09/10/2012
O meu maior sonho
08/10/2012
Vazio de Palavras
Hoje, mais do que em outros dias, estou
fraca nas palavras.
Penso depressa demais para que as mãos acompanhem este turbilhão em que a mente
se enreda, um vazio feito de palavras que não chegam.
2012-10-08 – Vazio de Palavras
nn(in)metamorphosis
22/09/2012
Manhã
Apetece-me uma manhã
Não uma manhã qualquer
Mas uma manhã perfeita
Com o brilho dos teus olhos
E a brisa morna do teu suspiro
Apetece-me uma manhã sem ti
De modo a ter te só para mim
Nas coisas que vou visitando
Nos lugares que vou guardando
Apetece-me uma manhã sem gente
Sem ruídos, sem paragens
Uma manhã vertiginosamente tranquila
Com nevoeiro, com as tuas sombras
Apeteces-me sempre de manhã
Porque ainda não te escrevi de tarde nem de noite
2012-09-12 (vc)
(cópia integral e devidamente autorizada)
***
Manhã
Apetece-me uma manhã também
mas uma manhã que não se explique
Uma manhã que chegue devagar
sem pedir lugar
Com o silêncio encostado às coisas
e a luz a cair sem pressa
Uma manhã sem gente
não por ausência
mas por espaço
Onde o nevoeiro não esconda
apenas envolva
E o tempo não se organize
apenas respire
Apetece-me uma manhã assim
sem saber onde começa
nem onde termina
2012-09-22 – Amanhã
nn(in)metamorphosis
21/09/2012
Tu - Parte III
Disseste-me: amanhã não venhas
Não me é possível estar contigo
Entre dois beijos lançados pelo ar
E um desejo-te apressado
E eu não vim
Tentei reorganizar o dia
Inventei mil trajectos alternativos
Mas só me saíram mundos de silêncio
E ideias ocas de sentido
Dediquei-me a inverter o sentido ao tempo
Estraguei o relógio
Construi aviões de papel
Propensos ao desastre
Agarrei um sem número de vezes no telemóvel
E um sem número de vezes me detive
Amanhã não venhas, disseste-me
E hoje não existiu.
2012-09-18 (vc)
Cópia integral e autorizada
***
Da próxima vez
Leva-me contigo
Leva-me no pensamento
Preenche o silêncio
que grita aos ouvidos
e pesa no tempo
Leva-me contigo
Leva-me no peito
Que fico perdida
entre trajectos inventados
sem destino nem regresso
Da próxima vez
leva-me contigo
E se hoje não existiu para ti
que eu exista em ti
como falta
2012-09-19 – Tu parte III
nn(in)metamorphosis
15/09/2012
Apeteceu-me
Mais do que em qualquer outro dia
Apeteceu-me…
Construir um novo eu
Trocar-me por alguém mais leve por dentro
Mais fresca, mais solta
Refazer os sonhos,
Todas as ilusões
Apeteceu-me…
Deixar de seguir a razão
Ser olhar num rosto inquiridor
Criar asas, sair do chão
Apeteceu-me…
Não somar mais um ano,
Mas nascer de novo
Ou renascer
Entre os fragmentos do que já fui
Ou talvez… do que quis ser
Hoje…
Mais do que em qualquer outro dia
Apeteceu-me…
Mas não fui capaz
12/09/2012
Quando
o solitário é vencido pela solidão
o nómada ergue a primeira parede
a lua eclipsa o sol
o infeliz alegra-se
a muralha é rompida
a água já não molha
o sarcástico é gozado
o verso já não rima
e a chalaça chora
São momentos raros, de pura ironia.
