Se
dos versos apagar o verbo amar
e
palavras como amor, saudade, instante
restam
apenas sílabas nuas, despidas de chama
ecos
de um dizer que já não se garante
Se
rasurar o calor das palavras antigas
fica
no papel apenas um sopro distante
como
se a língua esquecesse o fogo
e
falasse apenas por ser constante
A
escrita é agora um apagão
um
quarto fechado, sem luz nem levante
onde
as frases tateiam o vazio
e
o silêncio impera dominante
Resta
além do frio de existir na treva
um
fio de voz suspenso, hesitante
um
corpo de tinta sem pulso nem febre
um
gesto de escrever já sem destino
***
2026-03-27 – Apagão
nn(in)metamorphosis
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