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07/08/2010

Quando Vieres


Quando for tempo de chegares, vem
Devagar
Como a noite quando desce
Sobre o corpo do mar
 
Traz contigo
O beijo suspenso
As palavras quentes junto ao ouvido
O toque breve que acorda a pele
O silêncio imóvel antes da vertigem
E essa sede mansa
Que sem nome me percorre
 
Traz também
O incêndio secreto do desejo
Que desfaz
Na urgência doce do amor
A força na suavidade
A entrega na vontade
O instante na eternidade
 
E deixa acontecer
O teu e o meu querer
No exacto momento
Em que deixamos
De nos pertencer apenas
Em sonho

 
***
2010-08-07 - Quando Vieres
nn(in)metamorphosis

06/08/2010

Gosta-me...


Não sou melhor nem pior, sou apenas eu, com um jeito agridoce, meio filha da mãe.

 Com altos e baixos; algumas certezas num sem-fim de (des)conhecimento; interrogativa, com urgência nas respostas; contraditória, na procura de algo sólido em letras, palavras ou ações que me permitam conhecer mais.

 Inseguranças? Muitas! Mas apenas porque as minhas decisões podem magoar terceiros; segura do que quero e, principalmente, do que não quero; avessa a situações dúbias; defensora do preto no branco, embora conheça o cinzento.

 Respeitadora de todos em geral; se amiga? amiga a tempo inteiro, ou nem por perto. Não cultivo ódios nem rancores; gosto de gostar e de quem gosta de mim; tiro a camisa, mas não me usem, não me abusem, não menosprezem a minha aparência ingénua; posso demorar, mas acordo.

 Confio e sou confiável; sorriso e coração abertos, muitas vezes erroneamente entendidos como sendo tola ou presa fácil; sou teimosa; combativa; frontal; explosiva; e, se magoada, fico sem chão durante um tempinho, mas curo-me.

 Sou isto, ou muito mais para alguns; muito menos para outros; ou nada para muitos.

 Mas, no fim, não podendo viver sozinha, viverei, com certeza, muito feliz, sem muita gente.

 Gosta de mim como sou, cheia de certezas e dúvidas, conhecimentos e ignorâncias, avanços e recuos, medos e ousadias.

 Gosta de mim ensinando-me, criticando-me de forma construtiva, mas, principalmente, gosta de mim levando-me ao teu lado, nem um passo à frente, nem um atrás.

 Só assim reconheço e entendo a amizade.



***
2010-08-06 - Gosta-me
nn(in)metamorphosis


01/08/2010

A Morte


Lido mal com a morte… lido? No final, até acho que nem lido… porque não a interiorizo. Fico numa espécie de entorpecimento (“não é verdade, aquilo não aconteceu”) e vou vivendo sentimentos profundos e emoções intensas de irritabilidade, tristeza, raiva, medo e desesperança durante muito tempo. Depois fica a saudade, o sentir de uma ausência que não realizo como morte, mas como perda do convívio.

Se falo do assunto, assumo que morreu, mas não sinto que tenha morrido. Nunca soube que nome dar a esta minha forma de sentir a morte, até que ontem uma amiga me disse:

“Vejo a morte como uma viagem que alguém fez antes de mim.”

Considerando que uma coisa da qual temos plena certeza é que um dia morreremos -  bastando, para isso, nascermos - então a minha amiga deu-me a chave que nunca tinha encontrado. Os que já perdi para a morte não morreram; apenas viajaram antes de mim…

Morreu António Feio? Não. Apenas viajou antes de nós.






***
2010-08-01 - Morte
nn(in)metamorphosis

11/07/2010

Quero mais



Quero mais…
mais do que sonho ou imaginação

 Quero o teu cheiro, doce e quente
o teu corpo perto do meu
a tua boca na minha
o desejo sem pressa 

Quero perder-me em ti
ir mais fundo
deixar o mundo lá fora
e ficar apenas no instante

 Quero mais…
ficar perdida em ti
 

 ***

2010-07-11 - Quero mais
nn(in)metamorphosis


27/06/2010

Este vazio



Sinto a lágrima a cair.

Tenho uma angústia no peito e uma tristeza no corpo.

Já nem sei há quanto tempo isto está aqui. Nem sei o que é. Só sei que não passa. Às vezes parece que vai embora, mas volta sempre mais forte.

 Não queria sentir isto.

 Guardo isto para mim. Não conto a ninguém. Nem a mim mesma. E mesmo que contasse, acho que não mudava nada.

 De há algum tempo para cá, há dias em que preferia não acordar.

 Não é que a vida seja só má. Mas há um vazio dentro de mim que não sei explicar. E não sei como preencher.