Há momentos ainda mais raros: quando um simples gesto me tolhe a voz e dou comigo a tentar domar a comoção
2012-09-11 (vc)
Cópia integral devidamente autorizada
*****
dizes que o solitário é vencido pela solidão
há quem siga o dia
quando
o nómada ergue a primeira parede
há quem pense na janela
quando
a lua eclipsa o sol
há quem olhe para cima
quando
o infeliz se alegra
há quem registe
quando
a muralha é rompida
há quem veja passagem
quando
a água já não molha
há quem confirme e siga
quando
o sarcástico é gozado
há quem entre na brincadeira
quando
o verso já não rima
há quem leia mesmo assim
quando
a chalaça chora
há quem finja que não viu
2012-09-12 - Quando
10/09/2012
Leituras e Escritos
Deambulo e vou lendo tudo o que aparece
neste mundo virtual que nos dizem ser global. Umas coisas ficam na memória,
outras esquecem-se depressa.
Leio gente que se procura na ânsia de se
encontrar, como quem tenta traduzir um vazio que não sabe nomear. Escrevem
dizendo não falar de si nem do que sentem, mas a escrita denuncia-os e nela
fica tudo, ou quase tudo, de si próprios. Até a mentira com que se protegem. E
há quem se diga conhecedor dos seus mais ínfimos meandros, capaz até de
escolher o “eu” como quem escolhe um fato a vestir.
Um não sei quê instalou-se na vida de cada
um. Vivemos enclausurados num contraditório permanente. Repetimos, vezes sem
conta, que somos quem queríamos ser, que estamos onde queríamos estar, mas, em
silêncio, escondemos as contrariedades, as frustrações, os amores falhados e as
desilusões do amigo que “parece” feliz.
Matamos a espontaneidade que nos delata e
deixamos escorrer pelo ralo, no duche, tudo aquilo que realmente queremos e
precisamos.
Depois, mais uma vez, vestimos Chanel no
olhar e fitamos o mundo de cima, com uma segurança que não sentimos. Calçamos
Prada nos sentimentos e calcamos as nossas próprias vidas, já feitas em cacos.
Depois…
É ver-nos diante do horizonte, de olhar
perdido, copos nas mãos esvaziados em sorvos lentos. De pijama vestido, canecas
de café fumegantes entre os dedos, gatos enrolados no colo. Varando noites em
insónias silenciosas e macilentas, tantas vezes salgadas.
Mas, aos olhos de quem nos olha, de quem
nos lê, somos todos muito felizes. E aquilo que escrevemos? Pura ficção.
Mas é à noite, quando a actuação termina e
os espectadores já se foram, que atiramos os sapatos para um canto e deixamos
peças de roupa espalhadas pela casa, até nos depararmos com a nossa nudez. E
perante ela, quase nunca conseguimos mentir.
É então que percebemos que não somos mais
do que meninos famintos de afectos.
Escrita. Essa coisa que se fantasia, se
enfeita, se cobre de fitas, e tantas são as fitas, de cores, sentires e
desejos, do que se tem e, sobretudo, do que se gostaria de ter.
Porque nem toda a ficção é mentira, às
vezes é apenas a única forma suportável de dizer a verdade.
Mas, digam o que disserem, a escrita traz
nas entranhas dores, odores, exultações e exaltações de quem pegou na pena
apenas para redigir aquilo que diz ser invenção.
2012-09-10 - Leituras e Escritos
nn(in)metamorphosis
05/08/2012
Na Minha Cidade
Os poentes são de ouro
Por sobre o mar e o douro
De vinhedos sem idade
Há rabelos, gaivotas e maresia
Ruelas estreitinhas, lampiões
Pombas, coretos, pregões
Xailes cruzados no peito e nos olhos alegria
E ele, completou desta maneira linda
Nesta diversidade
São João é duradouro
E de qualquer miradouro
Se espreita a cidade
Há gente que trabalha, que porfia
Mendigos, arrumadores e ladrões
Cafés, bares, diversões,
Quem chega encontra sempre simpatia
Perfeição
Já alguma vez despiram a palavra certa?
A sua silhueta é de tal forma perfeita que nessa noite mais nenhuma palavra vos irá visitar.
