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27/06/2012

Apeada


Olho-me de dentro para fora
E vejo com alegria
O quanto me dei
Mesmo fora da romaria
O ombro que dei,
foi doce
As palavras que proferi,
nem sempre meigas, mas verdadeiras
O olhar foi cristalino
O abraço apertado, dado
em bicos dos pés
O sorriso leal,
aberto, em dentes, duas fileiras
O amor sentido
mesmo que de sentido único
A mão estendida, aberta para cima
de orgulho e de alarde despida
O que plantei, no meu jardim
brotou
floriu
E foi seguindo caminho
Comigo, mas sem me levar a mim

Olho-me de fora para dentro
Afastei-me
mesmo estando parada
Com caminho feito
e passos cansados
Regresso a mim

*****
        2012.06.27
nn(in)metamorphosis

17/06/2012

Cantigas ao desafio VIII



Tu-Parte II

Ontem não te vi o sorriso atrevido
não te li o desejo nos olhos
e o tempo atropelou-me
Vens sempre com os ponteiros contados
Desejas ficar mas partes apressada
Deixando parte por dizer
e quase tudo por sentir
Anseio pelo dia em que venhas e não tenhas de te ir
Me pouses a cabeça no teu colo
Enquanto me embalas docemente
E nesse momento o tempo seja nada
E se, de repente, o meu olhar parar
E se parado parecer estar
É porque não estou aí
É sinal de que parti
Para onde tudo se encaixa
Onde tudo é como devia ser
E onde tudo o que nos interessa devia estar
E, se de repente, voltar a olhar
É porque regressei
E o momento se perdeu entre nós
E mais uma vez tu partiste sem mim

                   2012.06.17 (VC)
(Cópia integral, devidamente autorizada)

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Diálogo insano

… Olá!
… cheguei, e vim sem pressa
… Sempre queres ir?
- E podemos?
… Sem dúvida, basta querermos!
- E podemos querer?
… Está na nossa vontade.
- E ela é nossa? Podemos agarra-la?
… Agarra-la? Isso é impossível!
- Então qual é o caminho?
… Caminho? Quem falou em caminho!?
- Então como fazemos?
… Fácil. Usamos a imaginação!
- A imaginação?
… Sim, a imaginação.
- Que imaginação?
- Aquela estrada imensa onde o traçado és tu!

         2012.06.17
nn(in) metamorphosis


08/06/2012

Sou pormenor carregado de emoção





Cada vez mais se esgrime em torno de teorias fundamentadas na razão. Seja ela verdadeira ou inventada, ou tão só para fazer valer os intentos desejados. Esquecem-se os valores da intuição pura, expulsa-se a cristalina emoção. Aniquila-se imperturbavelmente o pormenor. Vamos ficando mais pobres, menos humanos e profundamente vazios. Vamos caminhando lentamente, para um ferro-velho ausente dos pequenos e relevantes nadas.

Os pormenores sempre me fascinaram.
Tudo na minha vida é feito de pormenores. Procuro-os por todo o lado. Enquadro-os com sentido no todo. Cada um pode mudar um momento, criar uma nova situação, fazer nascer um sentir. Podem moldar uma expressão, gerir um comportamento, modificar uma vida.

Sempre defendi a emoção em prejuízo da razão.
Toda a emoção é fundamentada na delicada fragrância do pormenor, este imergido no inconsciente permite – nos intuir. A emoção é o sangue que nos corre nas veias, o pulsar de cada sensação, a magia daquilo que realmente somos. É a emoção que nos torna únicos e nos ajuda a perceber as diferenças.

Quanto à razão sempre tive dificuldade em respeitá-la.
Acredito-a sem personalidade, desprovida de carácter. Não há toque, não há cheiro, é pacóvia e pouco imaginativa. A razão não tem pormenores, é compacta e estanque. Dura e contínua, começa onde acaba. Não a sinto humana, pois a sua lógica retira-lhe toda a espontaneidade. Com a razão nascemos e morremos iguais. Esse não é o caminho, a metamorfose faz parte do percurso. É o percurso. Com a razão não somos, parecemos ser. E é aqui que voltamos ao pormenor, personagem subtil, que alimenta a intuição e nos leva às entranhas da emoção. É o sentir na sua mais livre forma, sem receios de qualquer ordem.
Recuso-me a ser 1byte ou parte de um código binário 
Sou pormenor carregado de emoção

      *****
       2012.05.08
nn(in)metamorphosis




27/05/2012

Cantigas ao desafio VI



Ella Fitzgerald - Cry me a river

É apenas mais uma ponte
Apenas mais um salto no vazio
É apenas mais um passo
Um desvio no espaço
É uma sensação de frio
Com o sol aqui defronte

É uma escada sem degraus
Uma balada sem escala
Um diz que disse sem fala
Coisa de bons e de maus

É a vida aos soluços
Entre percalços e impulsos
É um bater do coração
Um desejo, uma desilusão

É o pacto com o diabo
É a estrofe de um fado
É o princípio do fim
É o que escolho pra mim.