 Não sei quando começou. Um dia estava bem. Depois comecei a sentir falta de coisas que nem sei dizer o que são.

 Os meus sonhos, os meus planos… parecem ter desaparecido.

 Ficou um vazio.

 Amo o que tenho. Consigo continuar os dias. Mas sinto que eu própria me perdi algures.

 Só queria paz.

 A minha vida foi vivida em função de uma luta longa. Dei-lhe tudo. Agora essa fase terminou e fiquei sem direção.

 E continuo assim.

 Um dia talvez conte isto. Talvez não.

 

***

2010-06-127- Este vazio 2010-06-10
nn(in)metamorphosis


Tu no virtual



Tu!
Chegas-me de mansinho na conversa
Num momento de alegria ou de tristeza
E envolves-me na tua presença
Feita de palavras
 
E em ti encontro
O carinho
do amigo ou da amiga
Que nunca vi nem encontrei...
 
Tu!
Chegas tão mais presente
No sorriso do momento
 
Em palavras, conversas, gestos escritos
De dois seres que se unem distantes
Na eterna e sincera amizade
Do virtual, perdido no espaço...
 
Tu!
Talvez ainda mais real
Que tantos outros encontros
 
Acompanhas-me
Em noites de escrita e leitura
No silêncio de tantas horas
E cada um é um de nós...
Eu, tu e o virtual

 Abraço-te


***
2010-06-27  Tu no virtual  
nn(in)metamorphosis


21/06/2010

Retrato ardente



Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.

No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.

Eugênio de Andrade 

 
Enviada por:  Blog - Sem Ti


16/06/2010

Amanhã é outro dia

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Não te ausentes
Não te defendas
Não te feches
Não te recuses a viver
(mesmo a viver devagar)
 
Fala comigo!!!
Numa conversa sem razão
Vamos só falar à toa
Do tempo, da vida
De quem já partiu
 
Vem!!!
Conta-me uma anedota
Joguemos um jogo, faz batota
Faz-me rir e ri comigo
 
Amanhã é outro dia, amigo


***
2010-06-16 - Amanhã é outro dia
nn(in)metamorphosis


06/06/2010

Hoje estou triste


Hoje estou particularmente triste.

Não que tenha mais razões do que ontem, mas porque, às vezes, basta um pequeno nada para transformar um dia de sol num dia de nuvens negras. Então, a tristeza invade e toma conta do tempo.

 Nesses momentos, as palavras tornam-se mais melancólicas, longe da alegria que normalmente me acompanha.

 Mas hoje… hoje sinto-me triste, desmotivada, desapontada... enfim... sinto um misto de sensações que me tira a vontade de fazer, de desejar, de ambicionar algo... simplesmente não tenho vontade de NADA.

 Sinto-me cansada: de rir quando a vontade é chorar, de parecer forte quando necessito de colo, de baixar a cabeça engolindo a raiva perante o infortúnio, de me agarrar a uma fé sem nome e, ainda assim, sentir-me desamparada.

 Mas tudo é efémero… até mesmo esta tristeza.

Porque a vida não quer saber se aguentas ou não, apenas segue o seu curso. E ou aprendemos a acompanhá-la, ou ela acaba por nos arrastar.



***
2010-06-06 - Hoje estou triste
nn(in)metamorphosis


13/05/2010

Manta de Retalhos


Nasci …retalhinho de fino linho, num lar de amor criada
Com sedas, rendas e arminhos, minha vida foi ornada
Entre a cidade e o vale, a adolescência foi tecida
Cruzei o mar e vi… uma terra prometida
De terras vermelhas,  palmeiras  e mulembas
corpos morenos, noites quentes e muito, muito semba
Voltei cruzando os céus… de modo triste, perdida
Hoje sou uma manta, de retalhos, colorida
E, em cada um, sou EU, de várias cores e  tamanhos 
Há os de sonhos… perdidos, esquecidos, sonhados
Mas há tambem os reais… vividos, realizados
Lanço o olhar e descubro … naquele junto ao soalho
Nele, sou raio de sol, no outro, gota de orvalho
Naquele, jovem menina, lá além , sou sonhadora
Ali mesmo, despedida , mas aqui, sou trovadora
Olho outro, sou saudade, no seguinte, cor de papaia
Neste, sou oceano, naquele , areia da praia
Aqui, eu sou tristeza, mas ali, sou alegria
 Lá ao centro, eu sou música, e nas beiras, poesia
Tanto retalho… uma vida… do resto que há p’ra viver
Há aqueles, que não quis, e os que não quero esquecer
Mas em todos  sou amor!
E em alguns… suspiros de prazer



