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06/09/2010

Faça-se silêncio



Faça-se silêncio...

Sempre que as promessas, não sejam mais que palavras desconexas, e ausentes de significância. Poderiam ser apenas rabiscos, que não conseguiriam ser menores.
E mesmo que viessem bordadas a ouro, não lhes daria maior valor.
Por essas e muitas outras razões… prefiro o silêncio, a falsas promessas. Mas nunca o silêncio das tuas palavras…
Porque essas, mesmo raras, fazem-me bem.

Enfastio-me diariamente com os idealistas astuciosos que “vivem” de acordo com a infinda sabedoria, querendo fazer-nos acreditar que esse é o único caminho para a felicidade. Vivem tumulados no saber, nas possibilidades e nas probabilidades das palavras bem colocadas para não ferirem susceptibilidades… Inspiram e expiram todos os dias, sem nunca perder a cabeça, nem nunca sair da linha planeada para o encontro das almas que os levarão, desta vida, para um outro estado onde habita a perfeição (que enjoo!!!). Vidas consumidas em si, negras de tédio, extintas de vida… Que recusam a subtileza de sentimentos inúteis. (Inúteis… dizem eles!)

Citando Pessoa… eu digo-te meu querido, por que eles nos julgam inúteis, porque eles não podem entender...

Como se ama infinitamente o finito
Como se deseja, impossivelmente o possível
Porque queremos tudo, ou um pouco mais, se puder ser
Ou até se não puder ser...

Assim, meus amigos, não me perguntem se estou cansada, e se estar cansada é viver… responder-vos-ei que me sinto, cansadamente VIVA!

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2010.09.06
nn-(in)-metamorphosis


05/09/2010

Esta noite...


Esta noite

celebrizo a tua ausência
o teu silêncio

Esta noite

aclamo a tua solidão
e com ela o doce aroma a amoras maduras
dos teus beijos ausentes

Esta noite

és sonho, poema sem fundamento
imagem que eu criei
Quando a luz se eleva
e a noite se despeja
no prazer enlouquecido
do silêncio inexplicável

Nem és coisa nem saudade.

És a imagem do meu imaginário
És a indolência da minha insónia.

Dardo cravado na minha vida secreta

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nn(in)metamorphosis
2010.09.05






28/08/2010

Saudade


 O sentir inunda-me os olhos e turva-me as retinas.A dor beija as pestanas e corta-me o rosto lentamente...são só saudades Pai.


25/08/2010

O que é a Páscoa?

Pai, o que é Páscoa?

- Ora, Páscoa é ...... bem é uma festa religiosa!

- Igual ao Natal?

- É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressurreição.

- Ressurreição?

- É, ressurreição. Marta, vem cá!

- Sim?

- Explica a esta criança o que é ressurreição para eu poder ler o meu jornal descansado.



- Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendido?

- Mais ou menos ........ Mamã, Jesus era um coelho?

- Que é isso? Não digas uma coisa dessas! Coelho! Jesus Cristo é o Pai do Céu! Nem parece que este menino foi baptizado! Jorge, este menino não pode crescer assim, sem ir à missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma educação cristã! Já pensou se ele diz uma asneira destas na escola? Deus me perdoe! Amanhã vou matricular este fedelho na catequese!

- Mamã, mas o Pai do Céu não é Deus?

- É filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Vai estudar isso no catecismo. É a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.

- O Espírito Santo também é Deus?

- É sim.

- E Fátima?

- Sacrilégio!!!

- É por isso que na Trindade fica o Espírito Santo?

- Não é o Banco Espírito Santo que fica na Trindade, meu filho. É o Espírito Santo de Deus. É uma coisa muito complicada, nem a mamã entende muito bem, para falar a verdade nem ninguém, nem quem inventou esta asneira a compreende. Mas se perguntar à catecista ela explica muito bem!

- Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?

- (gritando) Eu sei lá! É uma tradição. É igual ao Pai Natal, só que em vez de presentes, ele traz ovinhos.

- O coelho põe ovos?

- Chega! Deixa-me ir fazer o almoço que eu não aguento mais!



- Pai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?

- Era, era melhor, ou então peru.

- Pai, Jesus nasceu no dia 25 de Dezembro, não é? Que dia que ele morreu?

- Isso eu sei: na sexta-feira santa.

- Que dia e que mês?

- ??????? Sabes que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na sexta-feira santa e ressuscitou três dias depois, no sábado de aleluia.

- Um dia depois portanto!

- (gritando) Não, filho - três dias!

- Então morreu na quarta-feira.

- Não! Morreu na sexta-feira santa... ou terá sido na quarta-feira de cinzas? Ah, miúdo, já me confundiste! Morreu na sexta-feira e ressuscitou no sábado, três dias depois! Como!?!? Como!?!? Pergunte à sua professora de catecismo!

- Pai, então por que amarraram um monte de bonecos de pano na rua?

- É que hoje é sábado de aleluia, e a aldeia vai fingir que vai bater em Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.

- O Judas traiu Jesus no sábado?

- Claro que não! Se ele morreu na sexta!!!



- Então por que eles não lhe batem no dia certo?

- É, boa pergunta.

- Pai, qual era o sobrenome de Jesus?

- Cristo. Jesus Cristo.

- Só?

- Que eu saiba sim, por quê?

- Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele tinha no apelido Coelho. Só assim esta coisa do coelho da Páscoa faz sentido, não acha?

- Coitada!

- Coitada de quem?

- Da sua professora de catecismo!!!
 


Considerações para quê? para reafirmar o óbvio? ahahahah




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20/08/2010

Olhei... Olhaste...


Um dia olhei… e amei-te

Um dia olhaste… e amaste-me
Enraizado está esse amor
Percorrido lado a lado
Entre risos
um motivo mais par’ amar,
e choros
no seu vencer a diferença aceitar
Entre a bonança
de dias apaziguados e iguais
e a tempestade
de noites sonhadas e ais
Um dia olhei… e tu olhaste
Eu te encontrei
Tu me encontraste

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nn(in)metamorphosis
2010.08.20







13/08/2010

Pobre ave

 

Agosto. Era Agosto, 13 quarta feira do ano de 2003. O dia tinha acordado lindo e quente. Na falta de ar condicionado, o trabalho decorria numa rotina dolente, acordado pelo telefone que tocava na secretária da colega, de momento, ausente. Levantou-se, e a caminho de o atender, olha a janela aberta de par em par, uma nuvem cinzenta, vinda não sabia de onde, escondia, agora, o sol que filtrado feria o olhar. E ali, no gradeado do muro, parecendo olhá-la, aquele pássaro negro de presença imponente. Na rua, a voz de uma senhora idosa informava os miúdos em alvoroço, um corvo, é um corvo, e como se rezasse, benzeu-se, enquanto dizia: sinal de mau agouro, para o combater não chega todo o dinheiro todo o ouro. Um arrepio, a mistura das vozes da senhora e de quem lhe falava do outro lado da linha, em tom aflitivo.

Tremeram-lhe as pernas

Rasaram-se-lhe os olhos

No peito uma dor de morte

 

O corvo piou

Levantou voo

E ela pensou

Ditou-lhe-me a sorte

 

 

***

2010-08-13

nn(in)metamorphosis