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19/01/2012

Silêncios Incendiários

Há momentos em que amordaço as palavras
aquelas que queimam tudo o que tocam…  
e vivo o silêncio.


***
2012-01-19 - Silêncios Incendiários
nn(in)metamorphosis


26/12/2011

Sinto falta...




Sinto falta… 
muita falta
daquele sorriso
que surge simplesmente
por pura felicidade


dos que teimam em escapar
pelos cantos da boca
que iluminam o dia
com a luz que trazem
lá de dentro
do fundo do coração
da alma em festa...

*****
2011.12.26
nn (in) metamorphosis

17/12/2011

Busco



Busco nos olhos o gosto do sorriso...

Busco no toque o gosto da pele...

Busco no cheiro a sensibilidade da alma...

Busco em cada noite fria o calor do dia...

Busco no dia o fresco da noite, mas sem perder o brilho da manhã...


*****
17.12.2011
nn (in) metamorphosis

02/12/2011

África

Sinto no peito bater tão forte,
Saudade da terra que fascina,
Onde vi jogos de vida e morte,
Entre gentes de alma cristalina!
 
Provei teu chão, terra abençoada,
Mata hostil, repleta de surpresas,
Senti o calor da tua queimada,
E esse fogo deixou minh’alma acesa!
 
Teu povo, nativo, só me encantou,
Em cantos, lendas, saber alquebrado,
Tua côr e negrura meu sêr inundou,
Num breve romance, de sonhos bordado!
 
Bate no peito teu ritmo marcado,
Teu balanço embala o meu sêr,
Com batuque, qual hino encantado,
Da fibra e da força do teu vivêr!
 
Dás na dança, a imagem da vida,
Tradições, em teus sensuais maneios,
Na machamba, a tua comida,
E, na mata, teu fim, ... e teus meios!!
ÁFRICA ! ! !


Mário Resende




Poema enviado por: Blog 6ª feira


***
2011-12-02 - Àfrica
nn(in)metamorphosis


29/11/2011

Trajecto



Na vertigem do oceano
vagueio
sou ave que com o seu voo
se embriaga
Atravesso o reverso do céu
e num instante
eleva-se o meu coração sem peso
Como a desamparada pluma
subo ao reino da inconstância
para alojar a palavra inquieta
Na distância que percorro
eu mudo de ser
permuto de existência
surpreendo os homens
na sua secreta obscuridade
transito por quartos
de cortinados desbotados
e nas calcinadas mãos
que esculpiram o mundo
estremeço como quem desabotoa
Mia Couto



Poema e imagem enviado por: Fernando Martinho


***
2011-11-29 - Mia Couto "Projectos" - Recebi e Gostei
nn(in)metamorphosis



25/11/2011

Tic Tac


Tic tac Corre o tempo 
Tic tac Tão veloz 
Tic tac Sem lamento 
Tic tac Atrás de nós 

Tic tac Onde vais? 
Tic tac Vivo a vida 
Tic tac E o amor?
Tic tac É sem medida 

Tic tac Onde paramos? 
Tic tac Não sabemos 
Tic tac E o sentido? 
Tic tac É só vivermos 

Tic tac Parece pouco 
Tic tac Mas é tanto! 
Tic tac num sorriso 
Tic tac ou até pranto 

Tic tac e descansar? 
Tic tac O ar não espera 
Tic tac Vive a voar 
Tic tac Logo é quimera 

Tic tac E quanto tempo 
Tic tac Dura uma vida 
Tic tac Dura o momento 
Tic tac e é despedida...


******
2011-11-25 - Tic Tac
nn(in)metamorphosis



Saudade


Não é difícil falar de saudade,... 
É doloroso vivê-la... 
E difícil amá-la quando deixa dilacerado e em pedaços o coração



***
2011-11-25 - Saudade
n(in)metamorphosis



29/07/2011

Viajante fatigada


Viajante fatigada
E de meu, não tenho nada
 
Só a saudade estafada
Só a tristeza agressiva
Que me abate a cada instante
Que leva meu sopro de vida
  
Sou o sul não tendo o norte  
Sou solidão ambulante
Das tristezas desta vida
Só me livra a própria morte
 
Viajante fatigada
E de meu, não tenho nada
Mas esse nada… é meu!