***
2010-05-12 - Manta de Retalhos
nn-(in)-metamorphosis


10/05/2010

Inventada Lua





Toca-me o corpo

como quem descobre um segredo
e acende-me o olhar
sem precisar de palavras
 
Sussurra-me aquilo
que já sabemos em silêncio
e conduz-me…
sou terra à espera de mar
 
Mesmo que seja dia
e o céu não peça lua
deixa que ela venha
- inventada entre nós-
e se demore
 
Beija-me devagar
como quem reconhece o tempo
e respira em mim
até o mundo ficar longe
 
Entrelaça-te em mim
como se o instante fosse eterno
e nada mais tivesse lugar
 
E fica



***
2010-05-10 - Inventada Lua
(in)metamorphosis


22/04/2010

Serena de novo



Enfim… serena.
Enfim…ciente de tudo estar feito.
Enfim… posso seguir, iniciando novo capítulo.
Pragmática sim, com uma enorme necessidade de clareza.
Lido mal com assuntos mal resolvidos, tudo o que se torna dúbio, me deixa insegura, pouco à vontade, e este facto torna-se muitas vezes, arma usada contra mim.
Não sou isenta de defeitos mas, existem alguns que não tenho mesmo, e se postos em dúvida, criam-me instabilidade, um quase estado doentio, e faço o que preciso for, para aclarar as aguas. Os “nins” deixam-me inquieta e torna-se urgente, arrumar o desarrumado, o corrigir o engano, o desfazer de dúvidas.
A oportunidade surgiu, quando já não a esperava, e agarrei-a com as duas mãos, a chance que tanto tinha pedido, que tanto tinha esperado estava aí… Olhando de frente, agora, olhos nos olhos, eu repeti, o já dito outras vezes, NÃO FUI EU!!!
Feito isso, fechei o capítulo, independente do resultado. Deixou de ter importância, se acreditam ou não. Em consciência eu estou em paz, aliás, eu sempre estive em paz, todavia, agora sigo... serena de novo.


***
2010-04-21 - Serena de novo
nn(in)metamorphosis



Quando nestas coisas do virtual, alguém faz algo condenável, e a pessoa atingida, pensa e afirma ter sido quem não foi.


16/02/2010

Meu doce pecado

Na vida todos temos 
Um segredo inconfessável 
Um arrependimento irreversível 
Um sonho inalcançável 
Um amor inesquecível



Perco-me em sonhos
quando me lembro de ti
do teu corpo
do teu beijo leve
 
E penso… e sinto…
 
E és como luz nas minhas veias
uma presença doce e tranquila
que me acompanha
ontem, hoje e amanhã


***
2010-02-16 - Meu doce pecado
nn(in)metamorphosis


17/01/2010

Evasão



E enquanto o leve vento passa
a evasão acontece
 
Na ausência de pensamento
torna-se etérea
e, por escassos segundos
deixa de ser matéria
 
para fazer parte do universo
em pleno silêncio


***
2010-01-17 - Evasão
nn(in)metamorphosis


11/01/2010

Na corda bamba



Na corda bamba da vida, mais um ano se desfez como uma nuvem levada pelo vento. Outro começa agora, erguendo-se sobre sonhos, promessas e silenciosas esperanças.
 
Num palco onde nos cruzamos e representamos tantos papéis, desfilamos sentimentos, repetimos gestos, trocamos palavras, contemplamos rostos... Mas, no fim, o que verdadeiramente permanece? Quem ficou? Quem partiu?
 
Quem ficou, mesmo na ausência, continua a caminhar ao meu lado. Talvez num sorriso guardado, numa palavra que ecoa, num gesto que o tempo não conseguiu apagar. Permanecerá para sempre em mim a memória viva do que foi.
 
Aos que passaram pela minha vida e aos que nela permaneceram, o meu sincero agradecimento por serem como são.
 
Alguém que ficou diz:
 
“Como é triste tornar-se apenas memória...
Onde repousa a afeição que resiste, borboleta?
Tu voas... e eu choro.”
 
E eu respondo:
 
Muitas pessoas passam pela nossa vida apenas de passagem. Ainda assim, nenhuma passagem é inútil. Cada palavra, cada gesto, cada silêncio e até cada ausência deixam marcas invisíveis que, de alguma forma, contribuem para aquilo que nos tornamos.
 
Eu voo
Eu sorrio
Mesmo quando o sorriso nasce entre lágrimas
 
Deixo livres todos aqueles que amo e estimo
 
Se partem, regressam ou ficam, talvez seja apenas porque assim teve de ser... Talvez porque eu tenha merecido cada encontro e cada despedida.

