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24/10/2012

Cantigas ao desafio XVIII



Princípio da Loucura ou o efeito colateral da febre

Por vezes respiro um mar chão
Doutras, negras tempestades
De calmas e fúrias me mantenho
Sem sossego progrido
Ah, o cheiro do risco
A tontura da queda eminente
A náusea de fazer bem o que é errado
Entre o clamor e a desgraça
Entre a glória e o esquecimento
Escolho desgraçadamente o esquecimento
E que minha alma mendigue
Por becos imundos
De pensamentos perdidos

                  23.10.2012 ( vc)
(Cópia integral e devidamente autorizada)

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Desassossegado o desassossego
De uma alma desassossegada

Com a insatisfação a roer
O querer… o que não a quer
E o que a quer… não querer
Sente-se a alma perdida,
Vagabunda de pensamentos
Actos, omissões, excrementos
De nauseabunda vida
Vive entre o não e o sim
Vive num limbo de extremos
Entre prazeres, riscos e medos
Alma que vive num nim

E nim assim.. encontre sossego

       2012.10.24
nn(in)metanorphosis


18/10/2012

Cantigas ao desafio XVII

Corvo
 

Sou das sombras e da luz
De todo o bem e do mal
Do que iniciou o final
Do que diz morrer na cruz
Do perdão, dos pregões
Dos que tentam os sermões
Sou-lhes surdo, estou além
Tudo o que sinto é desdém
De quem me tentou seduzir
Sem jamais o conseguir
Do que faço, do que digo
Do que oiço ao ouvido
Da fúria que me move
Do desprezo que me comove
Assim me visto como sou
Assim me fico, não me dou
E da metade do todo
Sou o excesso, sou o corvo

                     15.10.2012 vc
(Cópia integral e devidamente autorizada)

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No seu leito já deitada
Colcha de noite sem cor
Lençóis do dia bordado
De momentos sem fulgor

E num preciso momento
De rompante levantou
Sozinha não dormiria
Ali mesmo se jurou

Tapou-se de negra capa
Desdenhou sermões pregões
De capuz velou o rosto
E também as intenções

Devagar e levemente
Aquela porta empurrou
E entre a sombra e a luz
Se fez presente, assomou

Quem era ele sabia
E mesmo assim perguntou
A resposta chegou doce
De quem ao peito o criou

Sim… a morte sou!

         2012.10.17 
nn(in)metamorphosis


15/10/2012

Silêncio





De tão calada até parecerá, que não sinto nada, que não penso nada. Grande o engano. Apenas não encontro palavras à medida do que trago cá dentro. Só o silêncio. Brados e murmúrios são agora inaudíveis. Soam em tempestuoso alvoroço. Intensos, densos… Mas só por dentro.

*****
       2012.09.15
nn(in)metamorphosis


09/10/2012

O meu maior sonho




Já há algum tempo me venho a perguntar… Qual o meu maior sonho?

“Ser feliz” respondo-me sem hesitação… possivelmente a resposta mais elementar e autêntica que espontaneamente me aflui ao pensamento mas, será que é isso mesmo?
Como posso definir felicidade? Como posso reputar um momento de “momento feliz” se tantos outros diferentes podem definir-se do mesmo modo?
Ser feliz, não será apenas um estado de espirito? Um estado que todos nós perseguimos sem sabermos ao certo o que é? Ser feliz, não será o somatório do que temos? Em vez de tudo o que não temos? Não será aqui mesmo que nos enredamos? Ao pensarmos que é o que não temos que nos fará feliz?
Claro que algumas vezes desejo coisas que sei, nunca poderei obter, e nem será por falta de vontade ou empenho mas… porque é cada vez mais difícil, para os que não nasceram já favorecidos pelo nascimento e estatuto e assim nada tiveram que fazer para alcançar.

Vou tomando consciência que, afinal, o meu maior sonho é continuar a sonhar… Num mundo meu, onde não existem dificuldades inultrapassáveis, ou afectos impossíveis. Num mundo, onde tudo é possível aos puros de coração e de mentes inocentes.

O meu maior sonho… É continuar a sonhar… Mesmo quando estou acordada, mesmo quando espero e desejo, que tudo o que desejo, seja possível… Porque feliz já eu sou, com o pouco que tenho.

Falta-me o que não depende só de mim, o que não posso controlar… Mas que não tenho duvida, também me faria muito bem. Aliás… tornar-me-ia a mulher mais feliz do mundo.

            *****
       2012.10.09
nn(in)metamorphosis


08/10/2012

Vazio

Estou fraca nas palavras... Penso rápido demais para que as mãos me acompanhem o ritmo da alucinação em que a mente se entranha e emaranha nesta sensação de vazio

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      2012.10.08
nn(in)metamorphosis 


26/09/2012

Cantigas ao desafio XVI


Estrada sinuosa



Nunca quiseste saber de outrem que não de ti
Egoisticamente brilhaste, apenas porque podias,
Tão só porque te era fácil
Sem atender às sombras que deixavas para trás
De tão cheio de ti
Suavemente pisaste no teu caminho
Deixando um rasto de perfume fresco
Quiçá barato
Cresceste em ti, de ti e para ti à conta dos outros
Ergueste uma ilusão sem te dares conta
E dela alimentaste o ego
Eras tão cheio de ti
Que nem te apercebeste do quão patético eras
Criaste o teu universo e dele ficaste prisioneiro
É tarde, demasiado tarde para voltares
E demasiado cedo para te chorares
Deixo uma flor a teus pés
Em jeito de um adeus
Campa, sem o saber, já tu és
E a tua cruz, sou eu 

2012.03.23 (vc)
(Cópia autorizada)
 
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O luar e a sombra

Com a noite ela chega
E pelas ruas se esgueira
Procura a sua presa
Lentamente, qual serpente
É a sombra sobranceira

Ele tão cheio de si
Insinua-se traiçoeiro
Ilumina corpos
Encobre amantes
O luar sorve do gozo alheio

E os dois juntos
Riem alto
Dos amores já moribundos
Lambem as feridas
Correm mundos
O luar vestindo a sombra
E a sombra vivendo nua

2012.09.25
nn(in)metamorphosis