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22/09/2012

Cantigas ao desafio XV

Manhã

Apetece-me uma manhã
Não uma manhã qualquer
Mas uma manhã perfeita
Com o brilho dos teus olhos
E a brisa morna do teu suspiro
Apetece-me uma manhã sem ti
De modo a ter te só para mim
Nas coisas que vou visitando
Nos lugares que vou guardando
Apetece-me uma manhã sem gente
Sem ruídos, sem paragens
Uma manhã vertiginosamente tranquila
Com nevoeiro, com as tuas sombras
Apeteces-me sempre de manhã
Porque ainda não te escrevi de tarde nem de noite

2012-09-12 (vc)
(cópia integral e devidamente autorizada)

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Quando o dia finda
e a noite cai
Eu também…
Fica um silêncio gritando
no ar…
Enrosco-me em mim
e vejo a lua chegar
quando há…
E essa lua que eu vejo
Tu também…
E é de todos
E é nossa…
Quando o dia finda
e a noite cai
Eu também…
É quando eu sei
que tu existes
e eu…

      2011.03.02
  nn(in)metamorphosis


21/09/2012

Cantigas ao desafio XIV



http://youtu.be/DCScGlX-ajg

 Tu Parte III


Disseste-me: amanhã não venhas
Não me é possível estar contigo
Entre dois beijos lançados pelo ar
E um desejo-te apressado
E eu não vim
Tentei reorganizar o dia
Inventei mil trajectos alternativos
Mas só me saíram mundos de silêncio
E ideias ocas de sentido
Dediquei-me a inverter o sentido ao tempo
Estraguei o relógio
Construi aviões de papel
Propensos ao desastre
Agarrei um sem número de vezes no telemóvel
E um sem número de vezes me detive
Amanhã não venhas, disseste-me
E hoje não existiu.

          2012-09-18 (vc)
(Cópia integral e autorizada)

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Da próxima vez

Leva-me contigo
Leva-me no pensamento
Preenche o silêncio
Que grita aos ouvidos
E pesa no tempo

Leva-me contigo
Leva-me no peito
Que fico perdida
Barco à deriva
Sem rio nem leito

Da próxima vez
Leva-me contigo
Será que não vês
Que um dia sem ti
É exílio é castigo

*****
 2012-09-19
nn(in)metamorphosis


15/09/2012

Hoje





Hoje…
Mais do que em qualquer outro dia

Apeteceu-me…
Construir um novo eu
Trocar-me por alguém mais sensível
Mais fresca, mais leve
Refazer todos os sonhos
Todas as ilusões

Apeteceu-me…
Deixar de seguir a razão
Ser olhar num rosto inquiridor
Criar asas, sair do chão

Apeteceu-me…
Não acumular mais um ano
Mas nascer de novo
Ou renascer
Por entre os fragmentos do que já fui
Ou será… do que um dia quis ser?

Hoje…
Mais do que em qualquer outro dia
Apeteceu-me…
Mas não fui capaz

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       2012.09.15
nn(in)metamorphosis


12/09/2012

Cantigas ao desafio XIII


Quando:
o solitário é vencido pela solidão
o nómada ergue a primeira parede
a lua eclipsa o sol
o infeliz alegra-se
a muralha é rompida
a água já não molha
o sarcástico é gozado
o verso já não rima
e a chalaça chora
São momentos raros, de pura ironia.

Há momentos ainda mais raros: quando um simples gesto me tolhe a voz e dou comigo a tentar domar a comoção

  2012-09-11 (vc)
Cópia integral devidamente autorizada

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Quando
Falando sozinha
Já não meço as palavras
Vou cuspindo as minhas mágoas
Açoitando a alma em vão
E se sorrio ainda
Não é mais que desespero
Vou libertando demónios
Em cada linha que escrevo
Escalpelizo os sonhos
Sinto tão próximo o fim
Não sei se pelo gosto do sangue
Das palavras que saem de mim

