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20/05/2011

Saiem-me dos olhos



Dos olhos saiem-me boca, braços, mãos, pele e temperaturas várias
Saiem-me beijos maduros com odores de praia e de mar…
Saiem-me desejos…
Dos teus saiem linhas sinuosas
que descendo convergem para o ponto onde o mar é mais denso
onde as ondas que aí se formam se enrolam e fluem
como se tudo fosse uma única dor...
de um único prazer... de um alimento… onde gemo, onde flutuo..

Sinto-me deslizar entre os teus lábios
e perco-me no fundo do fundo,
onde a carne pulsante agoniza em espasmos e prazer...
Reconhecerei o teu nome
no momento em que a tua boca em concha, na minha sedenta,
dividir o espólio da abordagem no alto mar,
que é meu esse mar ainda pelo sal que me sabe

*****
nn(in)metamorphosis
                        2011.05.20


16/03/2011

Rabisca na noite

Rabisca palavras
no aconchego da noite
que é sua amiga
Escritas em solidão
do mesmo modo
que sonha,
do mesmo modo
que ama
Passa a noite
Chega o dia
Aniquila a tristeza
deixando-a passar
Põe,
no olhar,
o olhar de esperar
Pinta,
na boca um sorriso
no rosto um rubor

e
Rabisca na noite
quereres e sabores
e
Palavras de amor


 *****
nn(in)metamorphosis
2011.03.15

02/03/2011

Quando o dia finda

imagem manipulada por mim

Quando o dia finda
e a noite cai
Eu também…
Fica um silêncio gritando
no ar…
Enrosco-me em mim
e vejo a lua chegar
quando há…
E essa lua que eu vejo
Tu também…
E é de todos
E é nossa…
Quando o dia finda
e a noite cai
Eu também…
É quando eu sei
que tu existes
e eu…

*****
nn(in)metamorphosis
 2011.03.02





27/02/2011

Lua cheia, Lua de lobos



Lua Cheia
que desperta emoções
que incendeia
que traz alegrias
que ilumina a estrada
que preenche de sonhos as noites vazias
Lua do uivo dos lobos
amantes, constantes
Lua prateada, doce, encantada
Lua que brilha sem cessar
Lua Cheia que provoca
os mais profundos e loucos desejos
nos seres eloquentes,
desejos insanos, carentes…


*****
nn(in)metamorphosis
2011.02.26




13/02/2011

Pimentinha


Quente
arisca
pavio de dinamite
alimento-me com pimenta
temperadamente
sensível ao toque
atinjo ponto de ebulição
em rubra insinuação
sem pudor
na ponta da língua o gosto
na veste vermelha que despida
exibe lasciva intenção
carne no ponto
de arder


*****
nn(in)metamorphosis
2011.02.13


29/01/2011

Loucura anormal


Um voo no escuro,
uma ascensão pirética da carne, cuspo, lágrimas...
a picada adrenalínica dum corpo no outro,
a velocidade agoniante e ébria da cópula,
o frémito, o estertor da explosão ácida e libidinosa,
há tanto tempo...
vivo nessa ânsia bêbada, num estado de semi-loucura,
da demanda inacabada,
almas sedentas do toque da pele,
da essência do desejo,
duma loucura anormal.


******
nn(in)metamorphosis
2011.01.28


 nn-(in)metamorphosis





28/01/2011

Qual a estação ?

Qual a estação em que me encontro?
não sou já Primavera, tão pouco sou Inverno
sinto a respiração do vento e o tombar das folhas do Outono.
Como definir esta passagem?
percebo a mudança do vento e o passar do tempo
nas marcas do meu rosto, na fadiga do meu corpo
todavia, acalenta-me o coração
o sol do Verão

*****
2011.01.28
nn-(in)-metamorphosis


21/01/2011

É mesmo genial!!!

Tem que saber ler com paciência. Óptimo exercício!

O que falta no texto ? Tente achar, antes de ver a resposta (no final)...