 

***
2010-01-11 - Na corda bamba
nn(in)metamorphosis


31/12/2009

Tenho dias...


Tenho dias coloridos e dias sem cor
 
Dias cinzentos, de chuva, de tristeza
e outros de sol, de música, de muita alegria
Em alguns, sou voo livre
Noutros, perco as asas do sonho
 
Dias em que me sinto bonita
e outros um quase nada
Em alguns, sou poema, inteira, apaixonada, plena
Noutros, apenas uma estrofe fora do lugar
 
Dias que parecem não ter fim
e outros que passam sem que eu dê por eles
Uns de altos e baixos, excessos e falhas
Noutros, de calma, silêncio e esperança
 
Dias em que sinto muito
e outros, que nem sei bem o que sinto

De todos
guardo ensinamentos
que gostaria de eternizar


***
 2009-12-31 - Tenho dias...
nn(in)metamorphosis


02/12/2009

Teimosamente





A vida teimosa
mantém-me viva
mesmo quando morro
aos poucos
 
apática, sinto-me
a ficar e a partir
ao mesmo tempo
 
a mente sabe
mas o corpo demora
a lembrar-se
que é preciso continuar
Ficar de pé
seguir o horizonte
 
E quando um primeiro passo surgir
sem alarde
e a jornada começar
sob o sol que nasce e se põe
 que nem os mosquitos
me roubem o silêncio
nem o tempo apague
os motivos que me feriram

 
**
*
2009-12-02 – Teimosamente 
nn(in)metamorphosis


18/11/2009

Sou incapaz de sentir com letra MINÚSCULA



A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos: olhares, vivências, recordações, saudade.
 
Momentos que registo em papelinhos escritos e aos quais, a cada dia que passa, dou mais valor.
 
Para os guardar, tenho duas caixas: uma grande e, por vezes, curta, a que chamo “memória”, e outra, mais pequena mas não menos importante, a que chamo “coração”.
 
Na maior, eu guardo as decepções, as quedas que fui dando pela vida fora, os olhares e as palavras vãs… sui generis esta caixa: por mais maus momentos que lá guarde, nunca os encontro todos quando seria preciso. Tem compartimentos vários e diversos modos de arquivo. Há papelinhos quase imperceptíveis, outros onde palavras e até frases inteiras estão apagadas, levadas pelo tempo, a que vou chamar “esquecimento”…

 Mas, 
porque se desvanecem?

Mesmo sendo maus, e talvez por o serem, esses momentos deviam manter-se vivos e legíveis, para nos deixar em alerta. Mas não, uma e outra vez, o “esquecimento” permite que venha mais um desses momentos que ninguém pede, deixando no início muita amargura, muita revolta, e, ao fim de algum tempo, uma melancolia, ou mesmo uma aceitação apaziguada que, quando lembrada, faz reviver o momento, faz cair uma lágrima.

Outros papelinhos ficam, com escrita indelével, e perduram no meu coração, fazendo de mim o que sou…
E juntos, fazem o que eu chamo de momentos de felicidade, porque felicidade, em si e num todo, não acredito que haja.
 
Olhares, palavras, vivências, recordações e saudade.
 Guardo-os na pequena caixa, que abro, olho, mexo e remexo sempre que preciso encontrar o meu sorriso, para continuar o meu caminho, a minha vida…

Tenho-a neste momento aberta
qual escancarada janela
Preciso levantar-me, erguer a cabeça e andar
Preciso do meu sorriso, nela encontrar


***
 2009-11-18- Sou incapaz de sentir com letra MINÚSCULA
nn(in)metamorphosis

17/11/2009

A Fatiota Amarela de Sol




Tenho andado um bocadinho tristonha, apática, quase letárgica… fico assim sempre que a vida me maltrata. Vida? Não!... Não é a vida, são mesmo as pessoas… mas nada de preocupante, é temporário. Tem sido sempre assim e desta vez não será diferente. Eu volto a levantar-me.

 Para conseguirmos ser timoneiros das nossas próprias vidas, é necessário ir fazendo pequenas paragens para arrumarmos a embarcação. Primeiro, desfazermo-nos do que nos é nefasto. Depois… do que não nos faz falta nem contribui para que a viagem seja agradável. Arrumar no lugar certo o que, mesmo não sendo preciso a toda a hora, sabemos estar lá, e é de importância vital sabermos isso. E por fim, dar lugar de destaque ao que nos é absolutamente imprescindível para continuarmos a ser viajantes neste barquinho que somos cada um de nós, neste mar imenso que são as relações humanas no seu todo.