Acho que uma vez, há muito tempo, chorei um rio. Não me recordo, apenas sei que sim.
Sequei-me a fonte nesse braço de mar e nem um regato voltei a chorar.
Hoje esse rio está seco, é uma cicatriz onde retorno sempre que a fonte ameaça brotar.
Remédio santo…

2012.05.25 (vc)
(Cópia integral e devidamente autorizada)

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Inventa-se um rio, um sargaço, uma foz, mas depois fica-se petrificado, incapazes de mergulhar, porque não sabemos deter as águas nem o tempo.
Seria bom, se nos soubéssemos encantar com aquilo que se vai perdendo pelo caminho, mas a boca não se faz ao asfalto e as palavras não ditas, irão um dia cair de maduras, sem serem comidas.
Sem serem sonhadas
Sem serem respiração, boca a boca.
Haverá um dia em que iremos adormecer sem mais nada no corpo, que não nós mesmos.
E nesse dia não inventaremos mais rios…

      2012.05.26
nn(in)metamorphosis


26/05/2012

Invento um rio

Invento um rio, um sargaço, uma foz, mas depois fico petrificada, incapaz de mergulhar, porque não sei deter as águas nem o tempo. Gostava de me saber encantar com aquilo que se vai perdendo pelo caminho, mas a boca não se faz ao asfalto e as palavras não ditas, irão um dia cair de maduras, sem terem sido comidas.
Sem as teres sonhado
Sem terem sido respiração boca a boca
Haverá um dia em que irei adormecer sem mais nada no corpo que não seja eu.
E nesse dia não inventarei mais rios...

*****
     2012.05.26
nn(in)metamorphosis





20/05/2012

Perscuto dentro de mim



Perscruto os caminhos que vivem dentro de mim
no intento de os juntar num só e me conhecer por fim
Parte de mim universo, Outra parte ninguém
Parte de mim uma festa, Outra parte solidão
Parte de mim reflecte, Outra parte delira
Parte de mim dialecto. Outra parte vertigem
Todas as partes juntas
Fazem de mim um ser
Tão diferente e tão igual
Quanto um igual pode ser
Ás vezes inteira
Ás vezes em partes
Mas sempre EU

*****
2012.05.20
nn(in)metamorphosis

19/05/2012

Viver é desenhar sem borracha


Doía menos, se mais cedo nos apercebêssemos que:

Para se viver feliz,
Não temos que saber tudo;
Não temos que ser o melhor em tudo;
Não temos que ter tudo;
Não temos que ter experienciado tudo.

Apesar de todos vivermos à procura de certezas, estou cada dia mais certa, que o certo, é saber viver com o essencial.

Saber de quem gostamos;
Saber a quem amamos;
Saber ao e a quem realmente vale a pena dedicarmos o nosso tempo.

A vida tem-me vindo a ensinar que, quando eu souber estas três coisas, eu saberei o essencial. E nesse momento eu terei aprendido que:

O facto de, se saber de cor, milhares de palavras do dicionário
               Não faz um iluminado, se não souber usar cada uma   
               delas no local certo
O facto de, se saber muito
               Pode mesmo assim, nunca ser suficiente
O facto de, se saber o que se tem
               Não faz com que se saiba o que fazer com o que se tem
O facto de, se esperar ou nos esperarem
               Não faz da espera eterna, um dia acaba
O facto de, se fazer escolhas
               Não garante que se apresentem boas
O facto de, se ter cometido erros
               Não faz reféns, se não se estabelecer compromissos com 
               eles

Viver, é um desenho que cresce a cada dia
Os traços e rabiscos feitos… Estão feitos.
Nada!
Pode ser apagado mas, pode ser corrigido
Tornando o desenho, a cada dia, mais agradável

Recomeçar sempre que necessário, é obrigatório!
O resto é consequência.

*****

2012.05.19 
nn(in)metamorphosis  


  

16/05/2012

Cantigas ao desafio V




Horas ou a melancolia do adeus

Há um fenómeno de fim de tarde,
que me possui a cada dia.
Um baixar de pulsar do coração,
um olhar que perde intensidade e se fixa lá longe.
uma imagem clara e distinta
e uma imensa saudade
Sinto o tempo passar entre mim,
uma neblina fria nos ossos.
Os olhos arrasam-se-me de horizontes
e as memórias são pálidos murmúrios.
Sinto o tempo passar por mim
e as ideias caem devagar, em sopros outonais.
É mole o tecido desta vida e sinto…
Sinto a fragilidade do corpo nos ponteiros do relógio.

