Procuro um canto quieto
entre o ruído dos dias
mas elas encontram-me sempre
e sentam-se ao meu lado
Vivem nas fotografias esquecidas
num perfume que passa ao longe
numa canção antiga
que abre portas que eu julgava fechadas
Há noites em que me escondo no silêncio
e manhãs em que finjo não as ouvir
mas as memórias têm raízes fundas
e conhecem o nome de cada ausência
Talvez não exista um abrigo perfeito
nem distância capaz de as apagar
Talvez o segredo seja outro
dar-lhes um lugar sereno dentro de mim
sem luta
sem medo
Porque algumas memórias não partem
só aprendem a falar mais baixo
até se tornarem parte da paisagem
como o mar ao fundo
sempre presente
mas já sem tempestade
***
nn(in)metamorphosis