Há momentos em que tudo
desaba. As convicções que nos ergueram um dia perdem o brilho, esmorecem sem
razão que as sustente. Viver nunca foi fácil.
Mas pouco importa. A dor
também expande a alma, torna-a mais cheia de mundo. O sentido das coisas nasce
sempre dentro de nós, entre o que vivemos e o que nos atravessa, e há instantes
raros em que tudo parece alinhar-se, como se pudéssemos tocar a lua entre
nenúfares de silêncio.
São esses momentos que
quebram o ciclo da dor e inauguram outro movimento. Devolvem-nos a esperança,
não como permanência, mas como passagem. O acreditar em nós e nos outros. A
ilusão necessária de que somos, ainda, donos do nosso destino.
Depois, o ciclo recomeça.
Tudo volta a cair. Sempre volta. E nesse cair repetido, renascemos, não do
nada, mas do que já fomos, mais atentos à fragilidade e à força que nos habita.
Por isso, mesmo no auge
do sentir, não devemos esquecer a sua natureza cíclica. Nem perder de vista o
sorriso que já nos salvou, nem a paz que um dia foi casa.
A magia nunca morre.
Apenas se recolhe, discreta, no movimento do ciclo.
E se deixares de ser o
meu amor, ou eu o teu, não é grave.
Grave seria não haver
amor algum.
2012-07-05 - O Ciclo do Sentir
nn(in)metamorphosis
Sem comentários:
Enviar um comentário
NOTA: Os comentários são moderados
1 - Os usados para publicitar o próprio blog serão eliminados.
2 - Os outros, tão breve quanto possível, serão publicados.
Grata pela compreensão.