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19/05/2012

Viver é desenhar sem borracha


Doía menos, se mais cedo nos apercebêssemos que:

Para se viver feliz,
não temos que saber tudo;
não temos que ser os melhores em tudo;
não temos que ter tudo;
não temos que ter experienciado tudo.

Apesar de todos vivermos à procura de certezas, estou cada dia mais certa que o certo é saber viver com o essencial.

Saber de quem gostamos;
saber a quem amamos;
saber a quem realmente vale a pena dedicarmos o nosso tempo.

A vida tem-me vindo a ensinar que, quando eu souber estas três coisas, saberei o essencial. E nesse momento terei aprendido que:

O facto de se saber de cor milhares de palavras do dicionário
não faz um iluminado,
se não se souber usar cada uma delas no local certo.

O facto de se saber muito
pode, mesmo assim, nunca ser suficiente.

O facto de se saber o que se tem
não faz com que se saiba o que fazer com o que se tem.

O facto de se esperar ou nos esperarem
não faz da espera eterna.
Um dia acaba.

O facto de se fazer escolhas
não garante que se apresentem boas.

O facto de se ter cometido erros
não faz reféns,
se não se estabelecerem compromissos com eles.

Viver é um desenho que cresce a cada dia.
Os traços e rabiscos feitos… estão feitos.

Nada pode ser apagado,
mas pode ser corrigido,
tornando o desenho, a cada dia, mais agradável.

Recomeçar sempre que necessário é obrigatório.
O resto é consequência.

 

***
2012-05-19 - Viver é desenhar sem borracha 
nn(in)metamorphosis 


16/05/2012

A Beleza das Coisas Breves


Quando a tarde cai em silêncio
também eu fico mais quieto por dentro
Há sombras que trazem lembranças antigas
e um cansaço calmo nas mãos

As horas passam devagar
como pássaros frios tocando a alma
e cada memória aparece ao longe
como uma luz esquecida na beira do mar

Mas existe algo que continua vivo
nesse fim lento do dia
um brilho pequeno nos olhos
uma ternura leve no vento

Como se o tempo, mesmo levando tudo
deixasse ficar o mais importante de cada momento

E então entendo
não é a noite que traz tristeza
mas a beleza das coisas
quando começam a ir embora


 ***
2012-05-16 -  A Beleza das Coisas Breves 
nn(in)mertamorphosis


10/05/2012

Fragmentado ou a frustração do vitral

 
Fragmentado ou a frustração do vitral
 
Quem sou eu para além da negação do que não fui
Nau que não navega
Porto que não alberga
Rio que não flui
 
Que será de mim?
Semente que não germinou
Terra infértil que não gerou
História mal contada por não ter fim
 
De que serviu existir?
Se apenas expectativas gerei
Obra nenhuma completei
Fugindo da vida sem ter por onde ir
 
Não sei se fui o que quis
Ou o que deixei fazerem de mim
Sei que o que muitas vezes fiz
Não vivi, não senti, não concebi
 
 
 2012.05.10 (vc)
(Cópia integral e devidamente autorizada)
 
 ---------------
Resposta
 
Sou a parte de um todo
A porção que é feita de nada
Sou aquilo que a uns mete medo
E a outros mais agrada
 
Sou o enigma
Estrada sem rumo traçado
E quando alguém pensa ter-me encontrado
É nesse instante que me evado
 
Sou o pranto da tempestade
O eco fundo do trovão
Sou quem entrega o olhar
Mas recolhe o coração
 
Sou mais do que em mim pressinto
E menos do que em verdade sou
Sou a parte que mais aprende
Por ser a que mais falhou
 
Sou só, apesar da multidão
Faz-me sombra a solidão
Sou de existência verdadeira
Ainda que feita de ilusão

  

***
 2012-05-10 - Fragmentado ou a frustração do vitral 
nn(in)metamorphosis


09/05/2012

Desavenças ou a nova fábula dos 2 burros


Desavenças ou a nova fábula dos 2 burros 

 Como dois miúdos desavindos
Numa zanga sem sentido
Ela espreita ele também
Às escondidas; sabe bem
Salta a bola e é rechaçada
Decerto não foi ninguém
A teimosia que a bola tem…
Fecham a porta com o pé na soleira
Deixam a frincha que é de madeira
Toda cravada de teimosia
Que demasia, tanta fantasia
Se um tropeça o outro cai
Nem um pio, nem um ai
Viram as costas, olham de soslaio
Eu é que nunca mais lhe falo
Nem que Deus lhe mande um raio
Que estará a agora a fazer
Que terá escrito
Não quero saber, desisto
Desta vez é mesmo de vez
Está decidido: resisto
E que todos creiam neste registo
Mesmo assim que terá escrito?

