nn(in)metamorphosis
02/03/2011
Quando o dia finda
nn(in)metamorphosis
27/02/2011
Quase ilusão
Lua Cheia
desperta
emoções
incendeia sem pedir licença
alegrias curtas
como faíscas no escuro
ilumina a
estrada
mas não promete destino
enche noites
vazias
de sonhos que não ficam
uivo de lobos
ao longe
amantes em órbita instável
prata fria no
céu
quase toque
quase ilusão
***
nn(in)metamorphosis
13/02/2011
Pimentinha
Quente
arisca
pavio de dinamite
Alimenta-se de
pimenta
em tempero vivo
sensível ao toque
Há um ponto de
ebulição
em rubra insinuação
sem pudor
Na ponta da
língua, o vestígio
na veste vermelha, a promessa
lasciva intenção em suspensão
Carne no ponto
de arder
***
28/01/2011
Estação sem Nome
quando já não se é Primavera
tão-pouco Inverno
Há um Outono demorado
na respiração do vento
no tombar lento das folhas
na forma como o tempo
se esculpe no rosto
e pesa sobre o corpo
Aprende-se, em silêncio
a fadiga dos dias
a medida exacta das horas
e a sombra das despedidas
Mas há sempre
num lugar que o tempo não alcança
um sol de Verão que permanece
É ele que aquece
as manhãs mais frias
que amadurece a esperança
e ilumina a travessia
entre aquilo que passou
e aquilo que ainda pode florescer
***
21/01/2011
É mesmo genial!!!
O que falta no texto ?
Sem nenhum tropeço, posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o português e fértil em recursos diversos, tudo permitindo, mesmo o que de início, e somente de início, se pode ter como impossível.
Pode-se dizer tudo com sentido completo, como se isto fosse mero ovo de Colombo.
Desde que se tente sem se pôr inibido, pode muito bem o leitor empreender este belo exercício, dentro do nosso fecundo e peregrino dizer português, puríssimo instrumento dos nossos melhores escritores e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento
Trechos difíceis se resolvem com sinônimos. Observe-se bem: é certo que, em se querendo, esgrime-se sem limites com este divertimento instrutivo.
Brinque-se mesmo com tudo. É um belíssimo esporte do intelecto, pois escrevemos o que quisermos sem o "E" ou sem o "I" ou sem o "O" e, conforme meu exclusivo desejo, escolherei outro, discorrendo livremente, por exemplo, sem o "P", "R" ou "F", ou o que quiser escolher. Podemos, em estilo corrente repetir sempre um som ou mesmo escrever sem verbos.
Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor melhor preferir. Porém mesmo sem o uso pernóstico dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objeto escolhido, sem impedimentos.
Deploro sempre ver moços deste século inconscientemente
esquecerem e oprimirem nosso português, hoje culto e belo, querendo substituí-lo pelo inglês.
Por quê?
Cultivemos nosso polifônico e fecundo verbo, doce e melodioso, porém incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, escrínio de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores.
Honremos o que é nosso, ó moços estudiosos, escritores e professores.
Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, pugilo de heróis e de nobres descobridores de mundos novos.
Descobriu?
Não?
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..
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O texto não tem a letra "a".
***
Recebi e gostei da - GisleTwo
16/01/2011
Entre Margens
Há um silêncio
entre duas margens
um silêncio
fundo, lento
capaz de engolir cada palavra
antes do eco, antes do sentido
Há um minuto suspenso
entre cada gesto
mesmo quando o mesmo compasso
bate dentro do peito
Há uma distância invisível
sobre a pele
mesmo quando o abrigo dos braços
convida ao sono tranquilo
Talvez haja um lugar sem distância
um segundo
inteiro, intacto
um olhar absoluto
onde nenhuma ausência sobreviva
Talvez haja um silêncio perfeito
desses que dizem
tudo
sem pedir voz nem linguagem
tão sereno como
o descanso do entardecer
sobre cabelo iluminado
chamando o calor das mãos
E talvez nem os dedos
alcancem
esse breve milagre de tocar
nn(in)metamorphosis
13/01/2011
Parabens mãe
não trago presentes, presentes são apenas coisas,
trago o que vale a pena, sentimento num beijo com muita saudade.
