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22/09/2012

Manhã

Manhã
 
Apetece-me uma manhã
Não uma manhã qualquer
Mas uma manhã perfeita
Com o brilho dos teus olhos
E a brisa morna do teu suspiro
Apetece-me uma manhã sem ti
De modo a ter te só para mim
Nas coisas que vou visitando
Nos lugares que vou guardando
Apetece-me uma manhã sem gente
Sem ruídos, sem paragens
Uma manhã vertiginosamente tranquila
Com nevoeiro, com as tuas sombras
Apeteces-me sempre de manhã
Porque ainda não te escrevi de tarde nem de noite
 
 
2012-09-12 (vc)
(cópia integral e devidamente autorizada)
 
 ***
 
Manhã
 
Apetece-me uma manhã também
mas uma manhã que não se explique
 
Uma manhã que chegue devagar
sem pedir lugar
 
Com o silêncio encostado às coisas
e a luz a cair sem pressa
 
Uma manhã sem gente
não por ausência
mas por espaço
 
Onde o nevoeiro não esconda
apenas envolva
 
E o tempo não se organize
apenas respire
 
Apetece-me uma manhã assim
sem saber onde começa
nem onde termina

  

***
2012-09-22 – Amanhã 
nn(in)metamorphosis


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