2012.05.09 (vc)
(Cópia integral e devidamente autorizada)

       ------------

Resposta

Será que ela já espreitou?
Não dei conta… talvez não
Por onde anda?
Como hei de fazer
Para que da minha decisão
Fique ela a saber?

Nem um pio, nem um ai
Nem atrás da cortina
Nem na frincha da porta
Onde andas, ó menina?

Mesmo assim, que terá escrito?
Fica de atalaia,
E que todos creiam neste registo
É só curiosidade…
Que lhe caia um raio, um corisco

E sem levantar suspeita

Fiel à sua resistência
Chuta a bola
Como quem nada pretende
Porque, havendo resposta
Sempre poderá dizer
Que foi pura inadvertência…

Bem escondidinho, espreita.

 

***
2012-05-09 - Desavenças ou a nova fábula dos 2 burros  - Desafios
nn(in)metamorphosis


27/04/2012

Letras

  
Letras
 
Letras mais letras, palavras
arranjos, combinações, pontuações
ideias fortes ou fracas, confissões
furia, ira, medo, espanto
dor, desejo, amor e pranto
letras e mais letras a heito
em páginas torcidas pró efeito
batalhões de letras rascunhadas
sofridas, sentidas, suadas
tantas letras compassadas
e para quê?
pra nada.
 
2012-03.22 -(vc)
 (Cópia integral devidamente autorizada)

***
 
Esgueiram-se pelos dedos
Deslizam por eles fora
Tornam-se palavras
E a finalidade não sei…
 
Que algumas sejam lidas?
Outras me aliviem a alma?
 Traduzem-me o pensamento
Fazem parte de mim
Tranco-as numa folha
Branca, rosa, azul, marfim

 
*** 
2012-04-27 – Letras – Desafios
nn(in)metamorphosis


26/04/2012

Nada

Este é o tempo dos mundos parados... Parada entre a fronteira do vazio da alma, (se ainda fumasse) rolaria o cigarro e expiraria o fumo como se quisesse deitar fora a mágoa que me aperta o peito... Folheio recordações...


***
2012-04-26 - Nada - Fragmentos
nn(in)metamorphosis



Pranto ou a obliquidade do olhar

Pranto ou a obliquidade do olhar

E se em ti me perdesse
Quando teus olhos me cruzam
Decerto perderia o interesse
O brilho que os meus acusam
 
Perdido o tino num pranto
E a noção da compostura
Esta alma sem descanso
Seria apenas escrava tua
 
Turvo se faz o pensamento
Com fortes laivos de loucura
Alma minha sem alento
Já não és minha, és sua


2012.-4.26 (vc)            
(Cópia integral devidamente autorizada)


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Resposta


 Ah, quando o medo é maior
Que a vontade de olhar
Até a luz se desfaz
No instante de se cruzar

Porque quem teme perder
Perde o tino e a compostura
E veste todo o sentir
Com o nome da loucura

 

***
2012-04-26 - Pranto ou a obliquidade do olhar - Desafios
nn(in)metamorphosis


20/04/2012

Desatinos em película fotográfica


"Desatinos em película fotográfica"
 
 
No espaço de um momento
Mil desejos, sentimentos
Horas perdidas, emoções
Momentos vividos de ilusões
Cambalhotas, sensações
Desatinos, frustrações
Meias palavras, gestos, acções.
 
Saudades, ai saudades,
De brincar aos amores
A preto, a branco, de todas as cores.

 
2012.04.16 - 19:32 (vc)
(cópia integral devidamente autorizada)

 -------------
 Resposta
 
 Aos amores não se deve brincar
 
Brinca-se de casinha e de pequenos enganos
de namoros assumidos, de destinos que sucumbem
de jantares à luz de velas, e de olhos que se desviam
E tudo isso se fotografa, porque pouco vale no instante
logo passa
 
Há quem precise de coleccionar memórias
mas aos amores não se deve brincar
porque mesmo quando acabam
não morrem na memória
 
Passam a preto e branco
ou ganham cores, se for preciso
trazem sorrisos e lágrimas
sentimentos e sensações
meias palavras, gestos, acções
com a nitidez do momento
já sem causar sofrimento
fazendo parte da vida
 
E na vida
tudo teve o seu momento

  

***
2012-04-20 - Desatinos em película fotográfica - Desafios
nn(in)metamorphosis


06/04/2012

O que falta quando tudo parece sobrar

Amor, amar, amo-te…
Palavras que se sentem, mas que tantas vezes nos proibimos de dizer.
 
De uma forma ou de outra, todos nós o escrevemos, o cantamos e fazemos dele a nossa procura, o nosso objectivo, mesmo que de forma inconsciente.
 
Todos, até aqueles que o rejeitam de boca cheia, precisam dele.
 
