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20/05/2026

Na maresia do mundo

 


Não sou poeta
nem sei ler poesia
 
Sou gente comum
que escreve o que sente
e sente o mundo na maresia
 
Todos os dias têm poesia
mesmo quando ninguém repara
 
ela esconde-se nas coisas pequenas
num copo de água pousado à pressa
no som leve de passos ao longe
na luz que entra sem pedir licença
 
Quando não a vejo
fecho os olhos
não para fugir
mas para escutar melhor o mundo
 
E então sinto
 
o vento a dançar sem corpo
o tempo a respirar devagar
o silêncio a dizer tudo
 
Talvez a poesia seja isso
não algo raro
 
mas algo que só aparece
quando ficamos quietos
o suficiente para sentir


***
2026-05-20 – Na maresia do mundo 
nn(in)metamorphosis

8 comentários:

  1. Já não encontro palavras para definir o que por aqui vou lendo.
    Bom dia, dona no.

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    1. Talvez a poesia viva justamente aí, no lugar onde faltam palavras.
      Obrigado, sô António

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  2. Apetece, ler e reler.
    Perfeito!

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    Respostas
    1. Olá, Fox
      A perfeição não existe :-)

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  3. Um belo poema que nos convida a visitar e sentir a poesia.
    os melhores cumprimentos

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    Respostas
    1. Muito obrigada. Se o poema conseguiu convidar alguém a sentir, então já encontrou o seu lugar.
      Melhores cumprimentos

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  4. A maresia não se vê, mas sente-se na pele e respira-se no ar.
    A poesia faz o mesmo com os sentimentos mais profundos.

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    Respostas
    1. Gostei muito dessa leitura. Há coisas que não se explicam, sentem-se, como a maresia.
      Beijinho

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