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30/11/2010

Saudade de mim


Saudade
Um estranho sentimento

Não tem uma cor
tem todas as cores
Não tem um sabor
tem todos os sabores
Não tem um som
tem todos os sons
Até mesmo o do silêncio…

Saudade
Um estranho sentimento

Difícil de explicar
não tem hora p’ra chegar
aninha-se de mansinho
Difícil de definir
não tem hora p’ra partir
e se parte,
parte bem devagarinho


p’ra voltar num outro dia
trazendo melancolia…


*****************
nn(in)metamorphosis
2010.11.30









14/11/2010

Nem papai noel tem

Anoiteceu, o Sino Gemeu
A Gente Ficou Feliz a Rezar
Papai Noel Vê Se Você Tem
A Felicidade Pra Você Me Dar


Eu Pensei Que Todo Mundo
Fosse Filho De Papai Noel
Bem Assim Felicidade
Eu Pensei Que Fosse Uma
Brincadeira De Papel


Já Faz Tempo Que Pedi
Mas o Meu Papai Noel Não Vem
Com Certeza Já Morreu
Ou Então Felicidade
É Brinquedo Que Não Tem



Autor: Assis Valente



07/11/2010

E é o teu... o meu olhar


Por vezes
sonho comigo
deitada…
com estrelas nos cabelos
e nos olhos, madrugadas
 
Sonho comigo
como queria ser sonhada
 
E quando acordo
meio a sonhar
procuro-me
tento encontrar-me
olho o espelho
 
e é o teu…
o meu olhar



***

2010-11-07 - E é o teu... o meu olhar
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06/11/2010

Delirios


Acolhe-a
nos braços de enlaços feitos
faz dela rainha dos actos
coloca-lhe grinalda perfumada
de flores do campo, algas e sargaços
 
Mitiga-lhe a sede antiga
de sentir a pulsação de lés a lés
ergue-se no íntimo como musa
cede ao incontido desejo
de ser de tudo
estrofe, poema, livro aberto
tempestade, bonança, mundo secreto
 
Água em explosão, solta
revolta, saliva no céu da boca
nos poros de corpos fundidos e nus
em céu aberto de estrelas
 
Mostra a lua através dos olhos
e o sol despenha-se em delírios


***

2010-11-06 – Delírios 
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09/10/2010

Cheia de Nada

Apetece-me...
despir-me de roupas e de calçado, fechar os olhos, enrolar-me em mim mesma e
simplesmente não pensar.


 
Apaga-se a luz das estrelas
na imensidão perde-se o pensamento
Silêncio… inexistência
 
Na ausência permanece o amor
ecoam memórias de paixão
sonhos confundem-se com verdade… imaginação
 
Não é o peso da ausência que mata
mas a dor da indiferença que fere
deixando na boca um gosto de fel… amargura.
 
Tinge-se o céu de negro
pintam-se estrelas de tristeza
A ausência enlouquece… dormência
 
Na solidão, o olhar
irrefutável prova
da ausência… consequência

 


***
2010-10-09 – Cheia de Nada 
nn(in)metamorphosis


24/09/2010

O Medo de Sentir


Fui com uma amiga que é amiga de uma médica/sexóloga, algo assim. Ela ia dar uma conferência, ou algo dito em inglês que soa fino, sobre “O Medo de sentir”.
E não é que até foi interessante. Vou tentar resumir, por palavras minhas o tanto que se disse naquela sala.

 ***
 Há quem ame com clareza por dentro, mas se perca no instante em que o amor se aproxima de verdade.
 
Não é falta de sentimento. 
Pelo contrário.
O sentimento existe inteiro, vivo, reconhecível.
O que falha é a passagem desse sentir para o gesto, para a presença, para a entrega no momento certo.
 
Como se, diante da proximidade, algo mudasse de lugar. Como se a pessoa deixasse de conseguir habitar aquilo que sente e passasse a observar-se de fora, sem conseguir agir a partir de si.
 
E então vem a frase mais difícil de explicar:
“eu amo, mas quando chega a hora não sou eu”.
 
Não é ausência. Não é indiferença.
É bloqueio.
É uma espécie de interrupção entre o interior e o exterior, entre o que se sente e o que se consegue viver.
 
E isso não se resolve com força de vontade nem com explicações simples. Não é falta de coragem. Muitas vezes é excesso de proteção.
 