E, no fundo, do mesmo modo que o desejamos, temos também um medo atroz dele.
 
Porque uma coisa é senti-lo, outra é dizê-lo. Talvez porque achemos que o amor nos desnuda por completo, muito para além do corpo.
 
Pensamos, encasquetamos, convencemo-nos de que amar nos fragiliza perante o outro.
E então escondemo-lo. Calamo-lo.
 
Uns escondem-se atrás de um:
“Eu? Amar? Ahahah… eu vivo o dia a dia…”
“A paixão é o que conta. Ter uma mulher ou um homem às costas? Nem pensar.”
“Dá vontade? A gente engata alguém… mas de manhã que leve a cueca com ele/ela.”
 
E, curiosamente, ainda há dias, enquanto conversava com uma amiga sobre tudo isto, chegou um amigo dela que acabou por se juntar a nós. A conversa foi andando e, a certa altura, ele disse-nos algo que ficou comigo.
 
“Sabes? Tenho tudo, alcancei tudo e, ao mesmo tempo, não tenho nada. Começo a sentir que chegar a casa e estar sozinho, algo que antes me satisfazia, hoje deixa-me triste, com uma sensação de vazio. As amigas coloridas, a cama preenchida por algumas horas, a paixão, o sexo, o tesão… tudo isso já não tem o mesmo sabor. Falta sentimento. Falta carinho. Falta ternura.”
 
E talvez seja mesmo isso que falta:
alguém que nos olhe e pergunte por nós, querendo realmente saber de nós.
 
É pena que a única coisa capaz de tornar a vida sublime seja exactamente aquilo que mais escondemos.
 
Ficamos à espera que o outro diga primeiro.
À espera que o outro arrisque primeiro.
E a vida vai passando, silenciosa, nessa espera sem glória.
 
E vêem-se homens a correr para braços diferentes todos os dias. Mulheres também.
 
Vêem-se olhares tristes pintados de falsas euforias, mãos ocupadas em copos de vida nocturna, onde o único brilho verdadeiramente intenso é o das lantejoulas.
 
Porque os ares de macho ou fêmea independentes, auto-suficientes, desmoronam-se aos primeiros raios da manhã. Mesmo que as bocas insistam em dizer que são felizes assim. Mesmo que mais uma noite de sexo tenha sido “de arromba”.
 
Mas terá sido suficiente?
 
Será que isso basta?
 
Será que, no final, somos apenas predadores perdidos a fingir que não precisam de sentir?
 
 
Talvez o maior medo não seja amar.
Talvez seja precisar de amor.

   

***
2012-04-06 - O que falta quando tudo parece sobrar
 nn(in)metamorphosis




31/03/2012

Dislexia



Vivemos num mundo em que a palavra ganhou asas pela rapidez com que é difundida, emagreceu pela quantidade de letras que lhe é suprimida, tantos são os “q”, “qd”, “pq”, “td”, “bj”, e é violentada pela substituição…


***
2012-03-31 - Dislexia
nn(in)metamorphosis

Insanidade


A insanidade tem o seu fascínio, nunca é repetitiva e é sempre  imprevisível...  Só ela ajuda a suportar o morno em que a vida se transforma...


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2012-03-31 - Insanidade 
nn(in)metamorphosis


30/03/2012

Hoje sou saudade



Saltei para a vida, ganhei carta de alforria
da mais doce prisão
Fui menina da mamã e princesa do paizão


***
2012-03-30 - Hoje sou Saudade
nn(in)metamorphosis



23/03/2012

Espaços em branco


Os espaços em branco são lugares perfeitos… Adoro reticências, abuso delas na minha forma de expressão… É nelas que se escondem as minhas apostas subliminares nos sonhos, os segredos bem guardados…
 
 
***
2012-03-23 - Espaços em Branco
nn(in)metamorphosis



Chocolate apimentado


Da tua boca tomo o gosto
do sabor apresentado
que se mistura no meu
e no beijo se traduz
chocolate apimentado

E o meu corpo se incendeia
se por ele em devaneio
a tua mão se passeia

Perco o rumo, perco a ideia
fico brasa incandescente
fico loba sendo gente

Prato cheio à nossa fome
de doçura apimentada
de malicias e caricias

Odor forte qu’ enche o ar
do amor feito, acabado
chocolate apimentado

Mas se de novo nasce beijo…

Da tua boca tomo o gosto
do sabor apresentado,
que se mistura no meu,
e no beijo se traduz
chocolate apimentado (…)

 

***
2012-03-23 - Chocolate Apimentado 
nn(in)metamorphosis





18/03/2012

Insónia


Há uma vaga insolência no torpor da insónia. Milhares de pensamentos e imagens desfilam pela mente como ruas fervilhantes de cidade, numa estranha sensação do corpo a desprender-se lentamente da consciência…