Sem nenhum tropeço, posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o português e fértil em recursos diversos, tudo permitindo, mesmo o que de início, e somente de início, se pode ter como impossível.
Pode-se dizer tudo com sentido completo, como se isto fosse mero ovo de Colombo.
Desde que se tente sem se pôr inibido, pode muito bem o leitor empreender este belo exercício, dentro do nosso fecundo e peregrino dizer português, puríssimo instrumento dos nossos melhores escritores e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento
Trechos difíceis se resolvem com sinônimos. Observe-se bem: é certo que, em se querendo, esgrime-se sem limites com este divertimento instrutivo.
Brinque-se mesmo com tudo. É um belíssimo esporte do intelecto, pois escrevemos o que quisermos sem o "E" ou sem o "I" ou sem o "O" e, conforme meu exclusivo desejo, escolherei outro, discorrendo livremente, por exemplo, sem o "P", "R" ou "F", ou o que quiser escolher. Podemos, em estilo corrente repetir sempre um som ou mesmo escrever sem verbos.
Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor melhor preferir. Porém mesmo sem o uso pernóstico dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objeto escolhido, sem impedimentos.
Deploro sempre ver moços deste século inconscientemente
esquecerem e oprimirem nosso português, hoje culto e belo, querendo substituí-lo pelo inglês.
Por quê?
Cultivemos nosso polifônico e fecundo verbo, doce e melodioso, porém incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, escrínio de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores.
Honremos o que é nosso, ó moços estudiosos, escritores e professores.
Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, pugilo de heróis e de nobres descobridores de mundos novos.






Descobriu?




Não?




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..
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O texto não tem a letra "a".





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Recebi e gostei da - GisleTwo


16/01/2011

Há um silêncio...

Há um silêncio entre nós. Um silêncio que engole todas as palavras que dizemos um ao outro. Há um minuto que nos separa, mesmo quando o nosso tempo se compassa num mesmo bater de coração. Há um espaço que nos afasta, mesmo quando os meus braços são as conchas onde adormeces. Talvez haja um lugar, um segundo, para nós. Um olhar perfeito. Talvez haja um silêncio que diga tudo o que as palavras não dizem, e esse silêncio seja tão feliz como o repousar do pôr-do-sol nos teus cabelos, chamando as minhas mãos... E talvez os meus dedos não cheguem para lhes tocar.


*****
2011.01.16

15/01/2011

Inventada esperança


Vivo numa inventada esperança que um dia pode ser melhor... é inventada e sei disso. E sei que nunca será melhor, sabendo que podia ser... mas nunca encontrei a chave que faria mudar essa condição. A vida é tão complexa na sua singeleza, que saber que falta algo, já não causa dor, só estranheza…

*****
2010.01.13
nn-(in)-metamorphosis




13/01/2011

Parabens mãe


Hoje comemoras mais um aniversário, parabens mãe,
não trago presentes, presentes são apenas coisas,
trago o que vale a pena, sentimento num beijo com muita saudade.


*****
2011.01.13
metamorphosis


06/01/2011

Que futuro?


Serão porventura alunos resultantes das alucinações sócrates, no ensino, e por azar deles, bastará que um, com um olho, apareça e se eleja rei, tornando-lhes o futuro bem mais negro que o nosso. Para além de incultos, quando os olho, parecem-me completamente alienados da realidade em que vivem os pais e o país.

Obrigatório que em cada frase haja pelo menos 3 ou 4 palavrões, muitos yas, cenas e curtes.
São os maiores com um telemóvel de ultima geração, reúnem-se mas não se falam, antes teclam desenfreadamentte, usando uma escrita dizem, cybernauta, que passam para os bancos da escola;
um portátil ao ombro, também vai muito bem e dá um ar cool;
uns trapos de marca , que dão de comer ao espanhóis, mas eles espanhóis não os vestem;
uns trocos para uns shots e ou umas pastilhas, porque é fino embedar-se e dizer,  ya meu aquele pó é sideral;
Ah!!! e que hajam umas "pitas/chavalos" para curtir... e para se sentirem felizes e realizados, nada mais necessitam  os nossos futuros governantes e governados.
De mentes e horizontes curtos, serão o rebanho ideal para o próximo, quem sabe, sócrates II.