01/01/2011
Feliz Ano Novo - 2011
Feliz Ano Novo
Não há mais champanhe
Feliz ano novo
Feliz ano novo
Desejo que tenhamos uma visão de agora e sempre
De um mundo onde cada vizinho é um amigo
Feliz ano novo
Feliz ano novo
Desejo que tenhamos nossas esperanças nossas vontades de tentar
Se nós não fizermos o que podemos, será como descansar e morrer
(...)
"A new year is coming...
Maybe one of these days it will come true..."
Um novo ano que começa ...
Então fecho os olhos, procuro fundo no meu coração e peço um desejo,
Talvez um destes dias se torne realidade...
24/12/2010
Hoje vou escrever-te
Hoje e sempre, da amiga
noname
12/12/2010
Muito mais que pão...
Talvez desta forma deixemos de ver tanta gente a correr e a lutar por um lugar à frente do contentor mais próximo.
Gritamo-nos “livres” e nem donos somos das sobras dos nossos estabelecimentos. Teve de haver uma autorização governamental para que pessoas de boa vontade pudessem contribuir para matar a fome de um país cada vez mais na penúria, resultado de governos “desgovernados” e corruptos, de governantes gordos e reluzentes nos seus fatos “Armani” e carros luxuosos comprados com o nosso dinheiro.
E falamos, falamos… mas nada fazemos neste país de bananas, governado por sacanas...
Hoje, muita da minha gente já terá uma refeição. Bem-haja aos benfeitores. Mas melhor do que isso seria o meu país ter trabalho e vencimentos dignos, para que cada um pudesse ganhar o seu próprio pão.
30/11/2010
Saudade de mim
Não tem uma cor
Saudade
Difícil de explicar
*****************
nn(in)metamorphosis
14/11/2010
Nem papai noel tem
A Gente Ficou Feliz a Rezar
Papai Noel Vê Se Você Tem
A Felicidade Pra Você Me Dar
Eu Pensei Que Todo Mundo
Fosse Filho De Papai Noel
Bem Assim Felicidade
Eu Pensei Que Fosse Uma
Brincadeira De Papel
Já Faz Tempo Que Pedi
Mas o Meu Papai Noel Não Vem
Com Certeza Já Morreu
Ou Então Felicidade
É Brinquedo Que Não Tem
Autor: Assis Valente
07/11/2010
E é o teu... o meu olhar
sonho comigo
deitada…
com estrelas nos cabelos
e nos olhos, madrugadas
como queria ser sonhada
meio a sonhar
procuro-me
tento encontrar-me
olho o espelho
o meu olhar
***
06/11/2010
Delirios
nos braços de enlaços feitos
faz dela rainha dos actos
coloca-lhe grinalda perfumada
de flores do campo, algas e sargaços
de sentir a pulsação de lés a lés
ergue-se no íntimo como musa
cede ao incontido desejo
de ser de tudo
estrofe, poema, livro aberto
tempestade, bonança, mundo secreto
revolta, saliva no céu da boca
nos poros de corpos fundidos e nus
em céu aberto de estrelas
e o sol despenha-se em delírios
nn(in)metamorphosis
09/10/2010
Cheia de Nada
na imensidão perde-se o pensamento
Silêncio… inexistência
ecoam memórias de paixão
sonhos confundem-se com verdade… imaginação
mas a dor da indiferença que fere
deixando na boca um gosto de fel… amargura.
pintam-se estrelas de tristeza
A ausência enlouquece… dormência
irrefutável prova
da ausência… consequência
24/09/2010
O Medo de Sentir
Fui com uma amiga que é amiga de uma médica/sexóloga, algo assim. Ela ia dar uma conferência, ou algo dito em inglês que soa fino, sobre “O Medo de sentir”.
E não é que até foi interessante. Vou tentar resumir, por palavras minhas o tanto que se disse naquela sala.
***
Há quem ame com clareza por dentro, mas se perca no instante em que o amor se aproxima de verdade.
Não é falta de sentimento.
Pelo contrário.
O sentimento existe inteiro, vivo, reconhecível.
O que falha é a passagem desse sentir para o gesto, para a presença, para a entrega no momento certo.
