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18/10/2012

Corvo


Corvo
 
 Sou das sombras e da luz
De todo o bem e do mal
Do que iniciou o final
Do que diz morrer na cruz
Do perdão, dos pregões
Dos que tentam os sermões
Sou-lhes surdo, estou além
Tudo o que sinto é desdém
De quem me tentou seduzir
Sem jamais o conseguir
Do que faço, do que digo
Do que oiço ao ouvido
Da fúria que me move
Do desprezo que me comove
Assim me visto como sou
Assim me fico, não me dou
E da metade do todo
Sou o excesso, sou o corvo
 
15.10.2012 vc
(Cópia integral e devidamente autorizada)
 
***
Resposta
 
Corvo
 
Sou das sombras e da luz
Do que fica sem nome
Do que não pede razão
Nem se prende ao que consome
 
Sou do silêncio antigo
Do que observa sem pressa
Do que não busca resposta
Nem em nada se confessa
 
Não sigo voz nem caminho
Nem me dou ao que me chama
Sou o que fica sozinho
Quando o mundo se derrama
 
E na sombra permaneço
Sem querer outro lugar
Porque há seres que nascem
Só para ver e calar
 
Sou corvo. E assim fico.

 

 ***

2012-10-18– Corvo - Desafios
nn(in)metamorphosis


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