Fui com uma amiga que é
amiga de uma médica/sexóloga, algo assim. Ela ia dar uma conferência, ou algo
dito em inglês que soa fino, sobre “O Medo de sentir”.
E não é que até foi
interessante. Vou tentar resumir, por palavras minhas o tanto que se disse
naquela sala.
***
Há quem ame com
clareza por dentro, mas se perca no instante em que o amor se aproxima de
verdade.
Não é falta de
sentimento.
Pelo contrário.
O sentimento existe
inteiro, vivo, reconhecível.
O que falha é a
passagem desse sentir para o gesto, para a presença, para a entrega no momento
certo.
Como se, diante da
proximidade, algo mudasse de lugar. Como se a pessoa deixasse de conseguir
habitar aquilo que sente e passasse a observar-se de fora, sem conseguir agir a
partir de si.
E então vem a frase
mais difícil de explicar:
“eu amo, mas quando
chega a hora não sou eu”.
Não é ausência. Não é
indiferença.
É bloqueio.
É uma espécie de interrupção entre o interior
e o exterior, entre o que se sente e o que se consegue viver.
E isso não se resolve
com força de vontade nem com explicações simples. Não é falta de coragem.
Muitas vezes é excesso de proteção.
Talvez por isso não
seja uma questão de amar mais ou menos, mas de aprender a permanecer dentro do
que se sente quando ele se torna real.
PS: Ninguém levantou a
mão, quando solicitado, mas muitos
quiseram o número de telefone do consultório. Parece que não há só medo de
sentir, também há o de assumir.
***
2010-09-24 - O Medo de Sentir
nn(in)metamorphosis