2012.05.16 (vc)
(cópia integral e autorizada)

 *****

Saudade
Um estranho sentimento
Não tem uma cor
Tem todas as cores
Não tem um sabor
Tem todos os sabores
Não tem um som
Tem todos os sons
Até mesmo o do silêncio…

Saudade
Um estranho sentimento

Difícil de explicar
Não tem hora p’ra chegar
Aninha-se de mansinho
Difícil de definir
Não tem hora p’ra partir
E se parte,
Parte bem devagarinho

P’ra voltar num outro dia
Trazendo melancolia…

*****
2010.11.30
nn(in)mertamorphosis


10/05/2012

Cantigas ao desafios VII


Fragmentado ou a frustração do vitral

Quem sou eu para além da negação do que não fui
Nau que não navega
Porto que não alberga
Rio que não flui

Que será de mim?
Semente que não germinou
Terra infértil que não gerou
História mal contada por não ter fim

De que serviu existir?
Se apenas expectativas gerei
Obra nenhuma completei
Fugindo da vida sem ter por onde ir

Não sei se fui o que quis
Ou o que deixei fazerem de mim
Sei que o que muitas vezes fiz
Não vivi, não senti, não concebi

                  2012.05.10 (vc)
(Cópia integral e devidamente autorizada)

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Sou a parte de um todo
A porção que é feita de nada
Sou aquilo que a uns mete medo
E a outros mais agrada

Sou o enigma
O caminho do qual não se vê o rumo
E quando alguém pensa que me achou
É nesse instante que eu sumo

Sou o pranto da tempestade
Sou o rebombar do trovão
Sou quem entrega um olhar
Mas que nega o coração

Sou mais do que eu própria penso
Mas menos do que realmente sou
Sou a parte que mais acerta
Por ser a que mais errou

Sou só, cheia de gente
Acompanha-me a solidão
Sou de existência real
Mas que é feita de ilusão

       2012.05.10
nn(in)metamorphosis

09/05/2012

Cantigas ao desafio IV



Desavenças ou a nova fábula dos 2 burros 

Como dois miúdos desavindos
Numa zanga sem sentido
Ela espreita ele também
Às escondidas; sabe bem
Salta a bola e é rechaçada
Decerto não foi ninguém
A teimosia que a bola tem…
Fecham a porta com o pé na soleira
Deixam a frincha que é de madeira
Toda cravada de teimosia
Que demasia, tanta fantasia
Se um tropeça o outro cai
Nem um pio, nem um ai
Viram as costas, olham de soslaio
Eu é que nunca mais lhe falo
Nem que Deus lhe mande um raio
Que estará a agora a fazer
Que terá escrito
Não quero saber, desisto
Desta vez é mesmo de vez
Está decidido: resisto
E que todos creiam neste registo
Mesmo assim que terá escrito?


                2012.05.09 (vc)
(Cópia integral e devidamente autorizada)

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Será que ela já espreitou?
Não dei conta, talvez não!...
Por onde anda?
Como vou fazer
Para que da minha decisão
Fique ela a saber?
Nem um pio, nem um ai
Nem atrás da cortina
Nem na frincha da porta
Onde andas ó menina?
Mesmo assim que terá escrito?
Fica de atalaia
E que todos creiam neste registo 
Só curiosidade…
Que lhe caia um raio um corisco

E sem levantar suspeita

No sentido da sua resistência
Chuta a bola,
Como nada querendo
Que se houver resposta
Sempre poderá dizer que
Foi pura inadvertência…

Bem escondidinho, espreita

        2012.05.09
nn(in)metamorphosis


27/04/2012

Cantigas ao desafio III

 
Letras

Letras mais letras, palavras
arranjos, combinações, pontuações
ideias fortes ou fracas, confissões
furia, ira, medo, espanto
dor, desejo, amor e pranto
letras e mais letras a heito
em páginas torcidas pró efeito
batalhões de letras rascunhadas
sofridas, sentidas, suadas
tantas letras compassadas
e para quê?
pra nada.

             2012.03.22 - (vc)
 (Cópia integral devidamente autorizada)

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Letras/Palavras

Esgueiram-se pelos dedos
Deslizam por eles fora
Tornam-se palavras
E a finalidade não sei…

Que algumas sejam lidas?
Outras m’aliviem a alma?

Traduzem-me o pensamento
Fazem parte de mim
Tranco-as numa folha
Branca, rosa, azul, marfim

       2012.04.27

nn(in)metamorphosis


26/04/2012

Nada

Este é o tempo dos mundos parados... Parada entre a fronteira do vazio da alma, (se ainda fumasse) rolaria o cigarro e expiraria o fumo como se quisesse deitar fora a mágoa que me aperta o peito... Folheio recordações...

*****
       2012.04.26
nn(in)metamorphosis


Cantigas ao desafio - II

Pranto ou a obliquidade do olhar


E se em ti me perdesse
Quando teus olhos me cruzam
Decerto perderia o interesse
O brilho que os meus acusam

Perdido o tino num pranto
E a noção da compostura
Esta alma sem descanso
Seria apenas escrava tua

Turvo se faz o pensamento
Com fortes laivos de loucura
Alma minha sem alento
Já não és minha, és sua


             2012.04.26 (vc)            
(Cópia integral devidamente autorizada)
           
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Ah quando há medo de viver
Quando há medo de arriscar
Até o brilho se perde
Num cruzamento de olhar

Porque ter medo é perder
Vai-se o tino a compostura
E tudo que for sentimento
Se apelida de loucura


          *****
       2012.04.26
nn(in)metamorphosis