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13/04/2026

Viver entre o que explode e o que permanece




O corpo não aprende a ficar
é feito de nuvens quentes
de trovões que não avisam
de chuvas que chegam sem licença
 
Há dias em que transborda
em que tudo nele é excesso
vento, febre, impulso
um verão que não sabe ser brisa
 
Mas a cabeça…
 
a cabeça é outra estação
clara como um céu que nunca cede
reta, metódica
conta os passos da tempestade
como quem observa por uma janela fechada
 
Ela entende tudo
nomeia, organiza, explica
enquanto o corpo desmancha
em água e relâmpago
 
E debate-se entre os dois
metade caos que sente
metade lucidez que assiste
 
Talvez viver seja isso
 
Não escolher um lado
mas respirar
no intervalo
entre o que explode
e o que permanece

 

 ***

2026-04-13 - Viver entre o que explode e o que permanece 
nn(in)metamorphosis


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