Primeiro, mar. Muito mar. Por dias. A perder de vista, um horizonte sem fim que se perde no
azul imenso.
Depois, terras
vermelhas, palmeiras que balançam ao vento quente, o calor que se entranha na
pele e os sons que envolvem a alma.
Assim se
apresentou Angola (Luanda): com a sua luz, a sua cor, a sua vida… agora, saudade. Uma saudade que
escapa, como areia fina entre os dedos.
A memória de
Angola permanece comigo, como uma melodia distante. Aos poucos, perde as notas,
mas não a intensidade do sentimento.
Há muito não vejo as palmeiras a
moverem-se ao vento que eu sentia no rosto, e o calor já não me envolve. No
entanto, a essência de tudo o que vivi ali ficou gravada, imutável.
Angola vai-se
afastando, como um eco que se desvanece, mas que nunca se deixa de ouvir.
A saudade agora
é uma névoa suave que envolve os dias, uma lembrança que persiste onde o tempo
e a distância não chegam.
Mas, por mais
que se desvaneça
Angola será
sempre parte de quem sou.
***
2025-08-14 - Entre o Mar e a Saudade - Mulembas
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