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21/09/2012

Cantigas ao desafio XIV



http://youtu.be/DCScGlX-ajg

 Tu Parte III


Disseste-me: amanhã não venhas
Não me é possível estar contigo
Entre dois beijos lançados pelo ar
E um desejo-te apressado
E eu não vim
Tentei reorganizar o dia
Inventei mil trajectos alternativos
Mas só me saíram mundos de silêncio
E ideias ocas de sentido
Dediquei-me a inverter o sentido ao tempo
Estraguei o relógio
Construi aviões de papel
Propensos ao desastre
Agarrei um sem número de vezes no telemóvel
E um sem número de vezes me detive
Amanhã não venhas, disseste-me
E hoje não existiu.

          2012-09-18 (vc)
(Cópia integral e autorizada)

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Da próxima vez

Leva-me contigo
Leva-me no pensamento
Preenche o silêncio
Que grita aos ouvidos
E pesa no tempo

Leva-me contigo
Leva-me no peito
Que fico perdida
Barco à deriva
Sem rio nem leito

Da próxima vez
Leva-me contigo
Será que não vês
Que um dia sem ti
É exílio é castigo

*****
 2012-09-19
nn(in)metamorphosis


15/09/2012

Hoje





Hoje…
Mais do que em qualquer outro dia

Apeteceu-me…
Construir um novo eu
Trocar-me por alguém mais sensível
Mais fresca, mais leve
Refazer todos os sonhos
Todas as ilusões

Apeteceu-me…
Deixar de seguir a razão
Ser olhar num rosto inquiridor
Criar asas, sair do chão

Apeteceu-me…
Não acumular mais um ano
Mas nascer de novo
Ou renascer
Por entre os fragmentos do que já fui
Ou será… do que um dia quis ser?

Hoje…
Mais do que em qualquer outro dia
Apeteceu-me…
Mas não fui capaz

******
       2012.09.15
nn(in)metamorphosis


12/09/2012

Cantigas ao desafio XIII


Quando:
o solitário é vencido pela solidão
o nómada ergue a primeira parede
a lua eclipsa o sol
o infeliz alegra-se
a muralha é rompida
a água já não molha
o sarcástico é gozado
o verso já não rima
e a chalaça chora
São momentos raros, de pura ironia.

Há momentos ainda mais raros: quando um simples gesto me tolhe a voz e dou comigo a tentar domar a comoção

  2012-09-11 (vc)
Cópia integral devidamente autorizada

*****

Quando
Falando sozinha
Já não meço as palavras
Vou cuspindo as minhas mágoas
Açoitando a alma em vão
E se sorrio ainda
Não é mais que desespero
Vou libertando demónios
Em cada linha que escrevo
Escalpelizo os sonhos
Sinto tão próximo o fim
Não sei se pelo gosto do sangue
Das palavras que saem de mim

Momentos raros em que me permito saber o gosto da solidão

       2012-09-12
nn(in)metamorphosis


10/09/2012

Leituras e Escritos


Deambulo e vou lendo tudo o que aparece neste mundo virtual. que nos dizem ser global, Umas ficam na memória, outras depressa se esquecem. Leio gente que se procura na ânsia de se encontrar, de saberem traduzir aquele vazio aquele mau estar. Gente que escreve e que diz não ser de si nem do que sente mas, que impregnam na escrita muito ou tudo de si… Creio que até a si mesmos mentem. Gente que se diz conhecer nos mais ínfimos meandros podendo até escolher o “eu” para o fato a vestir.
Um não sei quê, se instalou na vida de cada um, vivemos num contraditório, enclausurado a todo o custo. Repetimo-nos um milhão de vezes, que somos quem queríamos ser, estamos onde queríamos estar mas, calamos do amigo, que “parece” feliz, as contrariedades e frustrações, amores e desilusões. Matamos a espontaneidade que nos delata, e no duche, deixamos que vá pelo ralo, tudo o que realmente queremos e precisamos. E mais uma vez, vestimos Chanel no olhar e olhamos de cima com a segurança que não sentimos, calçamos Prada nos sentimentos e calcamos as nossas próprias vidas, já em cacos. Depois…
É ver-nos a olhar o horizonte, olhares perdidos, copos nas mãos que esvaziamos em sorvos lentos. De pijama vestidos, canecas de café fumegantes entre as mãos, gatos enrolados no colo. Varando as noites, em insónias silenciosas e macilentas, tantas vezes salgadas. Mas, aos olhos de quem nos olha, de quem nos lê, somos todos muito felizes e o que escrevemos é pura ficção.
Mas é à noite, quando a actuação termina e os espectadores já se foram, que jogamos os sapatos, e vamos deixando peças de roupa espalhadas, até nos depararmos com a nossa nudez, perante ela quase nunca nos conseguimos enganar e vemos então, que não somos mais que meninos famintos de afectos,
Escrita. Algo que se fantasia, enfeita, orna de fitas (e tantas são as fitas) de cores várias, de sentires e desejos, do que se tem e do que se gostaria de ter mas, digam o que disserem tem nas suas entranhas dores, odores, exultações e exaltações de quem na pena pegou, apenas para redigir, o que diz, que inventou