***
2011-07-28 - Viajante fatigada
nn(in)metamorphosis




27/07/2011

Asas do Pensamento


Preciso de sonhar: de escapar nas asas livres do pensamento, longe desse espírito de rebanho que insiste, teimosamente, em delimitar-me, seja no que for.
Que até o mais insignificante dos meus actos seja o melhor de que fui capaz.
Preciso de sonhar, porque, se a isso renuncio, apaga-se a última luz e nada mais valerá a pena.




****

2011-07-27 – Asas do Pensamento
nn(in)metamorphosis



02/07/2011

Quando a noite cai em mim


Sob o negro do celeste tecto
há noites em que me perco de mim
A ausência torna-se abrigo
como se nela pudesse enfim descansar

Depois de tantos anos de luta
restou um vazio quieto em mim
que me suspende num silêncio cansado
e nunca aprendo a nomear

Olho o vazio das noites
e os passos já gastos no caminho
E há um embaraço fundo
em continuar a existir
quando já não sei como regressar a quem fui

 

 

***

2011-07-01 – Quando a noite cai em mim
nn(in)metamorphosis


16/03/2011

Rabisca Palavras


Rabisca palavras
no aconchego da noite
que é sua amiga

Rabisca na intimidade
do mesmo modo
que sonha
do mesmo modo
que ama

Passa a noite
chega o dia

Dissolve o cansaço
deixando-o passar

Põe
no olhar
o olhar de esperar

Pinta
na boca um sorriso
no rosto um rubor

e aguarda a noite
com a insónia ao lado
para rabiscar palavras

 

***

2011-03-15 – Rabisca Palavras 
nn(in)metamorphosis


02/03/2011

Quando o dia finda

imagem manipulada por mim

Quando o dia finda
e a noite cai
eu também…

A casa continua igual
mesmo quando não se olha

Fica o copo onde ficou
a luz onde sempre esteve

Enrosco-me em mim
e a lua aparece
sem pedir lugar

E essa lua que eu vejo
tu também…
como quem já viu muitas vezes
e não estranha

E é de todos
e é nossa…
como o que ficou
sem ter sido decidido

Quando o dia finda
e a noite cai
eu também…

É quando eu sei
que tu existes
tu estás
como sempre estiveste
e eu… fico aqui

há coisas que não se vão
nem se resolvem

ficam
como palavras antigas
que já não precisam de voz

e o silêncio não pesa
encaixa

Quando o dia finda
e a noite cai
eu também…

e a noite passa
sem surpresa

e nós também



***

2011-03-02 – Quando o dia finda 
nn(in)metamorphosis


27/02/2011

Quase ilusão



Lua Cheia

desperta emoções
incendeia sem pedir licença

alegrias curtas
como faíscas no escuro

ilumina a estrada
mas não promete destino

enche noites vazias
de sonhos que não ficam

uivo de lobos ao longe
amantes em órbita instável

prata fria no céu
quase toque
quase ilusão

 

***

2011-02-26 – Quase ilusão - LLunar
nn(in)metamorphosis


13/02/2011

Pimentinha


Quente
arisca
pavio de dinamite

Alimenta-se de pimenta
em tempero vivo
sensível ao toque

Há um ponto de ebulição
em rubra insinuação
sem pudor

Na ponta da língua, o vestígio
na veste vermelha, a promessa
lasciva intenção em suspensão

Carne no ponto
de arder

 

***

2011-02.13 – Pimentinha 
nn(in)metamorphosis


28/01/2011

Estação sem Nome

Qual a estação em que se vive
quando já não se é Primavera
tão-pouco Inverno

Há um Outono demorado
na respiração do vento
no tombar lento das folhas
na forma como o tempo
se esculpe no rosto
e pesa sobre o corpo

Aprende-se, em silêncio
a fadiga dos dias
a medida exacta das horas
e a sombra das despedidas

Mas há sempre
num lugar que o tempo não alcança
um sol de Verão que permanece

É ele que aquece
as manhãs mais frias
que amadurece a esperança
e ilumina a travessia

entre aquilo que passou
e aquilo que ainda pode florescer

 

***

2011-01-28 – Estação sem Nome
nn(in)metamorphosis


21/01/2011

É mesmo genial!!!


Tem que saber ler com paciência. Óptimo exercício!

O que falta no texto ? 
Tente achar, antes de ver a resposta (no final)...


