mais que pão...
Talvez desta forma deixemos de ver tanta gente a correr e a lutar por um lugar à frente do contentor mais próximo.
Gritamo-nos “livres” e nem donos somos das sobras dos nossos estabelecimentos. Teve de haver uma autorização governamental para que pessoas de boa vontade pudessem contribuir para matar a fome de um país cada vez mais na penúria, resultado de governos “desgovernados” e corruptos, de governantes gordos e reluzentes nos seus fatos “Armani” e carros luxuosos comprados com o nosso dinheiro.
E falamos, falamos… mas nada fazemos neste país de bananas, governado por sacanas...
Hoje, muita da minha gente já terá uma refeição. Bem-haja aos benfeitores. Mas melhor do que isso seria o meu país ter trabalho e vencimentos dignos, para que cada um pudesse ganhar o seu próprio pão.
30/11/2010
Saudade de mim
Não tem uma cor
Saudade
Difícil de explicar
*****************
nn(in)metamorphosis
14/11/2010
Nem papai noel tem
A Gente Ficou Feliz a Rezar
Papai Noel Vê Se Você Tem
A Felicidade Pra Você Me Dar
Eu Pensei Que Todo Mundo
Fosse Filho De Papai Noel
Bem Assim Felicidade
Eu Pensei Que Fosse Uma
Brincadeira De Papel
Já Faz Tempo Que Pedi
Mas o Meu Papai Noel Não Vem
Com Certeza Já Morreu
Ou Então Felicidade
É Brinquedo Que Não Tem
Autor: Assis Valente
07/11/2010
E é o teu... o meu olhar
sonho comigo
deitada…
com estrelas nos cabelos
e nos olhos, madrugadas
como queria ser sonhada
meio a sonhar
procuro-me
tento encontrar-me
olho o espelho
o meu olhar
***
06/11/2010
Delirios
nos braços de enlaços feitos
faz dela rainha dos actos
coloca-lhe grinalda perfumada
de flores do campo, algas e sargaços
de sentir a pulsação de lés a lés
ergue-se no íntimo como musa
cede ao incontido desejo
de ser de tudo
estrofe, poema, livro aberto
tempestade, bonança, mundo secreto
revolta, saliva no céu da boca
nos poros de corpos fundidos e nus
em céu aberto de estrelas
e o sol despenha-se em delírios
nn(in)metamorphosis
09/10/2010
Cheia de Nada
na imensidão perde-se o pensamento
Silêncio… inexistência
ecoam memórias de paixão
sonhos confundem-se com verdade… imaginação
mas a dor da indiferença que fere
deixando na boca um gosto de fel… amargura.
pintam-se estrelas de tristeza
A ausência enlouquece… dormência
irrefutável prova
da ausência… consequência
24/09/2010
O Medo de Sentir
Fui com uma amiga que é amiga de uma médica/sexóloga, algo assim. Ela ia dar uma conferência, ou algo dito em inglês que soa fino, sobre “O Medo de sentir”.
E não é que até foi interessante. Vou tentar resumir, por palavras minhas o tanto que se disse naquela sala.
***
Há quem ame com clareza por dentro, mas se perca no instante em que o amor se aproxima de verdade.
Não é falta de sentimento.
Pelo contrário.
O sentimento existe inteiro, vivo, reconhecível.
O que falha é a passagem desse sentir para o gesto, para a presença, para a entrega no momento certo.
Como se, diante da proximidade, algo mudasse de lugar. Como se a pessoa deixasse de conseguir habitar aquilo que sente e passasse a observar-se de fora, sem conseguir agir a partir de si.
E então vem a frase mais difícil de explicar:
“eu amo, mas quando chega a hora não sou eu”.
Não é ausência. Não é indiferença.
É bloqueio.
É uma espécie de interrupção entre o interior e o exterior, entre o que se sente e o que se consegue viver.
E isso não se resolve com força de vontade nem com explicações simples. Não é falta de coragem. Muitas vezes é excesso de proteção.
Talvez por isso não seja uma questão de amar mais ou menos, mas de aprender a permanecer dentro do que se sente quando ele se torna real.
PS: Ninguém levantou a mão, quando solicitado, mas muitos quiseram o número de telefone do consultório. Parece que não há só medo de sentir, também há o de assumir.
19/09/2010
Quando te invento
penso-te em cada palavra
que por mim é inventada
que se repete
como quem te cria enquanto te procura
sem saber se isso existe
em cada toque que não aconteceu
como quem se aproxima do que ainda não tem nome
beijo-te no silêncio que te inventa
15/09/2010
Gosto
Gosto do sol a reflectir nas paredes
e da chuva a bater nas janelas
e do cheiro a terra molhada
e do longínquo do horizonte
e das palavras ditas em surdina
e das lágrimas que se afagam
da água do chuveiro
num sofá que é para um
e do agarre forte de duas mãos
para se encontrarem num só
mas prefiro-o com paixão
de surpresas e dias diferentes
que a verdadeira partilha oferece
servem para me sentar nelas
e da concretização do acto
e de regressar com recordações
e quedar-me no deleite
de quem já me deu sorrisos
sem nunca desviar o olhar
e de juras que se cumprem
mesmo que nunca sejas meu
do desejo intenso e da mistura que os compõe
e guardá-lo para mais tarde
acredito-a romântica e afago-a no que sou
e da mensagem que me transmite
e dos defeitos que lhes apuram as qualidades
e de acreditar que posso ser melhor
e muitas vezes de quem não me gosta
do que tenho para dar
e do que mereço receber














