As palavras deitam-se no fundo da noite
encostam-se ao cansaço das bocas fechadas
e respiram devagar como quem esquece o mundo
Ficam quietas nos cantos da memória
embrulhadas em sonhos por dizer
à espera de um amanhecer que as acorde
No meio desse sono
cresce um silêncio vivo
um silêncio que se estende como luz sem forma
Fala sem voz
toca sem mãos
insiste sem pressa
Diz o que nunca coube nas sílabas
o que fugiu entre dentes e medos
o que só o sentir consegue guardar
porque há coisas que não querem som
e há verdades que só sabem existir assim
entre o descanso das palavras
e o murmúrio infinito dos silêncios
***
2026-03-19 - entre o
sono das palavras e a voz do silêncio
nn(in)metamoephosis
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