**********

Respostas de Alunos em Exames


1) Galileu (1564-1642) foi condenado à morte porque foi o 1º a fazer a terra andar à volta.
2) Um braço de mar é um pedaço de mar em forma de braço.
3) O exemplo do Titanic serve para demonstrar a agressividade dos icebergs.
4) Os 4 pontos cardeais são a direita, a esquerda, em baixo e em cima.
5) A França tem 60 milhões de habitantes entre os quais muitos animais.
6) A 2ª guerra mundial foi um período de paz e de prosperidade para a Alemanha.
7) A 11 de Novembro, ao comemorar-se o Armistício da 1ª guerra mundial, o presidente condecora os pais do soldado desconhecido. 8) Na guerra de 1914 a 1918, os soldados morriam várias vezes, primeiro por causa das bombas, e depois porque lhes davam lama para comer.
9) Os rios correm sempre no sentido da água.
10) Um quadrado é um rectângulo que tem um ângulo direito em todos os lados.
11) Um quadrado é um rectângulo um pouco mais curto.
12) O zero é o único número que permite contar até 1.
13) Um septuagenário é um losango de 7 lados.
14) Todos os números pares podem dividir-se por zero.
15) Uma linha recta torna-se curva quando vira.
16) Um compasso utiliza-se para medir os ângulos do círculo.
17) Uma raiz quadrada é uma raiz com 4 ângulos iguais.
18) Os chineses utilizam as suas bolas para fazer contas.
19) Para fazer uma divisão, é preciso multiplicar uma subtracção .
20) O álcool permite tornar a água potável.
21) Uma tonelada pesa pelo menos 100 Kg, se ela for pesada.
22) O desembarque na Normandia teve lugar nas praias de Inglaterra.
23) A primeira guerra mundial fez uma dezena de mortos mas só do lado alemão.
24) As bombas atómicas são inofensivas quando servem para fabricar electricidade.
25) Se não se estragassem, as máquinas não seriam humanas.
26) Um relógio divide-se em 12 fusos horários de igual intensidade.
27) Arquimedes foi o 1º a provar que uma banheira podia flutuar.
28) A datação com o carbono 14 permite saber se alguém morreu na guerra.
29) No cinema mudo, os actores falavam com palavras que escreviam por baixo dos filmes.
30) O cinema era uma energia ainda desconhecida no século XIX.
31) Um litro de água a 20ºC + um litro de água a 20ºC = 2 litros de água a 40ºC.
32) Os agricultores, nem sempre foram pessoas coléricas que queimavam pneus e batatas.
33) Uma língua morta é uma língua que só é falada pelos mortos.
34) Victor Hugo escrevia livros para os pobres miseráveis.
35) Em todos os quadros pintados vê-se bem que Napoleão escondia a sua grande barriga com a mão.
36) A gramática não serve para nada porque é muito difícil de perceber.
37) Napoleão é sobrinho do seu avô.
38) Antes da guilhotina, os condenados à morte eram executados na cadeira eléctrica.
39) A guerra dos 100 anos durou de 1914 a 1918.
40) Uma biblioteca é como um cemitério para os livros velhos.
41) Nero servia-se dos cristãos para fazer lâmpadas, ateando-lhes fogo.
42) A leitura permite ao homem tornar-se míope...
43) Os latinos falavam o grego antigo.
44) A leitura é feita para aqueles que não gostam de escrever.
45) O livro de bolso foi inventado por Gutenberg.



E NOS BOLETINS ESCOLARES, ESCRITOS PELOS PROFESSORES:


'Chegou ao fundo, mas continua a escavar....'
'Em progressos rápidos para o zero absoluto! '
'Tem as pretensões de um cavalo de corrida e os resultados de um burro.'
'Participa muito... No bom ambiente da turma.'
'Por vezes volta-se para olhar para o quadro.'
'Dorme na aula, sobre o teclado ou o tapete do rato, segundo a urgência.'
'Só acorda para ir tomar café ao intervalo.'
'Alguns progressos, mas continua nulo.'
'Por vezes deixa de ir tomar café para ir às aulas.'
'Faz enormes esforços... Para se aproximar da janela'
'Num boletim de 12º ano: 'Sabe ler, em breve saberá escrever.'