Sem nenhum tropeço, posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o português e fértil em recursos diversos, tudo permitindo, mesmo o que de início, e somente de início, se pode ter como impossível.
Pode-se dizer tudo com sentido completo, como se isto fosse mero ovo de Colombo.
Desde que se tente sem se pôr inibido, pode muito bem o leitor empreender este belo exercício, dentro do nosso fecundo e peregrino dizer português, puríssimo instrumento dos nossos melhores escritores e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento
Trechos difíceis se resolvem com sinônimos. Observe-se bem: é certo que, em se querendo, esgrime-se sem limites com este divertimento instrutivo.
Brinque-se mesmo com tudo. É um belíssimo esporte do intelecto, pois escrevemos o que quisermos sem o "E" ou sem o "I" ou sem o "O" e, conforme meu exclusivo desejo, escolherei outro, discorrendo livremente, por exemplo, sem o "P", "R" ou "F", ou o que quiser escolher. Podemos, em estilo corrente repetir sempre um som ou mesmo escrever sem verbos.
Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor melhor preferir. Porém mesmo sem o uso pernóstico dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objeto escolhido, sem impedimentos.
Deploro sempre ver moços deste século inconscientemente
esquecerem e oprimirem nosso português, hoje culto e belo, querendo substituí-lo pelo inglês.
Por quê?
Cultivemos nosso polifônico e fecundo verbo, doce e melodioso, porém incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, escrínio de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores.
Honremos o que é nosso, ó moços estudiosos, escritores e professores.
Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, pugilo de heróis e de nobres descobridores de mundos novos.







Descobriu?




Não?




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..
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O texto não tem a letra "a".


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Recebi e gostei da - GisleTwo


16/01/2011

Entre Margens


Há um silêncio entre duas margens

um silêncio fundo, lento
capaz de engolir cada palavra
antes do eco, antes do sentido

Há um minuto suspenso

entre cada gesto
mesmo quando o mesmo compasso
bate dentro do peito

Há uma distância invisível

sobre a pele
mesmo quando o abrigo dos braços
convida ao sono tranquilo

Talvez haja um lugar sem distância

um segundo inteiro, intacto
um olhar absoluto
onde nenhuma ausência sobreviva

Talvez haja um silêncio perfeito

desses que dizem tudo
sem pedir voz nem linguagem

tão sereno como o descanso do entardecer
sobre cabelo iluminado
chamando o calor das mãos

E talvez nem os dedos alcancem
esse breve milagre de tocar



***
2011-01-16 - Há um Silêncio
nn(in)metamorphosis


13/01/2011

Parabens mãe



Hoje comemoras mais um aniversário, parabéns mãe,
não trago presentes, presentes são apenas coisas,
trago o que vale a pena, sentimento num beijo com muita saudade.


***
2011-01-13 - Parabéns mãe
nn(in)metamorphosis


01/01/2011

Feliz Ano Novo - 2011




Feliz Ano Novo

Não há mais champanhe
E os fogos acabaram
Aqui estamos, tu e eu
Sentindo-nos perdidos e tristes
Esse é o fim da festa
E a manhã parece tão cinzenta
Tão diferente de ontem
Agora é o momento de dizermos

Feliz ano novo
Feliz ano novo

Desejo que tenhamos uma visão de agora e sempre
De um mundo onde cada vizinho é um amigo

Feliz ano novo
Feliz ano novo

Desejo que tenhamos nossas esperanças nossas vontades de tentar
Se nós não fizermos o que podemos, será como descansar e morrer
Tu e eu
(...)

"A new year is coming...
So close my eyes, find deeply in my heart and make a wish, a secret wish...Who knows?
Maybe one of these days it will come true..."

Um novo ano que começa ...
Então fecho os olhos, procuro fundo no meu coração e peço um desejo,
um desejo secreto ... Quem sabe?

Talvez um destes dias se torne realidade...

Feliz Ano Novo
para mim... para ti...


***
2011-01-01 - Feliz Ano Novo 2011
nn(in)metamorphosis


24/12/2010

Hoje vou escrever-te


Hoje vou escrever-te, com o sabor de outros tempos… nestes novos e virtuais, perdeu-se o hábito do correio em envelope selado e papel de linhas, onde se escrevia em boa caligrafia, e se dizia de nós e se perguntava de vós…

Havia o papel normal, onde se falava da cidade, da aldeia, do cinema, das colheitas, da vida quotidiana afinal… O de avião para os distantes da vista e perto do coração. O de fantasia, por vezes, até perfumado, usado pelo enamorado e o aerograma que alegrava a vida do soldado.

Mas, hoje…

Hoje trago-te o sabor e o cheirinho a filhós a coscorões, bolo rei e rabanadas que tinha o cartão de Boas Festas, com votos de mil coisas boas, desejadas.