            *****
        2012.09.10
nn(in)metamorphosis



05/08/2012

Cantigas ao desafio XII



(desta vez, fiz eu o desafio ao EuOsório)

Na minha cidade
Os poentes são de ouro
Por sobre o mar e o douro
De vinhedos sem idade

Há rabelos, gaivotas e maresia
Ruelas estreitinhas, lampiões
Pombas, coretos, pregões
Xailes cruzados no peito e nos olhos alegria

E ele, completou desta maneira linda

Nesta diversidade
São João é duradouro
E de qualquer miradouro
Se espreita a cidade

Há gente que trabalha, que porfia
Mendigos, arrumadores e ladrões
Cafés, bares, diversões,
Quem chega encontra sempre simpatia

Do "EuOsorio" veja este e outros AQUI -  http://pt.netlog.com/EuOSORIO/blog/blogid=2240970 

 *****
 2012-08-05
nn / EuOsório

Perfeição


Já alguma vez despiram a palavra certa?
A sua silhueta é de tal forma perfeita que nessa noite mais nenhuma palavra vos irá visitar. 


******
        2012-08-04
nn(in)metamorphosis 


01/08/2012

Cantigas ao desafio XI



II - Canto do meio canto

Num recanto canto o canto
do encanto e desencanto
e no meio do meu canto...
o meu canto fica a meio!

Semeio um canto no meio.
Tomei-o por meio canto
e no meio canto o meio
( meio do canto ou do meio? )…

Com dois meios no meu canto
qual dos meios é que eu canto?
Canto o meio do meu canto
ou canto o canto do meio?

OC, 20.Julho.2012

Mais do autor aqui - http://pt.netlog.com/EuOSORIO/blog/blogid=2380722#blog

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Resposta ao repto do EuOsório

Canto do meio


Poeta cantor de rua
Que na cidade nasceu
Canta a cidade que é tua
Que eu canto o campo que é meu

Tu és afortunado,
Sabes ler e escrever
Rimas em canto o teu gozo
Eu canto o meu padecer

O teu canto diferente
É de luxo de salão
O meu é como a semente
Nasce em cima do chão

Cantas tu e canto eu
Cantamos o canto do meio
Tu da cidade o céu
Eu da terra o canteiro

        2012-08-01

nn(in)metamorphosis


28/07/2012

Cantigas ao desafio X

Diz-me…
Tens tu,

Abraços que morreram em ti mesmo?
Beijos mordidos na própria boca?
Desejos aprisionados na fantasia?
Lágrimas que nasceram risos?
Olhares que morreram antes de chegar?
Palavras que não chegaram a ser?
Ternuras que se afogaram em si mesmas?
Vontades que se ficaram no intuito?

Não,
Não digas!
Apenas chora comigo

           *****

   2012.03.30
  nn(in)metamorphosis 

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Com tua licença, e com a devida vénia à nn Metamorphosis, prefiro este poema (re)escrito assim

Diz-me…
Tens tu,

Abraços que morreram em ti mesmo?
Muitos! Mas também muitos que nasceram de mim!
Beijos mordidos na própria boca?
Também! Mas quantos partilhados com outra boca!
Desejos aprisionados na fantasia?
Tantos! Quase tantos como os satisfeitos!
Lágrimas que nasceram risos?
Sim! Tal como lágrimas de alegria!
Olhares que morreram antes de chegar?
Claro! E olhares que nasceram antes de o serem!
Palavras que não chegaram a ser?
Milhares! Confundem-se com as que foram!
Ternuras que se afogaram em si mesmas?
Várias! Mas ressuscitam!
Vontades que se ficaram no intuito?
Sempre! Mas prontas a partir, como as que já foram!