Talvez por isso não seja uma questão de amar mais ou menos, mas de aprender a permanecer dentro do que se sente quando ele se torna real.
 
PS: Ninguém levantou a mão, quando solicitado,  mas muitos quiseram o número de telefone do consultório. Parece que não há só medo de sentir, também há o de assumir.


***
2010-09-24 - O Medo de Sentir
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19/09/2010

Quando te invento



Quando te invento…
penso-te em cada palavra
que por mim é inventada
 
e há em mim um querer sem forma
que se repete
 
Sonho-te a cada pensar
como quem te cria enquanto te procura
 
Sinto-te no que imagino
sem saber se isso existe
 
Quero-te em cada gesto pensado
em cada toque que não aconteceu
 
e vou vestindo ousadia
como quem se aproxima do que ainda não tem nome
 
Toco-te na ideia de ti
beijo-te no silêncio que te inventa


***
2010-09-19 - Quando te invento
nn(in)metamorphosis



15/09/2010

Gosto


Gosto do sol a reflectir nas paredes
e da chuva a bater nas janelas
 
Gosto de andar descalça
e do cheiro a terra molhada
 
Gosto do marulhar do mar
e do longínquo do horizonte
 
Gosto das expressões do silêncio
e das palavras ditas em surdina
 
Gosto dos sorrisos que se cruzam
e das lágrimas que se afagam
 
Gosto das carícias
da água do chuveiro
 
Gosto de sentar a dois
num sofá que é para um
 
Gosto do toque subtil da pele
e do agarre forte de duas mãos
 
Gosto de corpos que se perdem
para se encontrarem num só
 
Gosto de sexo com ternura
mas prefiro-o com paixão
 
Gosto da rotina salpicada
de surpresas e dias diferentes
 
Gosto da simplicidade
que a verdadeira partilha oferece
 
Gosto das pedras do caminho
servem para me sentar nelas
 
Gosto da palavra pensada
e da concretização do acto
 
Gosto de sair sem destino
e de regressar com recordações
 
Gosto de parar o tempo
e quedar-me no deleite
 
Gosto de beber das lágrimas
de quem já me deu sorrisos
 
Gosto de olhar fundo nos olhos
sem nunca desviar o olhar
 
Gosto da paixão ardente
e de juras que se cumprem
 
Gosto de pensar que existes
mesmo que nunca sejas meu
 
Gosto do toque suave
do desejo intenso e da mistura que os compõe
 
Gosto de sonhar um beijo agora
e guardá-lo para mais tarde
 
Gosto da melancolia
acredito-a romântica e afago-a no que sou
 
Gosto da mortalidade
e da mensagem que me transmite
 
Gosto das pessoas
e dos defeitos que lhes apuram as qualidades
 
Gosto de ser como sou
e de acreditar que posso ser melhor
 
Gosto de quem gosta de mim
e muitas vezes de quem não me gosta
 
Gosto de mim
do que tenho para dar
e do que mereço receber



***
2010-09-15 - Gosto
nn(in)metamorphosis


13/09/2010

Jogos


ONTEM e HOJE
 SEM NUNCA PERDER ACTUALIDADE. 
Usado por homens e mulheres, num jogo que raramente não deixa atrás de si, sentimentos de raiva, de vergonha, de medo, e de desacreditar no ser humano.




Passam-te nas redes
como jogo ou aposta
 
Falam
trilham
 
caminho a teu lado
em prosas nocturnas
numa transparência
de céu nublado
 
o trunfo é de copas
como convém
no jogo jogado
 
derrubam barreiras
de incertezas e medos
distribuindo um jogo
que já vem viciado
 
e deixam que ganhes
e baixes as guardas
 
e quando já pensam
ter o jogo na mão
investem forte
preparam o bote
mas
 
se um volte de sorte
 
desaparece o interesse
volta o jogo à banca
desculpas esfarrapadas
 
e é questão de tempo
que na mesa bata, num
estrondoso silêncio 
o
Ás de espadas

 Sabes, “amigo/a”
 
nem sempre nas redes
caímos na rede
 
de olhar atento
volta-se ao que era
vivendo sem jogo
a vida nas calmas
 
ganhaste? perdeste?
 