***
2011-01-06 - Que Futuro?
nn(in)metamorphosis


01/01/2011

Feliz Ano Novo - 2011




Feliz Ano Novo

Não há mais champanhe
E os fogos acabaram
Aqui estamos, tu e eu
Sentindo-nos perdidos e tristes
Esse é o fim da festa
E a manhã parece tão cinzenta
Tão diferente de ontem
Agora é o momento de dizermos

Feliz ano novo
Feliz ano novo

Desejo que tenhamos uma visão de agora e sempre
De um mundo onde cada vizinho é um amigo

Feliz ano novo
Feliz ano novo

Desejo que tenhamos nossas esperanças nossas vontades de tentar
Se nós não fizermos o que podemos, será como descansar e morrer
Tu e eu
(...)

"A new year is coming...
So close my eyes, find deeply in my heart and make a wish, a secret wish...Who knows?
Maybe one of these days it will come true..."

Um novo ano que começa ...
Então fecho os olhos, procuro fundo no meu coração e peço um desejo,
um desejo secreto ... Quem sabe?

Talvez um destes dias se torne realidade...

Feliz Ano Novo
para mim... para ti...


***
2011-01-01 - Feliz Ano Novo 2011
nn(in)metamorphosis


24/12/2010

Hoje vou escrever-te


Hoje vou escrever-te, com o sabor de outros tempos… nestes novos e virtuais, perdeu-se o hábito do correio em envelope selado e papel de linhas, onde se escrevia em boa caligrafia, e se dizia de nós e se perguntava de vós…

Havia o papel normal, onde se falava da cidade, da aldeia, do cinema, das colheitas, da vida quotidiana afinal… O de avião para os distantes da vista e perto do coração. O de fantasia, por vezes, até perfumado, usado pelo enamorado e o aerograma que alegrava a vida do soldado.

Mas, hoje…

Hoje trago-te o sabor e o cheirinho a filhós a coscorões, bolo rei e rabanadas que tinha o cartão de Boas Festas, com votos de mil coisas boas, desejadas.

Hoje, deixei o e-mail de lado e escrevo para ti, à moda antiga, usando caneta e papel para te desejar um Feliz Natal, um Ano Novo cheio de realizações...
e faço-o de modo sentido, sem copy past de uma qualquer frase feita  e usada por milhões, hoje para ti, aquele abraço aquele beijo.


Hoje e sempre, da amiga
noname


***
2010-12-24 - Hoje vou escrever-te
nn-metamorphosis


12/12/2010

Muito mais que pão...


Hoje, foi autorizado aos restaurantes darem as comidas sobrantes a quem precisa.
Talvez desta forma deixemos de ver tanta gente a correr e a lutar por um lugar à frente do contentor mais próximo.
Gritamo-nos “livres” e nem donos somos das sobras dos nossos estabelecimentos. Teve de haver uma autorização governamental para que pessoas de boa vontade pudessem contribuir para matar a fome de um país cada vez mais na penúria, resultado de governos “desgovernados” e corruptos, de governantes gordos e reluzentes nos seus fatos “Armani” e carros luxuosos comprados com o nosso dinheiro.
E falamos, falamos… mas nada fazemos neste país de bananas, governado por sacanas...
Hoje, muita da minha gente já terá uma refeição. Bem-haja aos benfeitores. Mas melhor do que isso seria o meu país ter trabalho e vencimentos dignos, para que cada um pudesse ganhar o seu próprio pão.


Melhor que dar o peixe é ensinar a pescar


***
2010-12-12 - Muito mais que pão
nn(in)metamorphosis


30/11/2010

Saudade de mim


Saudade
Um estranho sentimento

Não tem uma cor
tem todas as cores
Não tem um sabor
tem todos os sabores
Não tem um som
tem todos os sons
Até mesmo o do silêncio…

Saudade
Um estranho sentimento

Difícil de explicar
não tem hora p’ra chegar
aninha-se de mansinho
Difícil de definir
não tem hora p’ra partir
e se parte,
parte bem devagarinho


p’ra voltar num outro dia
trazendo melancolia…


*****************
nn(in)metamorphosis
2010.11.30









14/11/2010

Nem papai noel tem

Anoiteceu, o Sino Gemeu
A Gente Ficou Feliz a Rezar
Papai Noel Vê Se Você Tem
A Felicidade Pra Você Me Dar