 Está a chegar o momento, já o sinto, de olhar uma última vez para os acontecimentos e, agora consciente após a paulada, escrevê-los num papel e colocá-los na caixa grande.

 O resto?... o resto o tempo fará...

 Tempo… o tempo tem culpa de muita coisa, e aqui também é culpado. Está cinzento… e acinzenta-me. Preciso de algum tempinho para ir buscar a fatiota amarela de sol e com ela vestir o espírito. Assim que a encontre, encontrarei também vontade e força, agora que levantada estou, para erguer a cabeça e seguir mar adentro nesta minha viagem.


 ***
2009-11-17 - A Fatiota Amarela de Sol 
nn(in)metamorphosis




01/11/2009

Ironia...



Ironia

 

é sermos ausência
na nossa própria presença

 

é ouvirem-nos
mas não nos escutarem

 

é olharem-nos
mas não nos verem

 

é crescer a raiva
num ser em agonia

 

no mundo do parecer
é urgente
ter atitude

 

mais do que prosa,
mais do que poesia

 



***
2009-11-01-  Ironia
nn(in)metamorphosis


12/10/2009

Enfim... de novo juntos



Cumpri a promessa feita há 19 anos, a de vos reunir na única que vos separou... a morte. Embora vos tenha perdido aos 2, em apenas um ano, só hoje o pude fazer.

Tal como diz a lápide, ninguém jamais separa o que o amor uniu.

Estão agora, de novo, juntos…
Um beijo saudoso e do tamanho do mundo desta vossa filha


Esta noite sonhei contigo



Esta noite sonhei contigo.
Nunca te vi o rosto, apenas a tua mão segurando a minha,
mas sabia que eras tu… E sabes? Os momentos sonhados não eram assim tão antigos, mas a minha imagem era ainda a de uma criança, de rabo de cavalo bem louro.

Andámos pela nossa cidade e tu levaste-me ao Majestic,
e vi os meus olhos brilharem de contentamento diante daquela torrada bem lourinha, com muita manteiga, como eu gostava… gosto? Já nem sei…

Passou-se tanta coisa na minha vida, algumas tão más, e tu não estavas cá… e eu precisava tanto do teu colo.
 
Perdi-te, e na hora da despedida pediram-me para dizer alguma coisa… dizer o quê? Que não escolhemos os nossos pais, mas se pudéssemos, era a ti que eu teria escolhido.
 
Não te disse adeus, e há quem diga que o devia ter feito,
mas adeus é para quem morre,
e tu, Pai, estás bem vivo no meu peito.
 
01.03.2009
 
***
 
14.03.2009
 
11h35. Saio da gare de camionagem na Batalha, paro… e um sol lindo, acompanhado por uma aragem fresca, abate-se sobre mim, como que a dizer: «Bem-vinda a casa.»
 
As lágrimas rasam-me os olhos… que saudade… nem eu tinha noção do seu tamanho.
 
E fui andando, olhando tudo como se fosse a primeira vez…
Pessoas que passam fixam-me, como se perguntassem: “Chora e sorri?!?”
 
Fui ao Majestic tomar café contigo, Pai… e houve um momento em que senti que, se esticasse o braço, te tocava.
 
Da emoção não falo, porque não sei descrevê-la por palavras.
 
Saí e deambulei por aquelas ruas. Está tão diferente, Pai… nem parece a nossa cidade… Falta-lhe o teu e o meu riso, que dizem ser tão iguais. Falta a mão que me dava segurança e me fazia sentir dona do mundo.
 
Caminho e apenas sorrio, porque a saudade não ri, apenas sorri por entre lágrimas…
 
Até breve… eu vou voltar mais vezes.
 

 

***
Publicado
2009-10-12 – Esta noite sonhei contigo 
nn(in)metamorphosis


Se saudade matasse…





 

Acho que hoje não estou bem
Tem algo que me aperta o peito
E aquela alegria superficial se vai devagarinho
Como as nuvens no céu
Eu poderia quebrar o espaço de tempo
Que há entre eu e tu
Mas já não acredito em magia


ah!... mas se saudade matasse...
o meu mundo desabaria por falta de ti


Sinto que hoje não é o meu dia
Sinto que estes anos não foram bons dias
Acho que se eu pulasse
Com todas as minhas forças
Eu poderia chegar até ti, num só segundo
E um piscar de olhos seria lento demais
Para acompanhar as batidas do meu peito
Ao voltar a ver-te


ah!... mas se saudade matasse...
o meu mundo desabaria por falta de ti


Porque, se saudade matasse…
África… eu já teria morrido


***
2008-11-12 - Se saudade matasse...
nn (in) metamorphosis