Amor,
amar, amo-te…
Palavras que se sentem, mas que tantas vezes nos proibimos de dizer.
De uma forma ou de outra, todos nós o escrevemos, o cantamos e fazemos dele a nossa procura, o nosso objectivo, mesmo que de forma inconsciente.
Todos, até aqueles que o rejeitam de boca cheia, precisam dele.
E, no fundo, do mesmo modo que o desejamos, temos também um medo atroz dele.
Porque uma coisa é senti-lo, outra é dizê-lo. Talvez porque achemos que o amor nos desnuda por completo, muito para além do corpo.
Pensamos, encasquetamos, convencemo-nos de que amar nos fragiliza perante o outro.
E então escondemo-lo. Calamo-lo.
Uns escondem-se atrás de um:
“Eu? Amar? Ahahah… eu vivo o dia a dia…”
“A paixão é o que conta. Ter uma mulher ou um homem às costas? Nem pensar.”
“Dá vontade? A gente engata alguém… mas de manhã que leve a cueca com ele/ela.”
E, curiosamente, ainda há dias, enquanto conversava com uma amiga sobre tudo isto, chegou um amigo dela que acabou por se juntar a nós. A conversa foi andando e, a certa altura, ele disse-nos algo que ficou comigo.
“Sabes? Tenho tudo, alcancei tudo e, ao mesmo tempo, não tenho nada. Começo a sentir que chegar a casa e estar sozinho, algo que antes me satisfazia, hoje deixa-me triste, com uma sensação de vazio. As amigas coloridas, a cama preenchida por algumas horas, a paixão, o sexo, o tesão… tudo isso já não tem o mesmo sabor. Falta sentimento. Falta carinho. Falta ternura.”
E talvez seja mesmo isso que falta:
alguém que nos olhe e pergunte por nós, querendo realmente saber de nós.
É pena que a única coisa capaz de tornar a vida sublime seja exactamente aquilo que mais escondemos.
Ficamos à espera que o outro diga primeiro.
À espera que o outro arrisque primeiro.
E a vida vai passando, silenciosa, nessa espera sem glória.
E vêem-se homens a correr para braços diferentes todos os dias. Mulheres também.
Vêem-se olhares tristes pintados de falsas euforias, mãos ocupadas em copos de vida nocturna, onde o único brilho verdadeiramente intenso é o das lantejoulas.
Porque os ares de macho ou fêmea independentes, auto-suficientes, desmoronam-se aos primeiros raios da manhã. Mesmo que as bocas insistam em dizer que são felizes assim. Mesmo que mais uma noite de sexo tenha sido “de arromba”.
Mas terá sido suficiente?
Será que isso basta?
Será que, no final, somos apenas predadores perdidos a fingir que não precisam de sentir?
Talvez o maior medo não seja amar.
Talvez seja precisar de amor.
Palavras que se sentem, mas que tantas vezes nos proibimos de dizer.
De uma forma ou de outra, todos nós o escrevemos, o cantamos e fazemos dele a nossa procura, o nosso objectivo, mesmo que de forma inconsciente.
Todos, até aqueles que o rejeitam de boca cheia, precisam dele.
E, no fundo, do mesmo modo que o desejamos, temos também um medo atroz dele.
Porque uma coisa é senti-lo, outra é dizê-lo. Talvez porque achemos que o amor nos desnuda por completo, muito para além do corpo.
Pensamos, encasquetamos, convencemo-nos de que amar nos fragiliza perante o outro.
E então escondemo-lo. Calamo-lo.
Uns escondem-se atrás de um:
“Eu? Amar? Ahahah… eu vivo o dia a dia…”
“A paixão é o que conta. Ter uma mulher ou um homem às costas? Nem pensar.”
“Dá vontade? A gente engata alguém… mas de manhã que leve a cueca com ele/ela.”
E, curiosamente, ainda há dias, enquanto conversava com uma amiga sobre tudo isto, chegou um amigo dela que acabou por se juntar a nós. A conversa foi andando e, a certa altura, ele disse-nos algo que ficou comigo.
“Sabes? Tenho tudo, alcancei tudo e, ao mesmo tempo, não tenho nada. Começo a sentir que chegar a casa e estar sozinho, algo que antes me satisfazia, hoje deixa-me triste, com uma sensação de vazio. As amigas coloridas, a cama preenchida por algumas horas, a paixão, o sexo, o tesão… tudo isso já não tem o mesmo sabor. Falta sentimento. Falta carinho. Falta ternura.”
E talvez seja mesmo isso que falta:
alguém que nos olhe e pergunte por nós, querendo realmente saber de nós.
É pena que a única coisa capaz de tornar a vida sublime seja exactamente aquilo que mais escondemos.
Ficamos à espera que o outro diga primeiro.
À espera que o outro arrisque primeiro.
E a vida vai passando, silenciosa, nessa espera sem glória.
E vêem-se homens a correr para braços diferentes todos os dias. Mulheres também.
Vêem-se olhares tristes pintados de falsas euforias, mãos ocupadas em copos de vida nocturna, onde o único brilho verdadeiramente intenso é o das lantejoulas.
Porque os ares de macho ou fêmea independentes, auto-suficientes, desmoronam-se aos primeiros raios da manhã. Mesmo que as bocas insistam em dizer que são felizes assim. Mesmo que mais uma noite de sexo tenha sido “de arromba”.
Mas terá sido suficiente?
Será que isso basta?
Será que, no final, somos apenas predadores perdidos a fingir que não precisam de sentir?
Talvez o maior medo não seja amar.
Talvez seja precisar de amor.
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2012-04-06 - O que falta quando tudo parece sobrar
nn(in)metamorphosis
2012-04-06 - O que falta quando tudo parece sobrar
nn(in)metamorphosis
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