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09/10/2010

Cheia de nada

Apetece-me...
despir-me de roupas e de calçado, fechar os olhos, enrolar-me em mim mesma e
simplesmente não pensar.



Cheia de nada


apago a luz das estrelas,
embrenho-me na imensidão
não quero pensar... inexistência

Continuo amando na ausência
recordo momentos de paixão
sonho serem verdade… imaginação

Não é o peso da ausência que mata
é sim a dor da displicência que fere
deixando na boca um gosto de fel… amargura

Tinjo o céu de negro
pinto as estrelas de tristeza
a ausência me ensandece… dormência

na solidão, o meu olhar
irrefutável prova
da tua ausência… consequência


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nn(in)metamorphosis
2010.10.09



24/09/2010

Mea Culpa...

Quando as palavras são carícias e o entendimento sabe a beijo, a ausência das mesmas torna-se recordação à distância de um pensamento… e quanto mais o tempo passa, mais se vão tornando nevoentas, quase irreconhecíveis na boca de quem as disse…
Mea culpa?… talvez!… sempre tão contida nas emoções, sempre no receio de perder, por ser… mostrando-me. Hoje dou comigo a questionar-me se sei amar… como? Na ânsia de querer escondo-me! Refreio-me! Envergonho-me de sentir! Porquê? Este medo de avançar, esta dificuldade em me soltar? Porquê? Porquê? Porquê?... se sonho, se invento, se fantasio, e neles… me dou e quero… de modo total, livre como me sinto por dentro, que tormento… Que amarras me prendem? Que mordaças me calam? Que redes enredam as contradições do meu sentir? Se em cada vez, e por amor, não me nego, porque não me foge razão? E… tu? Porque não me provocas, não me fazes perder o chão? Mea culpa? Ou talvez não!...

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2010.09.24
nn(in)metamorphosis




19/09/2010

Se te penso...


Se te penso…
Penso-te em cada palavra
Que por mim é recordada
E um rol de emoções
Cresce em forma arrebatada
E então…
Sonho-te a cada pensar
Sinto-te a cada toque
Imagino-te a cada sorriso
Vivo-te a cada olhar
Liberto-me a cada atrevimento
Dispo-nos de preconceito
Visto-me de ousadia
Rolamo-nos no envolvimento
Quero-te a cada imaginação
Toco-te a cada beijo
Desenho-te a cada suspiro
Beijo-te com emoção

E…
Numa guerra acalmada
Penso-te em cada palavra
Sinto-te em cada linha
Agora escrevinhada

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nn(in)metamorphosis
2010.09.19






15/09/2010

Gosto



Gosto do sol a reflectir nas paredes

e da chuva a bater nas janelas
Gosto de andar descalça
e do cheiro a terra molhada
Gosto do marulhar do mar
e do longínquo do horizonte
Gosto das expressões do silêncio
e palavras ditas em surdina 
Gosto dos sorrisos que se cruzam
e das lágrimas que se afagam
Gosto das caricias
da agua do chuveiro
Gosto de sentar a dois
num sofá que é para um 
Gosto do toque subtil da pele
e do agarre forte de duas mãos
Gosto de dois corpos que se perdem
para se encontrarem num só
Gosto de sexo com ternura
mas prefiro-o com paixão
Gosto da rotina salpicada
de surpresas e dias diferentes 
Gosto da simplicidade
que a verdadeira partilha oferece
Gosto das pedras do caminho
servem para me sentar nelas 
Gosto da palavra pensada
e da concretização do acto
Gosto de sair sem destino
e de regressar com recordações
Gosto de parar o tempo
e quedar-me no deleite
Gosto de beber das lágrimas
de quem que já me deu sorrisos
Gosto de olhar fundo nos olhos
sem nunca desviar o olhar
Gosto de paixão ardente
e de juras que se cumprem
Gosto de pensar que existes
mesmo que nunca sejas meu
Gosto do toque suave
do desejo intenso e da mistura que os compõe
Gosto de sonhar um beijo agora
e guarda-lo para mais tarde
Gosto da mortalidade
e da mensagem que me transmite
Gosto das pessoas
e dos defeitos que lhes apuram as qualidades
Gosto da melancolia
acredito-a romântica e afago-a no que sou
Gosto de ser como sou
e de acreditar que posso ser melhor
Gosto de quem gosta de mim
e muitas vezes de quem não me gosta 
Gosto de mim
 do que tenho para dar e do que mereço receber


**************** 
       2010.09.15
nn(in)metamorphosis


13/09/2010

Jogos


ONTEM e HOJE
 SEM NUNCA PERDER ACTUALIDADE. 
Usado por homens e mulheres, num jogo que raramente não deixa atrás de si, sentimentos de raiva, de vergonha, de medo, e de desacreditar no ser humano.