Eu Pensei Que Todo Mundo
Fosse Filho De Papai Noel
Bem Assim Felicidade
Eu Pensei Que Fosse Uma
Brincadeira De Papel


Já Faz Tempo Que Pedi
Mas o Meu Papai Noel Não Vem
Com Certeza Já Morreu
Ou Então Felicidade
É Brinquedo Que Não Tem



Autor: Assis Valente



07/11/2010

E é o teu... o meu olhar


Por vezes
sonho comigo
deitada…
com estrelas nos cabelos
e nos olhos, madrugadas
 
Sonho comigo
como queria ser sonhada
 
E quando acordo
meio a sonhar
procuro-me
tento encontrar-me
olho o espelho
 
e é o teu…
o meu olhar



***

2010-11-07 - E é o teu... o meu olhar
nn(in)metamorphosis


06/11/2010

Delirios


Acolhe-a
nos braços de enlaços feitos
faz dela rainha dos actos
coloca-lhe grinalda perfumada
de flores do campo, algas e sargaços
 
Mitiga-lhe a sede antiga
de sentir a pulsação de lés a lés
ergue-se no íntimo como musa
cede ao incontido desejo
de ser de tudo
estrofe, poema, livro aberto
tempestade, bonança, mundo secreto
 
Água em explosão, solta
revolta, saliva no céu da boca
nos poros de corpos fundidos e nus
em céu aberto de estrelas
 
Mostra a lua através dos olhos
e o sol despenha-se em delírios


***

2010-11-06 – Delírios 
nn(in)metamorphosis


09/10/2010

Cheia de Nada

Apetece-me...
despir-me de roupas e de calçado, fechar os olhos, enrolar-me em mim mesma e
simplesmente não pensar.


 
Apaga-se a luz das estrelas
na imensidão perde-se o pensamento
Silêncio… inexistência
 
Na ausência permanece o amor
ecoam memórias de paixão
sonhos confundem-se com verdade… imaginação
 
Não é o peso da ausência que mata
mas a dor da indiferença que fere
deixando na boca um gosto de fel… amargura.
 
Tinge-se o céu de negro
pintam-se estrelas de tristeza
A ausência enlouquece… dormência
 
Na solidão, o olhar
irrefutável prova
da ausência… consequência

 


***
2010-10-09 – Cheia de Nada 
nn(in)metamorphosis


24/09/2010

O Medo de Sentir


Fui com uma amiga que é amiga de uma médica/sexóloga, algo assim. Ela ia dar uma conferência, ou algo dito em inglês que soa fino, sobre “O Medo de sentir”.
E não é que até foi interessante. Vou tentar resumir, por palavras minhas o tanto que se disse naquela sala.

 ***
 Há quem ame com clareza por dentro, mas se perca no instante em que o amor se aproxima de verdade.
 
Não é falta de sentimento. 
Pelo contrário.
O sentimento existe inteiro, vivo, reconhecível.
O que falha é a passagem desse sentir para o gesto, para a presença, para a entrega no momento certo.
 
Como se, diante da proximidade, algo mudasse de lugar. Como se a pessoa deixasse de conseguir habitar aquilo que sente e passasse a observar-se de fora, sem conseguir agir a partir de si.
 
E então vem a frase mais difícil de explicar:
“eu amo, mas quando chega a hora não sou eu”.
 
Não é ausência. Não é indiferença.
É bloqueio.
É uma espécie de interrupção entre o interior e o exterior, entre o que se sente e o que se consegue viver.
 
E isso não se resolve com força de vontade nem com explicações simples. Não é falta de coragem. Muitas vezes é excesso de proteção.
 
Talvez por isso não seja uma questão de amar mais ou menos, mas de aprender a permanecer dentro do que se sente quando ele se torna real.
 
PS: Ninguém levantou a mão, quando solicitado,  mas muitos quiseram o número de telefone do consultório. Parece que não há só medo de sentir, também há o de assumir.


