Lido mal com a morte… lido? No final, até
acho que nem lido… porque não a interiorizo. Fico numa espécie de
entorpecimento (“não é verdade, aquilo não aconteceu”) e vou vivendo
sentimentos profundos e emoções intensas de irritabilidade, tristeza, raiva, medo
e desesperança durante muito tempo. Depois fica a saudade, o sentir de uma
ausência que não realizo como morte, mas como perda do convívio.
Se falo do assunto, assumo que morreu, mas
não sinto que tenha morrido. Nunca soube que nome dar a esta minha forma de
sentir a morte, até que ontem uma amiga me disse:
“Vejo a morte como uma viagem que alguém
fez antes de mim.”
Considerando que uma coisa da qual temos
plena certeza é que um dia morreremos - bastando, para isso, nascermos - então a minha
amiga deu-me a chave que nunca tinha encontrado. Os que já perdi para a morte
não morreram; apenas viajaram antes de mim…
Morreu António
Feio? Não. Apenas viajou antes de nós.
nn(in)metamorphosis

Comecei desde cedo a lidar com a morte... mas até a comparei com uma festa, lembro-me bem.
ResponderEliminarMais tarde sofri e revoltei-me.
Numa outra etapa da vida compreendi que chegasse para aliviar da dor os que amava e por quem sofria. Antes disso, achei que estava a ser egoísta, que a perda do outro/a me fazia sofrer por me fazer falta a convivência com os que, de facto, amava .
Hoje... ainda que sofrendo com tudo e todos que vejo perecer e que, se puder, evito que sofra, creio ser uma forma de transmutação de tudo o que existe.
Só não sei qual. Mas, se ficar alerta, um dia saberei.