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12/08/2025

O eco de sentir demais



Não sou feita de ausências
Mas, às vezes, esvazio-me

Fico quieta por dentro - não é bem dor, nem é tristeza

É uma imobilidade estranha
como se algo se apagasse em mim

Não há motivo visível
só um sentir que transborda
sem nome, sem forma, sem aviso

Sinto demais

E quando sinto, tudo pesa
o tempo, as falhas
as palavras que disse
e, talvez ainda mais
as que escolhi calar

Refletir é tormenta

Pensar demais arrasta tudo
como um vento forte que varre os cantos da mente

E a ideia de que tudo depende de mim
não ajuda
é como tentar segurar o céu com as mãos - irreal

Então, obrigo-me

Respiro. Foco no agora
Agarro o instante com cuidado
com atenção, com medo, mas com força

Não sou tristeza. Sou excesso

E o excesso, por vezes, também cansa
Mas sigo
Porque mesmo quando transbordo, ainda há poesia

 
***
 2025-08-12 - O eco de sentir demais
nn(in)metamorphosis

2 comentários:

  1. Gostei de ler, miss noname.
    Seja bem aparecida.
    Abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, sô António
      Estou a tentar voltar mais vezes
      Abraço

      Eliminar

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