Alguém me diz quando o calor chega de vez.
Quando é que deixamos finalmente de sair de casa com
um casaco “só para o caso de”. Quando é que as manhãs deixam de enganar e as noites
começam a pedir ruas cheias, pele descoberta e janelas abertas até tarde.
Quando é que os casacos voltam ao roupeiro para
descansar, como soldados cansados depois de uma longa batalha contra o vento e
a chuva. Encostados, silenciosos, como quem ainda não acredita que a guerra
acabou.
Porque hoje o céu chorou como se lhe tivesse morrido
a família toda de uma vez.
As nuvens vestiram-se de cinzento fechado, quase
luto, e a temperatura desceu como se o calendário estivesse a brincar connosco.
A primavera aparece e desaparece, sem estabilidade.
Toca ao verão, mas ainda não entra.
Os vestidos de algodão continuam à espera. As
sandálias também. E até nós vamos ficando atentos a qualquer brecha de luz, a
qualquer promessa de calor que ainda não se cumpre.
Não nos bastava o mundo ao estalo, faltava-nos
também estações em discussão.
Só espero que um dia, sem aviso, o verão ganhe.
***
2026-06-09 - Estações em discussão
nn(in)metamorphosis
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