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24/09/2010

O Medo de Sentir


Fui com uma amiga que é amiga de uma médica/sexóloga, algo assim. Ela ia dar uma conferência, ou algo dito em inglês que soa fino, sobre “O Medo de sentir”.
E não é que até foi interessante. Vou tentar resumir, por palavras minhas o tanto que se disse naquela sala.

 ***
 Há quem ame com clareza por dentro, mas se perca no instante em que o amor se aproxima de verdade.
 
Não é falta de sentimento. 
Pelo contrário.
O sentimento existe inteiro, vivo, reconhecível.
O que falha é a passagem desse sentir para o gesto, para a presença, para a entrega no momento certo.
 
Como se, diante da proximidade, algo mudasse de lugar. Como se a pessoa deixasse de conseguir habitar aquilo que sente e passasse a observar-se de fora, sem conseguir agir a partir de si.
 
E então vem a frase mais difícil de explicar:
“eu amo, mas quando chega a hora não sou eu”.
 
Não é ausência. Não é indiferença.
É bloqueio.
É uma espécie de interrupção entre o interior e o exterior, entre o que se sente e o que se consegue viver.
 
E isso não se resolve com força de vontade nem com explicações simples. Não é falta de coragem. Muitas vezes é excesso de proteção.
 
Talvez por isso não seja uma questão de amar mais ou menos, mas de aprender a permanecer dentro do que se sente quando ele se torna real.
 
PS: Ninguém levantou a mão, quando solicitado,  mas muitos quiseram o número de telefone do consultório. Parece que não há só medo de sentir, também há o de assumir.


***
2010-09-24 - O Medo de Sentir
nn(in)metamorphosis


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