Momentos raros em que me permito saber o gosto da solidão

       2012-09-12
nn(in)metamorphosis


10/09/2012

Leituras e Escritos


Deambulo e vou lendo tudo o que aparece neste mundo virtual. que nos dizem ser global, Umas ficam na memória, outras depressa se esquecem. Leio gente que se procura na ânsia de se encontrar, de saberem traduzir aquele vazio aquele mau estar. Gente que escreve e que diz não ser de si nem do que sente mas, que impregnam na escrita muito ou tudo de si… Creio que até a si mesmos mentem. Gente que se diz conhecer nos mais ínfimos meandros podendo até escolher o “eu” para o fato a vestir.
Um não sei quê, se instalou na vida de cada um, vivemos num contraditório, enclausurado a todo o custo. Repetimo-nos um milhão de vezes, que somos quem queríamos ser, estamos onde queríamos estar mas, calamos do amigo, que “parece” feliz, as contrariedades e frustrações, amores e desilusões. Matamos a espontaneidade que nos delata, e no duche, deixamos que vá pelo ralo, tudo o que realmente queremos e precisamos. E mais uma vez, vestimos Chanel no olhar e olhamos de cima com a segurança que não sentimos, calçamos Prada nos sentimentos e calcamos as nossas próprias vidas, já em cacos. Depois…
É ver-nos a olhar o horizonte, olhares perdidos, copos nas mãos que esvaziamos em sorvos lentos. De pijama vestidos, canecas de café fumegantes entre as mãos, gatos enrolados no colo. Varando as noites, em insónias silenciosas e macilentas, tantas vezes salgadas. Mas, aos olhos de quem nos olha, de quem nos lê, somos todos muito felizes e o que escrevemos é pura ficção.
Mas é à noite, quando a actuação termina e os espectadores já se foram, que jogamos os sapatos, e vamos deixando peças de roupa espalhadas, até nos depararmos com a nossa nudez, perante ela quase nunca nos conseguimos enganar e vemos então, que não somos mais que meninos famintos de afectos,
Escrita. Algo que se fantasia, enfeita, orna de fitas (e tantas são as fitas) de cores várias, de sentires e desejos, do que se tem e do que se gostaria de ter mas, digam o que disserem tem nas suas entranhas dores, odores, exultações e exaltações de quem na pena pegou, apenas para redigir, o que diz, que inventou

            *****
        2012.09.10
nn(in)metamorphosis



05/08/2012

Cantigas ao desafio XII



(desta vez, fiz eu o desafio ao EuOsório)

Na minha cidade
Os poentes são de ouro
Por sobre o mar e o douro
De vinhedos sem idade

Há rabelos, gaivotas e maresia
Ruelas estreitinhas, lampiões
Pombas, coretos, pregões
Xailes cruzados no peito e nos olhos alegria

E ele, completou desta maneira linda

Nesta diversidade
São João é duradouro
E de qualquer miradouro
Se espreita a cidade

Há gente que trabalha, que porfia
Mendigos, arrumadores e ladrões
Cafés, bares, diversões,
Quem chega encontra sempre simpatia

Do "EuOsorio" veja este e outros AQUI -  http://pt.netlog.com/EuOSORIO/blog/blogid=2240970 

 *****
 2012-08-05
nn / EuOsório

Perfeição


Já alguma vez despiram a palavra certa?
A sua silhueta é de tal forma perfeita que nessa noite mais nenhuma palavra vos irá visitar. 


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        2012-08-04
nn(in)metamorphosis 


01/08/2012

Cantigas ao desafio XI



II - Canto do meio canto

Num recanto canto o canto
do encanto e desencanto
e no meio do meu canto...
o meu canto fica a meio!

Semeio um canto no meio.
Tomei-o por meio canto
e no meio canto o meio
( meio do canto ou do meio? )…

Com dois meios no meu canto
qual dos meios é que eu canto?
Canto o meio do meu canto
ou canto o canto do meio?

OC, 20.Julho.2012

Mais do autor aqui - http://pt.netlog.com/EuOSORIO/blog/blogid=2380722#blog

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Resposta ao repto do EuOsório

Canto do meio


Poeta cantor de rua
Que na cidade nasceu
Canta a cidade que é tua
Que eu canto o campo que é meu

Tu és afortunado,
Sabes ler e escrever
Rimas em canto o teu gozo
Eu canto o meu padecer

O teu canto diferente
É de luxo de salão
O meu é como a semente
Nasce em cima do chão

Cantas tu e canto eu
Cantamos o canto do meio
Tu da cidade o céu
Eu da terra o canteiro

        2012-08-01

nn(in)metamorphosis