Passam-lhes na vida
como jogo ou aposta

Falam
Trilham

caminho a seu lado
em prosas nocturnas
numa transparência
de céu nublado

o trunfo é de copas
como convém
no jogo jogado

derrubam barreiras
d’ incertezas e medos
distribuindo um jogo
que já vem viciado

e deixam que ganhe
se livrem das guardas

e quando já pensa ter facturado
Investe forte
prepara o bote
mas 
se um volte de sorte

desvanece o interesse
desculpas esfarrapadas

E é questão de tempo
que na mesa bata, num
estrondoso silêncio
o
ÁS… de espadas


Sabes "amigo/a"

nem sempre na vida
ganhar é vencer
ou
vencido é despojo

De olhar atento
voltou ao que era
vivendo sem jogo
a vida nas calmas

Ganhaste?... perdeu?
Ai como te enganas…


Tudo na vida serve de ensinamento a quem quiser aprender


a minha visão acerca de algumas "amizades" virtuais (ou não)


*****
2010.09.13
nn(in)metamorphosis

12/09/2010

Quisera ser água



Quisera ser,
Àgua
Retida, tremente
Nas tuas mãos em concha
E me fosse escorrendo
Por teu corpo quente

Quisera ser,
Àgua
Fluido morno
Trocado em deleite
Suspiros, gemidos
Em cama de amantes
Num entardecer

Quisera ser,
  da água
Resto
De saciada sede
De prazer e beijo
Que queiras, eu queira
Volte acontecer


*******
nn(in)metamorphosis
2010.09.12






11/09/2010

O som do silêncio


Na dolência da vida
Encontrei o silêncio
Que me trouxe paz…
Na angústia desnorteada
Agora em palavras amparada…
Alegro tristezas
Dialogo com sombras
Num silêncio de amor
Que acolhe sentires
Aconchega-me o sonho
Só desperta na aurora
Do silêncio que assola
o silêncio da dor


No som do silêncio, a nota mais alta que há minha voz


*****
2010.09.11
nn-(in)-metamorphosis

06/09/2010

Faça-se silêncio



Faça-se silêncio...

Sempre que as promessas, não sejam mais que palavras desconexas, e ausentes de significância. Poderiam ser apenas rabiscos, que não conseguiriam ser menores.
E mesmo que viessem bordadas a ouro, não lhes daria maior valor.
Por essas e muitas outras razões… prefiro o silêncio, a falsas promessas. Mas nunca o silêncio das tuas palavras…
Porque essas, mesmo raras, fazem-me bem.

Enfastio-me diariamente com os idealistas astuciosos que “vivem” de acordo com a infinda sabedoria, querendo fazer-nos acreditar que esse é o único caminho para a felicidade. Vivem tumulados no saber, nas possibilidades e nas probabilidades das palavras bem colocadas para não ferirem susceptibilidades… Inspiram e expiram todos os dias, sem nunca perder a cabeça, nem nunca sair da linha planeada para o encontro das almas que os levarão, desta vida, para um outro estado onde habita a perfeição (que enjoo!!!). Vidas consumidas em si, negras de tédio, extintas de vida… Que recusam a subtileza de sentimentos inúteis. (Inúteis… dizem eles!)

Citando Pessoa… eu digo-te meu querido, por que eles nos julgam inúteis, porque eles não podem entender...

Como se ama infinitamente o finito
Como se deseja, impossivelmente o possível
Porque queremos tudo, ou um pouco mais, se puder ser
Ou até se não puder ser...

Assim, meus amigos, não me perguntem se estou cansada, e se estar cansada é viver… responder-vos-ei que me sinto, cansadamente VIVA!

******
2010.09.06
nn-(in)-metamorphosis


05/09/2010

Esta noite...


Esta noite

celebrizo a tua ausência
o teu silêncio

Esta noite

aclamo a tua solidão
e com ela o doce aroma a amoras maduras
dos teus beijos ausentes

Esta noite

és sonho, poema sem fundamento
imagem que eu criei
Quando a luz se eleva
e a noite se despeja
no prazer enlouquecido
do silêncio inexplicável

Nem és coisa nem saudade.

És a imagem do meu imaginário
És a indolência da minha insónia.

Dardo cravado na minha vida secreta

*****************
nn(in)metamorphosis
2010.09.05






28/08/2010

Saudade


 O sentir inunda-me os olhos e turva-me as retinas.A dor beija as pestanas e corta-me o rosto lentamente...são só saudades Pai.


25/08/2010

O que é a Páscoa?

Pai, o que é Páscoa?

- Ora, Páscoa é ...... bem é uma festa religiosa!

- Igual ao Natal?

