Princípio da Loucura ou o efeito
colateral da febre
Por vezes
respiro um mar chão
Doutras negras tempestades
De calmas e fúrias me mantenho
Sem sossego progrido
Ah, o cheiro do risco
A tontura da queda iminente
A náusea de fazer bem o que é errado
Entre o clamor e a desgraça
Entre a glória e o esquecimento
Escolho desgraçadamente o esquecimento
E que minha alma mendigue
Por becos imundos
De pensamentos perdidos
Cópia integral e autorizada
Princípio
da Loucura ou o efeito colateral da febre
Há
dias em que o pensamento
fica sem forma nem lugar
e anda dentro da cabeça
como coisa a falhar
O
corpo perde alinhamento
sem aviso nem razão
e o real fica distante
como se não tivesse chão
Não
é dor, nem é sonho
é queda sem direcção
uma falha no caminho
entre regra e confusão
Chamam-lhe
febre ou loucura
não há forma de explicar
a cabeça perde o rumo
e a razão começa a falhar
E
tudo fica suspenso
entre o certo e o talvez
como um mundo interrompido
sem princípio nem vez
***
nn(in)metanorphosis
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