Não
Só te enganaste


Tudo na vida serve de ensinamento a quem quiser aprender


a minha visão acerca de algumas "amizades" virtuais (ou não)


***
2010-09-13 - Jogos
nn(in)metamorphosis



12/09/2010

Quisera ser Àgua



Quisera ser
Água
retida, tremente
nas tuas mãos em concha
e escorrer por
teu corpo quente
 
Quisera ser
Água
fluido morno
trocado em deleite
suspiros e gemidos
em cama de amantes
num entardecer
 
Quisera ser
Água
resto de sede saciada
de beijo e prazer
sobre a pele
adormecer



***

2010-09-12 - Quisera ser Água 
nn(in)metamorphosis


11/09/2010

O Som do Silêncio




Na dor da vida
há um silêncio
onde a alma repousa em paz
 
Na angústia sem rumo
existem palavras
como mãos de luz na neblina
 
Alegram-se tristezas
conversa-se com sombras
e há um silêncio de amor
que reconhece o ser inteiro
 
O sonho acolhe
em calma funda
e desperta na aurora
quando o silêncio se abre
sobre o silêncio da dor
 
E nesse som sem som
a nota mais alta
 
a voz da alma


***
2010-09-11 - O Som do Silêncio
nn(in) metamorphosis


06/09/2010

Cansadamente Viva

Sempre que as promessas não sejam mais do que palavras desconexas, ausentes de significância, poderiam ser apenas rabiscos, e nem assim conseguiriam ser menores.
E, mesmo que viessem bordadas a ouro, isso não lhes daria maior valor.

Por essas e muitas outras razões, prefiro o silêncio às falsas promessas. Mas nunca o silêncio das tuas palavras…
Porque essas, mesmo raras, fazem-me bem.

Enfastio-me diariamente com os idealistas astuciosos que “vivem” de acordo com a infinda sabedoria, querendo fazer-nos acreditar que esse é o único caminho para a felicidade. Vivem tumulados no saber, nas possibilidades e nas probabilidades das palavras cuidadosamente colocadas para não ferirem susceptibilidades… Inspiram e expiram todos os dias sem nunca perder a cabeça, sem nunca sair da linha planeada para o encontro das almas que os levarão, desta vida, para um outro estado onde habita a perfeição.

 (Que enjoo.)

Vidas consumidas em si mesmas, negras de tédio, extintas de vida…
Vidas que recusam a subtileza dos sentimentos inúteis.
(Inúteis… dizem eles.)

Citando Fernando Pessoa, digo-te, meu querido: julgam-nos inúteis porque não nos podem entender…

Como se ama infinitamente o finito,
Como se deseja, impossivelmente, o possível,
Porque queremos tudo, ou um pouco mais, se puder ser.
Ou até se não puder ser…

 Assim, meus amigos, não me perguntem se estou cansada. Porque, se estar cansada é viver, então responder-vos-ei que me sinto cansadamente VIVA.


***
2010-09-06 - Cansadamente Viva
nn(in)metamorphosis


05/09/2010

Esta noite


Esta noite
 
celebro a tua ausência
e o teu silêncio
 
aclamo a tua solidão
e o perfume das amoras maduras
nos teus beijos que não vieram
 
Esta noite
 
és sonho sem chão
poema sem raiz
 
quando a luz se levanta
e a noite se despe
no delírio do silêncio
 
não és coisa nem saudade
 
és imagem inventada
insónia a arder por dentro
 
dardo cravado
na margem do que sou


***
2010-09-05 - Esta noite
nn(in)metamorphosis


28/08/2010

Saudade


 O sentir inunda-me os olhos e turva-me as retinas.A dor beija as pestanas e corta-me o rosto lentamente...são só saudades Pai.


***
2010-08-28 - Saudade
nn(in)metamorphosis


25/08/2010

O que é a Páscoa?

Pai, o que é Páscoa?

- Ora, Páscoa é ...... bem é uma festa religiosa!

- Igual ao Natal?

- É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressurreição.

- Ressurreição?

- É, ressurreição. Marta, vem cá!

- Sim?

- Explica a esta criança o que é ressurreição para eu poder ler o meu jornal descansado.



- Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendido?

- Mais ou menos ........ Mamã, Jesus era um coelho?

- Que é isso? Não digas uma coisa dessas! Coelho! Jesus Cristo é o Pai do Céu! Nem parece que este menino foi baptizado! Jorge, este menino não pode crescer assim, sem ir à missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma educação cristã! Já pensou se ele diz uma asneira destas na escola? Deus me perdoe! Amanhã vou matricular este fedelho na catequese!