***
nn(in)metamorphosis
01/08/2012
Canto do meio canto
Canto do meio
Poeta cantor de rua
Sabes ler e escrever
Rimas em canto o teu gozo
Eu canto o meu padecer
nn(in)metamorphosis
28/07/2012
Diz-me
Tens tu
abraços que morreram em ti mesmo?
Muitos — mas também muitos que nasceram de mim.
Beijos mordidos na própria boca?
Também — mas quantos partilhados com outra boca.
Desejos aprisionados na fantasia?
Tantos! Quase tantos como os satisfeitos.
Lágrimas que nasceram de risos?
Sim — tal como risos que nasceram de lágrimas.
Olhares que morreram antes de chegar?
Claro — e olhares que nasceram antes de o serem.
Palavras que não chegaram a ser?
Milhares — confundem-se com as que aconteceram.
Ternuras que se afogaram em si mesmas?
Várias — mas voltam.
Vontades que ficaram suspensas no ar?
Umas ficam, outras acontecem.
Não…
não é complicado…
basta viver.
A vida confronta-nos, muitas vezes, com a necessidade de mudança. Muitas vezes está nas nossas mãos escolher a metamorfose que se segue...
2012-07-28 – Diz-me – Desafios
nn(in)metamorphosis
05/07/2012
O Ciclo do Sentir
Há momentos em que tudo
desaba. As convicções que nos ergueram um dia perdem o brilho, esmorecem sem
razão que as sustente. Viver nunca foi fácil.
Mas pouco importa. A dor
também expande a alma, torna-a mais cheia de mundo. O sentido das coisas nasce
sempre dentro de nós, entre o que vivemos e o que nos atravessa, e há instantes
raros em que tudo parece alinhar-se, como se pudéssemos tocar a lua entre
nenúfares de silêncio.
São esses momentos que
quebram o ciclo da dor e inauguram outro movimento. Devolvem-nos a esperança,
não como permanência, mas como passagem. O acreditar em nós e nos outros. A
ilusão necessária de que somos, ainda, donos do nosso destino.
Depois, o ciclo recomeça.
Tudo volta a cair. Sempre volta. E nesse cair repetido, renascemos, não do
nada, mas do que já fomos, mais atentos à fragilidade e à força que nos habita.
Por isso, mesmo no auge
do sentir, não devemos esquecer a sua natureza cíclica. Nem perder de vista o
sorriso que já nos salvou, nem a paz que um dia foi casa.
A magia nunca morre.
Apenas se recolhe, discreta, no movimento do ciclo.
E se deixares de ser o
meu amor, ou eu o teu, não é grave.
Grave seria não haver
amor algum.
2012-07-05 - O Ciclo do Sentir
nn(in)metamorphosis
29/06/2012
Já fui
sem bico nem penas
mas sublime no voo
Já fui palhaça
sem sapatos nem chapéu
mas de sorriso autêntico
Já fui amante
sem sexo nem prazer
mas de emoção profunda.
Já fui vagabunda
sem esmolas nem serapilheira
mas igualmente perdida
Já fui mulher-soldado
sem botas nem arma
mas com honra no olhar
Já fui caçadora
sem arma nem cartuchos
mas com respeito pela caça
Já fui entrega
sem preçário nem nudez
mas com prazer para dar
Já fui sonhadora
sem devaneios nem ilusões
mas faminta de felicidade
Já fui vítima
sem ódio nem rancor
mas com a dor do inocente
Já fui música
sem pauta nem instrumento
mas com melodia no olhar
Já fui mágica
sem pombas nem lenços
mas guardiã do segredo
Já fui cavaleira
sem cavalo nem armadura
mas revestida de princípios
Já fui madre
sem crucifixo nem hóstia
mas banhada em fé
Já fui tudo
Agora sou apenas um sorriso molhado de lágrimas,
escondendo a força das palavras
num silêncio que é só meu
***
2012-06-29 – Já Fui – Fragmentos