Como se, diante da proximidade, algo mudasse de lugar. Como se a pessoa deixasse de conseguir habitar aquilo que sente e passasse a observar-se de fora, sem conseguir agir a partir de si.
E então vem a frase mais difícil de explicar:
“eu amo, mas quando chega a hora não sou eu”.
Não é ausência. Não é indiferença.
É bloqueio.
É uma espécie de interrupção entre o interior e o exterior, entre o que se sente e o que se consegue viver.
E isso não se resolve com força de vontade nem com explicações simples. Não é falta de coragem. Muitas vezes é excesso de proteção.
Talvez por isso não seja uma questão de amar mais ou menos, mas de aprender a permanecer dentro do que se sente quando ele se torna real.
PS: Ninguém levantou a mão, quando solicitado, mas muitos quiseram o número de telefone do consultório. Parece que não há só medo de sentir, também há o de assumir.
19/09/2010
Quando te invento
penso-te em cada palavra
que por mim é inventada
que se repete
como quem te cria enquanto te procura
sem saber se isso existe
em cada toque que não aconteceu
como quem se aproxima do que ainda não tem nome
beijo-te no silêncio que te inventa
15/09/2010
Gosto
Gosto do sol a reflectir nas paredes
e da chuva a bater nas janelas
e do cheiro a terra molhada
e do longínquo do horizonte
e das palavras ditas em surdina
e das lágrimas que se afagam
da água do chuveiro
num sofá que é para um
e do agarre forte de duas mãos
para se encontrarem num só
mas prefiro-o com paixão
de surpresas e dias diferentes
que a verdadeira partilha oferece
servem para me sentar nelas
e da concretização do acto
e de regressar com recordações
e quedar-me no deleite
de quem já me deu sorrisos
sem nunca desviar o olhar
e de juras que se cumprem
mesmo que nunca sejas meu
do desejo intenso e da mistura que os compõe
e guardá-lo para mais tarde
acredito-a romântica e afago-a no que sou
e da mensagem que me transmite
e dos defeitos que lhes apuram as qualidades
e de acreditar que posso ser melhor
e muitas vezes de quem não me gosta
do que tenho para dar
e do que mereço receber
13/09/2010
Jogos
como jogo ou aposta
trilham
em prosas nocturnas
numa transparência
de céu nublado
como convém
no jogo jogado
de incertezas e medos
distribuindo um jogo
que já vem viciado
e baixes as guardas
ter o jogo na mão
investem forte
preparam o bote
mas
volta o jogo à banca
desculpas esfarrapadas
que na mesa bata, num
estrondoso silêncio
o
caímos na rede
volta-se ao que era
vivendo sem jogo
a vida nas calmas
Tudo na vida serve de ensinamento a quem quiser aprender
12/09/2010
Quisera ser Àgua
Água
retida, tremente
nas tuas mãos em concha
e escorrer por
teu corpo quente
Água
fluido morno
trocado em deleite
suspiros e gemidos
em cama de amantes
num entardecer
Água
resto de sede saciada
de beijo e prazer
sobre a pele
adormecer
nn(in)metamorphosis
11/09/2010
O Som do Silêncio
há um silêncio
onde a alma repousa em paz
existem palavras
como mãos de luz na neblina
conversa-se com sombras
e há um silêncio de amor
que reconhece o ser inteiro
em calma funda
e desperta na aurora
quando o silêncio se abre
sobre o silêncio da dor
a nota mais alta
06/09/2010
Cansadamente Viva
E, mesmo que viessem bordadas a ouro, isso não lhes daria maior valor.
Por essas e muitas outras razões, prefiro o silêncio às falsas promessas. Mas nunca o silêncio das tuas palavras…
Porque essas, mesmo raras, fazem-me bem.
Enfastio-me diariamente com os idealistas astuciosos que “vivem” de acordo com a infinda sabedoria, querendo fazer-nos acreditar que esse é o único caminho para a felicidade. Vivem tumulados no saber, nas possibilidades e nas probabilidades das palavras cuidadosamente colocadas para não ferirem susceptibilidades… Inspiram e expiram todos os dias sem nunca perder a cabeça, sem nunca sair da linha planeada para o encontro das almas que os levarão, desta vida, para um outro estado onde habita a perfeição.
Vidas que recusam a subtileza dos sentimentos inúteis.