Hoje, deixei o e-mail de lado e escrevo para ti, à moda antiga, usando caneta e papel para te desejar um Feliz Natal, um Ano Novo cheio de realizações...
e faço-o de modo sentido, sem copy past de uma qualquer frase feita  e usada por milhões, hoje para ti, aquele abraço aquele beijo.


Hoje e sempre, da amiga
noname


***
2010-12-24 - Hoje vou escrever-te
nn-metamorphosis


12/12/2010

Muito mais que pão...


Hoje, foi autorizado aos restaurantes darem as comidas sobrantes a quem precisa.
Talvez desta forma deixemos de ver tanta gente a correr e a lutar por um lugar à frente do contentor mais próximo.
Gritamo-nos “livres” e nem donos somos das sobras dos nossos estabelecimentos. Teve de haver uma autorização governamental para que pessoas de boa vontade pudessem contribuir para matar a fome de um país cada vez mais na penúria, resultado de governos “desgovernados” e corruptos, de governantes gordos e reluzentes nos seus fatos “Armani” e carros luxuosos comprados com o nosso dinheiro.
E falamos, falamos… mas nada fazemos neste país de bananas, governado por sacanas...
Hoje, muita da minha gente já terá uma refeição. Bem-haja aos benfeitores. Mas melhor do que isso seria o meu país ter trabalho e vencimentos dignos, para que cada um pudesse ganhar o seu próprio pão.


Melhor que dar o peixe é ensinar a pescar


***
2010-12-12 - Muito mais que pão
nn(in)metamorphosis


30/11/2010

Saudade de mim


Saudade
Um estranho sentimento

Não tem uma cor
tem todas as cores
Não tem um sabor
tem todos os sabores
Não tem um som
tem todos os sons
Até mesmo o do silêncio…

Saudade
Um estranho sentimento

Difícil de explicar
não tem hora p’ra chegar
aninha-se de mansinho
Difícil de definir
não tem hora p’ra partir
e se parte,
parte bem devagarinho


p’ra voltar num outro dia
trazendo melancolia…


*****************
nn(in)metamorphosis
2010.11.30









14/11/2010

Nem papai noel tem

Anoiteceu, o Sino Gemeu
A Gente Ficou Feliz a Rezar
Papai Noel Vê Se Você Tem
A Felicidade Pra Você Me Dar


Eu Pensei Que Todo Mundo
Fosse Filho De Papai Noel
Bem Assim Felicidade
Eu Pensei Que Fosse Uma
Brincadeira De Papel


Já Faz Tempo Que Pedi
Mas o Meu Papai Noel Não Vem
Com Certeza Já Morreu
Ou Então Felicidade
É Brinquedo Que Não Tem



Autor: Assis Valente



07/11/2010

E é o teu... o meu olhar


Por vezes
sonho comigo
deitada…
com estrelas nos cabelos
e nos olhos, madrugadas
 
Sonho comigo
como queria ser sonhada
 
E quando acordo
meio a sonhar
procuro-me
tento encontrar-me
olho o espelho
 
e é o teu…
o meu olhar



***

2010-11-07 - E é o teu... o meu olhar
nn(in)metamorphosis


06/11/2010

Delirios


Acolhe-a
nos braços de enlaços feitos
faz dela rainha dos actos
coloca-lhe grinalda perfumada
de flores do campo, algas e sargaços
 
Mitiga-lhe a sede antiga
de sentir a pulsação de lés a lés
ergue-se no íntimo como musa
cede ao incontido desejo
de ser de tudo
estrofe, poema, livro aberto
tempestade, bonança, mundo secreto
 
Água em explosão, solta
revolta, saliva no céu da boca
nos poros de corpos fundidos e nus
em céu aberto de estrelas
 
Mostra a lua através dos olhos
e o sol despenha-se em delírios


***

2010-11-06 – Delírios 
nn(in)metamorphosis


09/10/2010

Cheia de Nada

Apetece-me...
despir-me de roupas e de calçado, fechar os olhos, enrolar-me em mim mesma e
simplesmente não pensar.


 
Apaga-se a luz das estrelas
na imensidão perde-se o pensamento
Silêncio… inexistência
 
Na ausência permanece o amor
ecoam memórias de paixão
sonhos confundem-se com verdade… imaginação
 
Não é o peso da ausência que mata
mas a dor da indiferença que fere
deixando na boca um gosto de fel… amargura.
 