- Mamã, mas o Pai do Céu não é Deus?

- É filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Vai estudar isso no catecismo. É a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.

- O Espírito Santo também é Deus?

- É sim.

- E Fátima?

- Sacrilégio!!!

- É por isso que na Trindade fica o Espírito Santo?

- Não é o Banco Espírito Santo que fica na Trindade, meu filho. É o Espírito Santo de Deus. É uma coisa muito complicada, nem a mamã entende muito bem, para falar a verdade nem ninguém, nem quem inventou esta asneira a compreende. Mas se perguntar à catecista ela explica muito bem!

- Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?

- (gritando) Eu sei lá! É uma tradição. É igual ao Pai Natal, só que em vez de presentes, ele traz ovinhos.

- O coelho põe ovos?

- Chega! Deixa-me ir fazer o almoço que eu não aguento mais!



- Pai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?

- Era, era melhor, ou então peru.

- Pai, Jesus nasceu no dia 25 de Dezembro, não é? Que dia que ele morreu?

- Isso eu sei: na sexta-feira santa.

- Que dia e que mês?

- ??????? Sabes que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na sexta-feira santa e ressuscitou três dias depois, no sábado de aleluia.

- Um dia depois portanto!

- (gritando) Não, filho - três dias!

- Então morreu na quarta-feira.

- Não! Morreu na sexta-feira santa... ou terá sido na quarta-feira de cinzas? Ah, miúdo, já me confundiste! Morreu na sexta-feira e ressuscitou no sábado, três dias depois! Como!?!? Como!?!? Pergunte à sua professora de catecismo!

- Pai, então por que amarraram um monte de bonecos de pano na rua?

- É que hoje é sábado de aleluia, e a aldeia vai fingir que vai bater em Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.

- O Judas traiu Jesus no sábado?

- Claro que não! Se ele morreu na sexta!!!



- Então por que eles não lhe batem no dia certo?

- É, boa pergunta.

- Pai, qual era o sobrenome de Jesus?

- Cristo. Jesus Cristo.

- Só?

- Que eu saiba sim, por quê?

- Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele tinha no apelido Coelho. Só assim esta coisa do coelho da Páscoa faz sentido, não acha?

- Coitada!

- Coitada de quem?

- Da sua professora de catecismo!!!
 


Considerações para quê? para reafirmar o óbvio? ahahahah




*****

20/08/2010

Olhar


Olhei-te um dia
e ficou
como quem reconhece sem saber o nome
 
Olhaste-me depois
e ficou também
como se já lá estivesse antes de acontecer
 
Não foi súbito
foi ficando
 
Entre risos que explicam pouco
e silêncios que não precisam de explicação
 
Entre dias iguais
e noites em que o mundo parece maior do que nós
 
Fomos aprendendo o mesmo passo
mesmo quando o passo falhava
 
E um dia percebi
que já não era olhar
 
Era encontrar
 
Eu em ti
tu em mim



***
2010-08-20 - Olhar
nn(in)metamorphosis


13/08/2010

O Corvo

 
Agosto. Era agosto, 13, quarta-feira do ano de 2003. O dia tinha acordado lindo e quente. Na falta de ar condicionado, o trabalho decorria numa rotina dolente, interrompido pelo telefone que tocava na secretária da colega, de momento ausente. Levantou-se e, a caminho de o atender, olhou a janela aberta de par em par. Uma nuvem cinzenta, vinda não sabia de onde, escondia agora o sol que, filtrado, feria o olhar.
 
E ali, no gradeamento do muro, parecendo olhá-la, aquele pássaro negro de presença imponente. Na rua, a voz de uma senhora idosa informava os miúdos em alvoroço,“um corvo, é um corvo”, e, como se rezasse, benzeu-se enquanto dizia: “sinal de mau agouro; para o combater não chega todo o dinheiro, todo o ouro”.
 
Um arrepio, a mistura das vozes da senhora e de quem lhe falava do outro lado da linha, em tom aflitivo.
 
Tremeram-lhe as pernas
Rasaram-se-lhe os olhos
No peito, uma dor lancinante
 
O corvo piou
Levantou voo
 
E ela pensou:
“Ditou-lhe-me a sorte.”

  

***

2010-08-13 - O Corvo
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