(Inúteis… dizem eles.)
Citando Fernando Pessoa, digo-te, meu querido: julgam-nos inúteis porque não nos podem entender…
Como se ama infinitamente o finito,
Como se deseja, impossivelmente, o possível,
Porque queremos tudo, ou um pouco mais, se puder ser.
Ou até se não puder ser…
05/09/2010
Esta noite
e o teu silêncio
e o perfume das amoras maduras
nos teus beijos que não vieram
poema sem raiz
e a noite se despe
no delírio do silêncio
insónia a arder por dentro
na margem do que sou
28/08/2010
Saudade
O sentir inunda-me os olhos e turva-me as retinas.A dor beija as pestanas e corta-me o rosto lentamente...são só saudades Pai.
nn(in)metamorphosis
25/08/2010
O que é a Páscoa?
- Ora, Páscoa é ...... bem é uma festa religiosa!
- Igual ao Natal?
- É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressurreição.
- Ressurreição?
- É, ressurreição. Marta, vem cá!
- Sim?
- Explica a esta criança o que é ressurreição para eu poder ler o meu jornal descansado.
- Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendido?
- Mais ou menos ........ Mamã, Jesus era um coelho?
- Que é isso? Não digas uma coisa dessas! Coelho! Jesus Cristo é o Pai do Céu! Nem parece que este menino foi baptizado! Jorge, este menino não pode crescer assim, sem ir à missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma educação cristã! Já pensou se ele diz uma asneira destas na escola? Deus me perdoe! Amanhã vou matricular este fedelho na catequese!
- Mamã, mas o Pai do Céu não é Deus?
- É filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Vai estudar isso no catecismo. É a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.
- O Espírito Santo também é Deus?
- É sim.
- E Fátima?
- Sacrilégio!!!
- É por isso que na Trindade fica o Espírito Santo?
- Não é o Banco Espírito Santo que fica na Trindade, meu filho. É o Espírito Santo de Deus. É uma coisa muito complicada, nem a mamã entende muito bem, para falar a verdade nem ninguém, nem quem inventou esta asneira a compreende. Mas se perguntar à catecista ela explica muito bem!
- Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?
- (gritando) Eu sei lá! É uma tradição. É igual ao Pai Natal, só que em vez de presentes, ele traz ovinhos.
- O coelho põe ovos?
- Chega! Deixa-me ir fazer o almoço que eu não aguento mais!
- Pai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?
- Era, era melhor, ou então peru.
- Pai, Jesus nasceu no dia 25 de Dezembro, não é? Que dia que ele morreu?
- Isso eu sei: na sexta-feira santa.
- Que dia e que mês?
- ??????? Sabes que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na sexta-feira santa e ressuscitou três dias depois, no sábado de aleluia.
- Um dia depois portanto!
- (gritando) Não, filho - três dias!
- Então morreu na quarta-feira.
- Não! Morreu na sexta-feira santa... ou terá sido na quarta-feira de cinzas? Ah, miúdo, já me confundiste! Morreu na sexta-feira e ressuscitou no sábado, três dias depois! Como!?!? Como!?!? Pergunte à sua professora de catecismo!
- Pai, então por que amarraram um monte de bonecos de pano na rua?
- É que hoje é sábado de aleluia, e a aldeia vai fingir que vai bater em Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.
- O Judas traiu Jesus no sábado?
- Claro que não! Se ele morreu na sexta!!!
- Então por que eles não lhe batem no dia certo?
- É, boa pergunta.
- Pai, qual era o sobrenome de Jesus?
- Cristo. Jesus Cristo.
- Só?
- Que eu saiba sim, por quê?
- Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele tinha no apelido Coelho. Só assim esta coisa do coelho da Páscoa faz sentido, não acha?
- Coitada!
- Coitada de quem?
- Da sua professora de catecismo!!!
Considerações para quê? para reafirmar o óbvio? ahahahah
20/08/2010
Olhar
e ficou
como quem reconhece sem saber o nome
e ficou também
como se já lá estivesse antes de acontecer
foi ficando
e silêncios que não precisam de explicação
e noites em que o mundo parece maior do que nós
mesmo quando o passo falhava
que já não era olhar
tu em mim















