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20/05/2026

Na maresia do mundo

 



Não sou poeta
nem sei ler poesia
Sou gente comum
que escreve o que sente
e sente o mundo na maresia

 
Todos os dias têm poesia
mesmo quando ninguém repara
 
ela esconde-se nas coisas pequenas
num copo de água pousado à pressa
no som leve de passos ao longe
na luz que entra sem pedir licença
 
Quando não a vejo
fecho os olhos
não para fugir
mas para escutar melhor o mundo
 
E então sinto
 
o vento a dançar sem corpo
o tempo a respirar devagar
o silêncio a dizer tudo
 
Talvez a poesia seja isso
não algo raro
 
mas algo que só aparece
quando ficamos quietos
o suficiente para sentir

 
***
2026-05-20 – Na maresia do mundo 
nn(in)metamorphosis


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