Quando:
o solitário é vencido pela solidão
o nómada ergue a primeira parede
a lua eclipsa o sol
o infeliz alegra-se
a muralha é rompida
a água já não molha
o sarcástico é gozado
o verso já não rima
e a chalaça chora
São momentos raros, de pura ironia.
Há momentos ainda mais raros: quando um simples gesto me
tolhe a voz e dou comigo a tentar domar a comoção
2012-09-11 (vc)
Cópia integral devidamente autorizada
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Quando
Falando sozinha
Já não meço as palavras
Vou cuspindo as minhas mágoas
Açoitando a alma em vão
E se sorrio ainda
Não é mais que desespero
Vou libertando demónios
Em cada linha que escrevo
Escalpelizo os sonhos
Sinto tão próximo o fim
Não sei se pelo gosto do sangue
Das palavras que saem de mim
Momentos raros em que me permito saber o gosto da solidão
2012-09-12
nn(in)metamorphosis