Tinge-se o céu de negro
pintam-se estrelas de tristeza
A ausência enlouquece… dormência
 
Na solidão, o olhar
irrefutável prova
da ausência… consequência

 


***
2010-10-09 – Cheia de Nada 
nn(in)metamorphosis


24/09/2010

O Medo de Sentir


Fui com uma amiga que é amiga de uma médica/sexóloga, algo assim. Ela ia dar uma conferência, ou algo dito em inglês que soa fino, sobre “O Medo de sentir”.
E não é que até foi interessante. Vou tentar resumir, por palavras minhas o tanto que se disse naquela sala.

 ***
 Há quem ame com clareza por dentro, mas se perca no instante em que o amor se aproxima de verdade.
 
Não é falta de sentimento. 
Pelo contrário.
O sentimento existe inteiro, vivo, reconhecível.
O que falha é a passagem desse sentir para o gesto, para a presença, para a entrega no momento certo.
 
Como se, diante da proximidade, algo mudasse de lugar. Como se a pessoa deixasse de conseguir habitar aquilo que sente e passasse a observar-se de fora, sem conseguir agir a partir de si.
 
E então vem a frase mais difícil de explicar:
“eu amo, mas quando chega a hora não sou eu”.
 
Não é ausência. Não é indiferença.
É bloqueio.
É uma espécie de interrupção entre o interior e o exterior, entre o que se sente e o que se consegue viver.
 
E isso não se resolve com força de vontade nem com explicações simples. Não é falta de coragem. Muitas vezes é excesso de proteção.
 
Talvez por isso não seja uma questão de amar mais ou menos, mas de aprender a permanecer dentro do que se sente quando ele se torna real.
 
PS: Ninguém levantou a mão, quando solicitado,  mas muitos quiseram o número de telefone do consultório. Parece que não há só medo de sentir, também há o de assumir.


***
2010-09-24 - O Medo de Sentir
nn(in)metamorphosis


19/09/2010

Quando te invento



Quando te invento…
penso-te em cada palavra
que por mim é inventada
 
e há em mim um querer sem forma
que se repete
 
Sonho-te a cada pensar
como quem te cria enquanto te procura
 
Sinto-te no que imagino
sem saber se isso existe
 
Quero-te em cada gesto pensado
em cada toque que não aconteceu
 
e vou vestindo ousadia
como quem se aproxima do que ainda não tem nome
 
Toco-te na ideia de ti
beijo-te no silêncio que te inventa


***
2010-09-19 - Quando te invento
nn(in)metamorphosis



15/09/2010

Gosto


Gosto do sol a reflectir nas paredes
e da chuva a bater nas janelas
 
Gosto de andar descalça
e do cheiro a terra molhada
 
Gosto do marulhar do mar
e do longínquo do horizonte
 
Gosto das expressões do silêncio
e das palavras ditas em surdina
 
Gosto dos sorrisos que se cruzam
e das lágrimas que se afagam
 
Gosto das carícias
da água do chuveiro
 
Gosto de sentar a dois
num sofá que é para um
 
Gosto do toque subtil da pele
e do agarre forte de duas mãos
 
Gosto de corpos que se perdem
para se encontrarem num só
 
Gosto de sexo com ternura
mas prefiro-o com paixão
 
Gosto da rotina salpicada
de surpresas e dias diferentes
 
Gosto da simplicidade
que a verdadeira partilha oferece
 
Gosto das pedras do caminho
servem para me sentar nelas
 
Gosto da palavra pensada
e da concretização do acto
 
Gosto de sair sem destino
e de regressar com recordações
 
Gosto de parar o tempo
e quedar-me no deleite
 
Gosto de beber das lágrimas
de quem já me deu sorrisos
 
Gosto de olhar fundo nos olhos
sem nunca desviar o olhar
 
Gosto da paixão ardente
e de juras que se cumprem
 
Gosto de pensar que existes
mesmo que nunca sejas meu
 
Gosto do toque suave
do desejo intenso e da mistura que os compõe
 
Gosto de sonhar um beijo agora
e guardá-lo para mais tarde
 
Gosto da melancolia
acredito-a romântica e afago-a no que sou
 
Gosto da mortalidade
e da mensagem que me transmite
 
Gosto das pessoas
e dos defeitos que lhes apuram as qualidades
 
Gosto de ser como sou
e de acreditar que posso ser melhor
 
Gosto de quem gosta de mim
e muitas vezes de quem não me gosta
 
Gosto de mim
do que tenho para dar
e do que mereço receber



***
2010-09-15 - Gosto
nn(in)metamorphosis