Pouco se escreve sobre a alegria quer pelo escrevinhador comum, quer pelos autores de nome gravado a ouro.
Procurei e encontrei uns pouquinhos como:
Alberto Caeiro: aceitação tranquila da vida como ela é.
Sophia de Mello Breyner Andresen: luz, mar, ordem simples do mundo.
e uns completamente desconhecidos para mim
Walt Whitman: entusiasmo vital, corpo, natureza
Mary Oliver: beleza nas pequenas coisas
“A alegria simples é, paradoxalmente, uma das coisas mais difíceis de escrever bem.”
Conclusão:
Eu não me importo nada de não escrever bem, porque dou muito mais valor ao que me faz sentir bem.
Alegria comum não grita… sussurra
e é por isso que poucos a ouvem
passa leve
como o vapor do café numa manhã qualquer
como o som de roupa estendida ao vento
chega sem fanfarra
não pede atenção
não bate à porta
encosta-se
devagarinho
no instante
é um corpo cansado
que ainda assim se estende ao sol
é o pão partido sem pressa
entre mãos que já sabem o caminho
ninguém escreve grandes epopeias sobre isto
ninguém ergue estátuas ao dia banal
e no entanto
é aqui que a vida persiste
não no auge
não no grito
mas nesta espécie de respiração tranquila
quase nada
quase tudo
a alegria comum não grita… sussurra
e só fica
com quem aprende
a baixar o ruído do mundo
o suficiente
para a deixar entrar
***
2026-05-01 - Alegria comum não grita… sussurra
nn(in)metamorphosis
nn(in)metamorphosis
Vou 'versejar':
ResponderEliminarA vida é bela, nós é que damos cabo dela.
Gostou, estimada dona no? ;)
Gostei pois!
EliminarMas acrescento:
Quando nós não conseguimos
Vem alguém que se encarrega de o fazer
Não rima?
Quero lá saber!
Bom dia, sô António :-)