  

***
2012-03-18 – Insónia 
nn(in)metamorphosis



29/02/2012

Diz-me ao ouvido



Diz-me baixinho
palavras que me desmontem devagar
Fica perto sem promessas ao futuro
apenas agora
 
Deixa no ar o calor do teu abraço
traz contigo essa luz que me invade
E nesse teu jeito tão teu de existir
encontra morada o meu jeito de te amar

                                                                       

 ***

2012-02-29 - Diz-me ao ouvido 
nn(in)metamorphosis



26/02/2012

A perpetuação dos sentidos


Sim... Seria ideal a perpetuação dos sentidos a que me atrevo nas ambições expressas nos poemas delirados... porém na realidade em que vivo, aprendo a apreciar a cada dia que passa, o mágico segundo de eternidade...


***
2012-02-26 - A perpetuação dos sentidos
nn(in)metamorphosis




19/01/2012

Silêncios Incendiários

Há momentos em que amordaço as palavras
aquelas que queimam tudo o que tocam…  
e vivo o silêncio.


***
2012-01-19 - Silêncios Incendiários
nn(in)metamorphosis


26/12/2011

Sinto falta...




Sinto falta… 
muita falta
daquele sorriso
que surge simplesmente
por pura felicidade


dos que teimam em escapar
pelos cantos da boca
que iluminam o dia
com a luz que trazem
lá de dentro
do fundo do coração
da alma em festa...

*****
2011.12.26
nn (in) metamorphosis

17/12/2011

Busco



Busco nos olhos o gosto do sorriso...

Busco no toque o gosto da pele...

Busco no cheiro a sensibilidade da alma...

Busco em cada noite fria o calor do dia...

Busco no dia o fresco da noite, mas sem perder o brilho da manhã...


*****
17.12.2011
nn (in) metamorphosis

02/12/2011

África

Sinto no peito bater tão forte,
Saudade da terra que fascina,
Onde vi jogos de vida e morte,
Entre gentes de alma cristalina!
 
Provei teu chão, terra abençoada,
Mata hostil, repleta de surpresas,
Senti o calor da tua queimada,
E esse fogo deixou minh’alma acesa!
 
Teu povo, nativo, só me encantou,
Em cantos, lendas, saber alquebrado,
Tua côr e negrura meu sêr inundou,
Num breve romance, de sonhos bordado!
 
Bate no peito teu ritmo marcado,
Teu balanço embala o meu sêr,
Com batuque, qual hino encantado,
Da fibra e da força do teu vivêr!
 
Dás na dança, a imagem da vida,
Tradições, em teus sensuais maneios,
Na machamba, a tua comida,
E, na mata, teu fim, ... e teus meios!!
ÁFRICA ! ! !


Mário Resende




Poema enviado por: Blog 6ª feira


***
2011-12-02 - Àfrica
nn(in)metamorphosis


29/11/2011

Trajecto



Na vertigem do oceano
vagueio
sou ave que com o seu voo
se embriaga
Atravesso o reverso do céu
e num instante
eleva-se o meu coração sem peso
Como a desamparada pluma
subo ao reino da inconstância
para alojar a palavra inquieta
Na distância que percorro
eu mudo de ser
permuto de existência
surpreendo os homens
na sua secreta obscuridade
transito por quartos
de cortinados desbotados
e nas calcinadas mãos
que esculpiram o mundo
estremeço como quem desabotoa
Mia Couto



Poema e imagem enviado por: Fernando Martinho


***
2011-11-29 - Mia Couto "Projectos" - Recebi e Gostei
nn(in)metamorphosis



25/11/2011

Tic Tac


Tic tac Corre o tempo 
Tic tac Tão veloz 
Tic tac Sem lamento 
Tic tac Atrás de nós 

Tic tac Onde vais? 
Tic tac Vivo a vida 
Tic tac E o amor?
Tic tac É sem medida 

Tic tac Onde paramos? 
Tic tac Não sabemos 
Tic tac E o sentido? 
Tic tac É só vivermos 

Tic tac Parece pouco 
Tic tac Mas é tanto! 
Tic tac num sorriso 
Tic tac ou até pranto 

Tic tac e descansar? 
Tic tac O ar não espera 
Tic tac Vive a voar 
Tic tac Logo é quimera 

Tic tac E quanto tempo 
Tic tac Dura uma vida 
Tic tac Dura o momento 
Tic tac e é despedida...


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2011-11-25 - Tic Tac
nn(in)metamorphosis



Saudade


Não é difícil falar de saudade,... 
É doloroso vivê-la... 
E difícil amá-la quando deixa dilacerado e em pedaços o coração



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2011-11-25 - Saudade
n(in)metamorphosis