Não,
não é complicado...
basta viver!

(adaptação OC, de repente, 28Julho2012)

A vida confronta-nos, muitas vezes, com a necessidade de mudança. Muitas vezes está nas nossas mãos escolher a metamorfose que se segue...


11/07/2012

Cantigas ao desafio IX



Quê?
Acertadamente errei
por não querer parecer acertado
porque se acertadamente tivesse agido
outro alguém passaria por errado
Se acertadamente poupei a outrem o erro
mesmo tendo passado por errado
então erradamente errei, pensando ter acertado
Nesta lógica mesquinha
dei por mim todo trocado
já não consigo discernir
entre o certo e o errado.

 2012-07-10 (vc)
cópia integral devidamente autorizada

*****
E porque não?

Com a pá da palavra tirar
O acertad da palavra acertadamente
o agi da palavra agido
poeta de trocadilhos
fica toda trocadinha
quando se pensa errado
mas não certo do seu erro
que não é dele é de outrem
mas de outrem que acerta
erradamente  também
ao aceitar do poeta
o erro que ele não tem
e nesta ilógica mesquinha
faço eu a baralhada
com a pá da palavra tirar
a palha da palavra trapalhada
o amor da palavra namorada
e o que sobra?
Nada!

      2012-07-11
nn(in)metamorphosis


07/07/2012

Cansada

Estou cansada, frágil, de sentido adormecido, sem toque da efervescência da quimera que prometia a sedução do abraço que eu sonhava... Cansada da sensação de vácuo do sonho sem ponta por onde me enlace...

*****
          2012-07-07
mm(in)metamorphosis


05/07/2012

Amor


Há momentos em que tudo parece desabar. As convicções que tanta força deu no passado, perdem todo o seu fulgor, esmorecem sem sentido. Viver não é fácil... Nunca foi! Mas, pouco importa. A dor torna a alma maior, mais cheia de "mundo". O sentido das coisas, nasce sempre dentro de nós, fruto de um indelével trabalho interior ou por factos exteriores e, a conjuntura perfeita para fluirmos de nenúfar em nenúfar, nasce como se pudéssemos tocar a lua.
Esses momentos de vida varrem toda a dor que possa existir na nossa memória, são a força motriz que pare a esperança, o acreditar em nós e nos outros, que nos permite ser donos do destino, do nosso destino. No entanto... Não haja ilusão, um dia, tudo voltará a desabar... O circulo recomeça e queda após queda, renascemos do nada, mais fortes e convictos. Por esta razão, nunca devemos esquecer de afagar a lágrima e a dor nos momentos de êxtase, nem perdermos a noção de como o sorriso e a paz de espírito já foram nossos companheiros nos momentos mágicos... Quando a magia parece ter acabado.
Afinal, meu amor... A magia nunca morre. Esconde-se por uns tempos... Simplesmente
E se deixares de ser o "meu" amor ou eu o teu
Não é grave
Verdadeiramente grave
Seria não haver amor sequer

*****
        2012-07-05
nn(in)metamorphosis


29/06/2012

Já fui...



Já fui pássaro
sem bico ou penas
mas de voar sublime

Já fui palhaça
sem sapatos ou chapéu
mas de sorriso autêntico

Já fui amante
sem sexo ou prazer
mas de emoção profunda

Já fui vagabunda
sem esmolas ou serapilheira
mas perdida na mesma

Já fui mulher soldado
sem botas ou arma
mas com a honra no olhar

Já fui madre
sem crucifixo ou hóstia
mas banhada em fé

Já fui cavaleira 
sem cavalo ou armadura
mas carregada de princípios

Já fui mágica
sem pombas ou lenços
mas com o segredo guardado

Já fui prostituta
sem preçário ou nudez
mas com prazer para dar

Já fui caçadora
sem arma ou cartuchos
mas respeito pela caça

Já fui sonhadora
sem devaneios ou ilusões
mas sôfrega de felicidade

Já fui vítima
sem ódio ou rancor
mas com a dor do inocente

Já fui música
sem pauta ou instrumento
mas com melodia no olhar

Já fui tudo!
Agora sou apenas um sorriso de lágrimas molhado,
que esconde a força das palavras num silêncio que é só meu.

     *****
      2012-06-29 
(Tiago Galvão Teles)
nn(in)metamorphosis