Gosto
de rotinas. Gosto de saber como começa o dia, dos pequenos gestos que se
repetem e que, sem dar por isso, me organizam por dentro. Há uma tranquilidade
nisso, quase como um chão firme onde posso pousar os dias.
Talvez
seja por isso que os imprevistos ganham outra força. Quando algo muda, quando
há um desvio, sinto-o com mais intensidade. Nem sempre são bons; às vezes
desarrumam, pesam, ficam de um modo que não faz rir. Mas ficam — e isso também
diz qualquer coisa sobre o dia.
Gosto
de rotinas porque me dão medida. É essa medida que faz com que tudo o que a
interrompe, leve ou difícil, não passe despercebido. No fim, são esses dias,
aqueles que não sabem a ontem, que mais se guardam.
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2026-03-30 – Quando o ontem não chega - Fragmentos
nn(in)metamorphosis