***
2010-09-24 - O Medo de Sentir
nn(in)metamorphosis


19/09/2010

Quando te invento



Quando te invento…
penso-te em cada palavra
que por mim é inventada
 
e há em mim um querer sem forma
que se repete
 
Sonho-te a cada pensar
como quem te cria enquanto te procura
 
Sinto-te no que imagino
sem saber se isso existe
 
Quero-te em cada gesto pensado
em cada toque que não aconteceu
 
e vou vestindo ousadia
como quem se aproxima do que ainda não tem nome
 
Toco-te na ideia de ti
beijo-te no silêncio que te inventa


***
2010-09-19 - Quando te invento
nn(in)metamorphosis



15/09/2010

Gosto


Gosto do sol a reflectir nas paredes
e da chuva a bater nas janelas
 
Gosto de andar descalça
e do cheiro a terra molhada
 
Gosto do marulhar do mar
e do longínquo do horizonte
 
Gosto das expressões do silêncio
e das palavras ditas em surdina
 
Gosto dos sorrisos que se cruzam
e das lágrimas que se afagam
 
Gosto das carícias
da água do chuveiro
 
Gosto de sentar a dois
num sofá que é para um
 
Gosto do toque subtil da pele
e do agarre forte de duas mãos
 
Gosto de corpos que se perdem
para se encontrarem num só
 
Gosto de sexo com ternura
mas prefiro-o com paixão
 
Gosto da rotina salpicada
de surpresas e dias diferentes
 
Gosto da simplicidade
que a verdadeira partilha oferece
 
Gosto das pedras do caminho
servem para me sentar nelas
 
Gosto da palavra pensada
e da concretização do acto
 
Gosto de sair sem destino
e de regressar com recordações
 
Gosto de parar o tempo
e quedar-me no deleite
 
Gosto de beber das lágrimas
de quem já me deu sorrisos
 
Gosto de olhar fundo nos olhos
sem nunca desviar o olhar
 
Gosto da paixão ardente
e de juras que se cumprem
 
Gosto de pensar que existes
mesmo que nunca sejas meu
 
Gosto do toque suave
do desejo intenso e da mistura que os compõe
 
Gosto de sonhar um beijo agora
e guardá-lo para mais tarde
 
Gosto da melancolia
acredito-a romântica e afago-a no que sou
 
Gosto da mortalidade
e da mensagem que me transmite
 
Gosto das pessoas
e dos defeitos que lhes apuram as qualidades
 
Gosto de ser como sou
e de acreditar que posso ser melhor
 
Gosto de quem gosta de mim
e muitas vezes de quem não me gosta
 
Gosto de mim
do que tenho para dar
e do que mereço receber



***
2010-09-15 - Gosto
nn(in)metamorphosis


13/09/2010

Jogos


ONTEM e HOJE
 SEM NUNCA PERDER ACTUALIDADE. 
Usado por homens e mulheres, num jogo que raramente não deixa atrás de si, sentimentos de raiva, de vergonha, de medo, e de desacreditar no ser humano.




Passam-te nas redes
como jogo ou aposta
 
Falam
trilham
 
caminho a teu lado
em prosas nocturnas
numa transparência
de céu nublado
 
o trunfo é de copas
como convém
no jogo jogado
 
derrubam barreiras
de incertezas e medos
distribuindo um jogo
que já vem viciado
 
e deixam que ganhes
e baixes as guardas
 
e quando já pensam
ter o jogo na mão
investem forte
preparam o bote
mas
 
se um volte de sorte
 
desaparece o interesse
volta o jogo à banca
desculpas esfarrapadas
 
e é questão de tempo
que na mesa bata, num
estrondoso silêncio 
o
Ás de espadas

 Sabes, “amigo/a”
 
nem sempre nas redes
caímos na rede
 
de olhar atento
volta-se ao que era
vivendo sem jogo
a vida nas calmas
 
ganhaste? perdeste?
 
Não
Só te enganaste


Tudo na vida serve de ensinamento a quem quiser aprender


a minha visão acerca de algumas "amizades" virtuais (ou não)


***
2010-09-13 - Jogos
nn(in)metamorphosis