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01/05/2026

Alegria comum não grita... sussurra

 

Pouco se escreve sobre a alegria quer pelo escrevinhador comum, quer pelos autores de nome gravado a ouro.
 
Procurei e encontrei uns pouquinhos como:
 
Alberto Caeiro: aceitação tranquila da vida como ela é.
Sophia de Mello Breyner Andresen: luz, mar, ordem simples do mundo.
 
e uns completamente desconhecidos para mim
 
Walt Whitman: entusiasmo vital, corpo, natureza
Mary Oliver: beleza nas pequenas coisas
  
“A alegria simples é, paradoxalmente, uma das coisas mais difíceis de escrever bem.”
 
Conclusão:
Eu não me importo nada de não escrever bem, porque dou muito mais valor ao que me faz sentir bem.
 
Alegria comum não grita… sussurra
 
e é por isso que poucos a ouvem
passa leve
como o vapor do café numa manhã qualquer
como o som de roupa estendida ao vento
 
chega sem fanfarra
não pede atenção
não bate à porta
 
encosta-se
devagarinho
no instante
 
é um corpo cansado
que ainda assim se estende ao sol
é o pão partido sem pressa
entre mãos que já sabem o caminho
 
ninguém escreve grandes epopeias sobre isto
ninguém ergue estátuas ao dia banal
e no entanto
é aqui que a vida persiste
 
não no auge
não no grito
mas nesta espécie de respiração tranquila
 
quase nada
quase tudo
 
a alegria comum não grita… sussurra
e só fica
com quem aprende
a baixar o ruído do mundo
o suficiente
para a deixar entrar

 

***
2026-05-01 - Alegria comum não grita… sussurra 
nn(in)metamorphosis


2 comentários:

  1. Vou 'versejar':
    A vida é bela, nós é que damos cabo dela.
    Gostou, estimada dona no? ;)

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    Respostas
    1. Gostei pois!
      Mas acrescento:
      Quando nós não conseguimos
      Vem alguém que se encarrega de o fazer
      Não rima?
      Quero lá saber!

      Bom dia, sô António :-)

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