- É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressurreição.

- Ressurreição?

- É, ressurreição. Marta, vem cá!

- Sim?

- Explica a esta criança o que é ressurreição para eu poder ler o meu jornal descansado.



- Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendido?

- Mais ou menos ........ Mamã, Jesus era um coelho?

- Que é isso? Não digas uma coisa dessas! Coelho! Jesus Cristo é o Pai do Céu! Nem parece que este menino foi baptizado! Jorge, este menino não pode crescer assim, sem ir à missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma educação cristã! Já pensou se ele diz uma asneira destas na escola? Deus me perdoe! Amanhã vou matricular este fedelho na catequese!

- Mamã, mas o Pai do Céu não é Deus?

- É filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Vai estudar isso no catecismo. É a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.

- O Espírito Santo também é Deus?

- É sim.

- E Fátima?

- Sacrilégio!!!

- É por isso que na Trindade fica o Espírito Santo?

- Não é o Banco Espírito Santo que fica na Trindade, meu filho. É o Espírito Santo de Deus. É uma coisa muito complicada, nem a mamã entende muito bem, para falar a verdade nem ninguém, nem quem inventou esta asneira a compreende. Mas se perguntar à catecista ela explica muito bem!

- Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?

- (gritando) Eu sei lá! É uma tradição. É igual ao Pai Natal, só que em vez de presentes, ele traz ovinhos.

- O coelho põe ovos?

- Chega! Deixa-me ir fazer o almoço que eu não aguento mais!



- Pai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?

- Era, era melhor, ou então peru.

- Pai, Jesus nasceu no dia 25 de Dezembro, não é? Que dia que ele morreu?

- Isso eu sei: na sexta-feira santa.

- Que dia e que mês?

- ??????? Sabes que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na sexta-feira santa e ressuscitou três dias depois, no sábado de aleluia.

- Um dia depois portanto!

- (gritando) Não, filho - três dias!

- Então morreu na quarta-feira.

- Não! Morreu na sexta-feira santa... ou terá sido na quarta-feira de cinzas? Ah, miúdo, já me confundiste! Morreu na sexta-feira e ressuscitou no sábado, três dias depois! Como!?!? Como!?!? Pergunte à sua professora de catecismo!

- Pai, então por que amarraram um monte de bonecos de pano na rua?

- É que hoje é sábado de aleluia, e a aldeia vai fingir que vai bater em Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.

- O Judas traiu Jesus no sábado?

- Claro que não! Se ele morreu na sexta!!!



- Então por que eles não lhe batem no dia certo?

- É, boa pergunta.

- Pai, qual era o sobrenome de Jesus?

- Cristo. Jesus Cristo.

- Só?

- Que eu saiba sim, por quê?

- Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele tinha no apelido Coelho. Só assim esta coisa do coelho da Páscoa faz sentido, não acha?

- Coitada!

- Coitada de quem?

- Da sua professora de catecismo!!!
 


Considerações para quê? para reafirmar o óbvio? ahahahah




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20/08/2010

Olhei... Olhaste...


Um dia olhei… e amei-te

Um dia olhaste… e amaste-me
Enraizado está esse amor
Percorrido lado a lado
Entre risos
um motivo mais par’ amar,
e choros
no seu vencer a diferença aceitar
Entre a bonança
de dias apaziguados e iguais
e a tempestade
de noites sonhadas e ais
Um dia olhei… e tu olhaste
Eu te encontrei
Tu me encontraste

****
nn(in)metamorphosis
2010.08.20







13/08/2010

Pobre ave

 

Agosto. Era Agosto, 13 quarta feira do ano de 2003. O dia tinha acordado lindo e quente. Na falta de ar condicionado, o trabalho decorria numa rotina dolente, acordado pelo telefone que tocava na secretária da colega, de momento, ausente. Levantou-se, e a caminho de o atender, olha a janela aberta de par em par, uma nuvem cinzenta, vinda não sabia de onde, escondia, agora, o sol que filtrado feria o olhar. E ali, no gradeado do muro, parecendo olhá-la, aquele pássaro negro de presença imponente. Na rua, a voz de uma senhora idosa informava os miúdos em alvoroço, um corvo, é um corvo, e como se rezasse, benzeu-se, enquanto dizia: sinal de mau agouro, para o combater não chega todo o dinheiro todo o ouro. Um arrepio, a mistura das vozes da senhora e de quem lhe falava do outro lado da linha, em tom aflitivo.

Tremeram-lhe as pernas

Rasaram-se-lhe os olhos

No peito uma dor de morte

 

O corvo piou

Levantou voo

E ela pensou

Ditou-lhe-me a sorte

 

 

***

2010-08-13

nn(in)metamorphosis